Clube Caiubi de Compositores

O direito do compositor é soberano!

Muito se fala atualmente sobre pirataria, compartilhamento de músicas na rede mundial de computadores, direitos autorais, OMB, Ecad e Jabá. Muito se fala... pouco se esclarece.

Encarar o fato de que o contexto do mercado fonográfico mudou, depende em muito da compreensão do processo de digitalização dos meios de comunicação e, ainda mais, compreender que hoje existem novos veículos de comunicação de massa. Até ai novidade nenhuma, não é mesmo?

Parece que sim, mas compreender o novo contexto que vem com o mundo virtual para a cadeia produtiva da música, depende de compreender que a própria cadeia produtiva já não é mais a mesma. Da composição à produção musical, passando pela distribuição e divulgação, tudo (absolutamente tudo!) mudou.

Enquanto as décadas de 80 e 90 foram prodigiosas na movimentação de bilhões de reais nesse mercado, os anos 2000 vieram pra desafiar a imaginação e a capacidade de adequação para muitos, quase todos, os profissionais da área.
O que se vê, passada quase uma década, é um mercado esfacelado, gravadoras tentando ainda recuperar os mesmos altos lucros de antes, artistas e compositores sonhando com um retrocesso na história para que possam voltar a sonhar em “ser descoberto” por algum empresário endinheirado que invista em suas carreiras pessoais e os levem ao topo da mídia nacional.

Amigos, em verdade vos digo: isso acabou!
E mais, o CD, produto dos sonhos de todo artista que acha que essa é a chave para uma carreira de sucesso, também já morreu.
Não, não estou sendo pessimista, nem fatalista e tão pouco catastrófica. Essas afirmações sequer são minhas! São de observadores de plantão dedicados ao estudo da nossa arte. Quem duvida, dê um giro virtual pelo planeta e avalie por si. “Contra fatos não há argumentos”.
A distribuição de músicas na rede e a facilidade em se copiar um CD em casa, criar produtos de qualidade em home estúdios e, principalmente, a capacidade de diálogo com as novas tecnologias esvaziou de vez as lojas de CDs e retirou pra sempre o poder das mãos das majors.

O sonho acabou então?
Não! É agora que a brincadeira começa a ficar boa!
É nessa pseudo entre-safra que cada artista terá a oportunidade de construir uma nova maneira de auto gerir sua carreira, que cada compositor poderá resgatar o direito soberano à sua obra.

Porque o mundo mudou, o CD morreu, a indústria fonográfica faliu... Mas a canção vive, se renova e se reinventa. Absorve novas tecnologias, outras linguagens e se transforma, como é próprio da dinâmica da arte.
Taí o Clube Caiubi e nossas mais de 10mil canções postadas pra ser “o fato” contra qualquer argumento. Está aí o crescente mercado independente pra ser mais um peso nessa balança em favor da música.

Agora, não é possível lhes dizer que se apropriar desse processo todo é tarefa fácil. Há muito o que se descobrir, discutir e construir.

E pra quem achar que a discussão colocada nesse texto ainda está muito rasa eu digo: é exatamente essa a intenção.
Abrir o fórum com a conversa de maneira democrática pra que todos aqui da rede possam acompanhar e participar.

Mas vamos engrossar um pouco mais esse caldo:
As decisões estão sendo tomadas por alguém.
Decidem por ai nos congressos e câmaras, à revelia dos verdadeiros interessados, o que será feito de agora em diante dos direitos autorais.
Embora o cenário tenha mudado, em nada mudou a falha distribuição da arrecadação de direitos do Ecad, que trabalha da mesma maneira que trabalhava há 30 anos.
Ainda há no Brasil o câncer que devora as intenções de novos artistas, o Jabá, que ainda movimenta e sustenta emissoras de rádio e TV por todo o pais. E alguns tentam (e andam conseguindo) estender isso pra internet.
Os contratos com gravadoras e selos, quando existem, ainda são desfavoráveis aos direitos dos compositores, que custeiam suas obras pra depois assinar com as próprias mãos verdadeiras amarras, uma vez que, não sendo do interesse comercial da gravadora no momento, são colocados no gelo até que o contrato acabe ou o compositor, por insistir em distribuir e divulgar seu trabalho às próprias custas S/A usando os veículos que tem ao alcance (internet por exemplo), seja processado pela mesma gravadora que o contratou.

Gosto de usar a palavra “apropriação”. Gosto de pensar que cada um de nós caiubistas pode, e deve, se apropriar de sua música, na totalidade do que isso significa. Solo ou em grupo (de maneira colaborativa?), esse é o caminho de trabalho mais provável, o auto-gerenciamento.
E pra isso será preciso mexer em alguns vespeiros, desfazer algumas crenças e mostrar os punhos. Não no sentido da força bruta, mas demonstrando o poder de reinvenção da canção e de articulação dos compositores.

Já existem movimentos com disposição para abrir vespeiros, um deles é o MPB (Música para Baixar), que vem realizando fóruns pelo Brasil sobre esses temas e em pouco mais de 6 meses de vida já reúne nomes importantes da música brasileira. Falarei disso no próximo texto.

Por hoje quero deixar por aqui... mas não antes de transcrever o que nos dizia incansavelmente Zé Rodrix “Cada um faz aquilo que quer, pode e consegue”.

É tempo de apropriação e nós podemos!

LisRodrigues
26 de outubro de 2009

Tags: autorais, baixar, compartilhamento., direitos, ecad, jaba, mpb, musica, omb, pirataria

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Respostas a este tópico

Oi, Lis...A industria está em crise faz tempo e vai de mal a pior...A arte...nunca esteve tão bem...Ótimas as suas informações...Bjs, Li

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Minha amiga.

CLARO. CONCISO E ABRANGENTE.

Minhas congratulações.

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Toda mudança gera discussão e quem discute quer resultados, portando vou me apropriar do teu chamado para, quem sabe? Chegarmos a alguma conclusão . A arte é extensa , duradoura e infinda, assim, podemos nos apoiar naquilo em que a gente acredita. Que tenhamos sorte...! abs

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Lis

Eu quero saber aí fora. Como é que os gringos tão se virando ?

Sill

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Cada pais lida com a questao à sua maneira.
Não tenho conhecimento preciso pra te falar, mas sei por exemplo que no Japão os downloads são comprados.. as pessoas gostam de pagar por ele, é cultural.
Nos EUA a briga é feia entre gravadoras e sites de compartilhamento.
A Europa enfrenta a mesma questao.
Nos paises da America Central e do Sul é um samba do criolo doido.
No mundo todo o mercado independente cresce fazendo as proprias regras, uns compartilham gratuitamente, outros vendem, outros não estao nem ai porque querem mesmo é vender show.
Mas reforço, nenhum dado preciso, digo isso pelo que tenho lido por ai... Seria necessario um levantamento mais serio.

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Olá Lis e Cia, é um prazer estar aqui nesse clube de amigos compositores.
Como músico, compositor,divulgador cultural e arte-educador, me esforço em produzir
música e arte de qualidade. Que o fruto do nosso trabalho produza algum ou vários benefícos
para quem usufruir dele. Que possamos ser úteis e obter o nosso sustento através dele.
Essas são as principais desejos.

Visitem o nosso portal de informações do mundo da música, artes, turismo e outros assuntos:

www.younesproducoes.com.br

Esses assuntos, midias de veiculação de produtos culturais e novos comportamentos do mercado
fonográfico, entre outros, é bem polêmico e com várias facetas.
Eu particularmente continuo produzindo e vendendo CDs a vários anos. As pessoas que gostam e tem respeito pelo nosso trabalho compram nossos CDS para ouvir e presentear.

Manipular CDs, seus encartes continua sendo um prazer.
Concordo que as gravadoras investem cada vez menos em produção de CDs independentes
mas, na verdade, coexistem dois ambientes de divulgação e comercialização de trabalhos musicais.
Os CDs e DVDs e a internet. Todos muito bons ao meu ver.

Acredito que é perigoso sair afirmando coisas do tipo "Os CDs, DVDs, isso ou aquilo morreu" ,pois, na prática e na real isso não é verdade. Inclusive CDs e DVDs continuam sendo uma das melhores formas de divulgar o trabalho de alguem.

Com audio de qualidade e sempre que possível bons encartes. Ainda serve como cartão de visitas do artista, músicos, grupos musicais, vídeos, filmes, grupos de dança, grupos de teatro, fotógrafos, empresas, etc.

A mídias eternamente irão mudar, mas algumas como os Cds e DVDs irão persistir até que criem algo que realmente entre definitivamente no hábito e na Alma da grande maioria das pessoas (por incrível que pareça, até hoje se ouvem com prazer discos de vinil e disquetes de 31/2 ").
Existem muitas opções, inúmeros tipos de cartuchos de memória, pen drives com conexão USB, ou quem sabe as pessoas prefiram os arquivos comprados pela internet, principalmente quando as pessoas aprendam a ter respeito e saibam realmente aproveitar os recursos tecnológicos para o seu bem e para o bem de todos.

Seja lá o que for. continuaremos produzindo divulgando e executando música,arte e cultura, porque ainda somos seres humanos e essas coisas são e sempre serão nossos alimentos .
E a classe dos profissionais da arte e cultura ,como qualquer classe trabalhadora, continuarão tendo que ganhar os recursos necessários para uma vida justa e digna do seu trabalho que no caso é produzir arte.

Na verdade essa discução se tornará irrelevante, quando as pessoas perceberem que o que realmente
interessa é criarmos um "paraiso " em nosso habitat. O paraíso começa dentro de cada um de nós
O lado de fora é reflexo incondicional do nosso interior.
Criemos então o paraiso dentro de cada um,e veremos imediatamente a melhoria enorme e imediata ocorrerá nas: famílias, ruas,bairros,cidades, estados, países. E também esperimentaremos uma enorme melhoria na qualidade de vida, produção e difusão cultural, assim como nos aspectos comerciais, administrativos, arrecadação dos direitos autorais e muito mais.

Provavelmente no paraiso terão poucas pessoas querendo "explorar, roubar, prostituir, estorquir, apagar, destruir artistas ou profissionais de qualquer espécie.
Pois, o interesse principal será melhorar, a qualidade de vida, plantar e regar o paraíso ao seu redor, será
a nova ordem mundial.
E se repararmos bem, essa "Ordem Mundial" já está presente e crescente em todos os círculos sociais.
O paraíso já existe dentro de nós, basta descobrirmos e colocarmos para fora, a cada dia de nossas vidas dizem que o ser humano é filho do criador da natureza e de todo universo. Filho de Deus, deusinho é.

HEHEHE

Abro então uma nova enquete:

Como será o mercado cultural no paraíso ?

Grande abraço a todos.

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>>>Como será o mercado cultural no paraíso ?

Dizem os místicos que nos mundos evoluídos, a matéria é bem menos densa e em consequência as necessidades e relações são diferentes. Então a palavra não é mercado.
Solidariedade?
Compartilhamento?
Sei lá...
" O melhor lugar do mundo é aqui e agora"

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Oi, Lis
certamente já está na hora da gente encarar essa discussão. No Brasil, parece que há um proposital interesse em não organizar o mercado artístico. Desde sempre, todos se apropriam da arte, como se surgisse no ar, sem um criador. A organização desse mercado passa por um processo de conscientização de todas as pontas dessa cadeia produtiva.
Aqui no sul, temos um Forum Estadual de Música com pessoas que se movimentam bastante. Estamos organizando a Feira da Música do Sul, nossa primeira grande feira sobre o mercado da música, vai acontecer de 19 a 22 de novembro, na cidade de Novo Hamburgo (próximo de Porto Alegre). Por conta desses contatos, tenho acompanhado o que vem rolando no Congresso Nacional, onde as discussões sobre arte e mercado estão acontecendo no PEC da Cultura. Várias das informações me chegam através do site www.moyseslopes.blogspot.com (aconselho a todos que se interessam pelo tema).
Vamos discutindo a amadurecendo as idéias, em boa hora.
Bjs

Responder esta

O debate é interessantíssimo e importantíssimo. Não é porque a internet é um meio fácil para se baixar e se apropriar de músicas, que os artistas vão se desesperar. É preciso encontrar os meios para continuar divulgando e cantando as músicas que o povo quer ouvir. A internet implodiu tudo (há quem prefira dizer que explodiu), mas é preciso lembrar do tempo em que os bardos cantavam suas músicas pelas ruas e praças, e sobreviviam e todos eram felizes. Gente, nós temos a internet, estamos globalizados. Vamos reclamar de que? Precisamos é aproveitar os meios, capitalizando-os ao nosso favor. É fácil? Também viver é difícil, mas viver é uma dádiva que estamos aproveitando e é só aqui e agora. Amanhã não tem mais.
Abraços para todos.

Iremar Marinho - www.bestiarioalagoano.blogspot.com

Responder esta

Lis,

Como vi que a fila aqui estava grande e era difícil responder de modo mais direto, publiquei no meu blog érico na rede como vejo a matéria, que é muito complexa.
Espero que goste e voltemos a fazer pontuações mais direcionadas e tão repletas de energia eufórica pelo ganho da questão que se espalha entre pontos pró, contra e outras considerações neutras que mal se fazem entender, até agor.

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Olha que ideia otima!
Cada um de nós que tiver blog pode discutir o assunto, assim a gente amplia nosso foco de ação.
;)
Vou lá ler Erico, obrigada

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Responder até Carlos Younes 21 horas atrás
Excluir
Sem dúvida, soluções existem , por exemplo, nós os artistas ajudarem a educar as pessoas do seu círculo. Sempre que possível, as lembrando delicadamente que artistas são profissionais. Estamos no mundo material e profissionais por aqui precisam ganhar para viver.
Em cada projeto geralmente estão várias pessoas envolvidas e cada uma delas necessita receber remuneração.
Não importa se é CD, DVD, Show, projetos educacionais, políticos ou seja lá de que tipo for.
De uma ou mais formas precisamos além do retorno moral, o retorno material justo em nossos empreendimentos. E observamos mais uma vez, não importa a mídia ou o momento cultural ou existencial, em qualquer momento, em qualquer profissão o que resolve as coisas é o ser humano se educar e melhorar sua índole. E nisso está envolvido o respeito, noção de cidadania e é claro, o amor...

AH! uma boa dica de rede social ligada diretamente ao governo Federal, lançada a alguns meses no evento FiLE em São Paulo. Se chama "Cultura Digital".
Já faço parte a algum tempo, mas pelo que vi, ainda está sendo muito pouco utilizada.
Compositores, músicos artistas e gente do bem, vamos invadi-la e fazer a diferença!

http://culturadigital.br


Inspirado em sua matéria Lis, postei um artigo em meu portal de informações culturais, que tenho feito com muito carinho e estamos sempre procurando aprimora-lo.
Vejam o link e comentem:

http://www.younesproducoes.com.br/index.php?option=com_content&...

Abraço a todos

Carlos Younes

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