================================================================
FIM DE TARDE
(Ari Barbosa)
É fim de tarde...
O sol mergulha no mar
Logo mais a escuridão
do tempo vem lembrar
que estou na solidão
Nem ela nem eu quisemos
relevar as diferenças
e certamente amargaremos
o orgulho das ausências
Essa vida nos ensina
lições cheias de razões
ao moldarmos nossa sina
ao sabor dos corações
que é doce o veneno
que é quente a paixão
que o perigo é um aceno
que é gostosa a ilusão
================================================================
MUSAS
(Ari Barbosa)
As musas serão assim
quase intocadas
Sexo, uma vez,
duas no máximo,
não mais que três
Não serão boas conselheiras
Amantes eventualíssimas
Companheiras, jamais
Para não perderem o encanto
Para continuarem inspiradoras
Para povoarem nossos sonhos
Que outros cuidem da humana,
pois não verão a alma...
Arcarão com as consequências...
================================================================
I MISS HER
(Ari Barbosa)
I used to wait about
a half or a whole year,
surprised (not a doubt)
and pleased (not a fear).
That journey was a dream,
the passion filled my heart.
Far away was not a thing
I missed her, torn apart.
They accessed to my mind,
loaded the saddest information.
Since then my heart can’t find
relief in her entire nation.
We still had time for living,
loving dreams we still would see,
no words to be forgiving,
many joys she would give to me.
I woke kind of stunned out of time,
barefoot walking in her homeland,
with mindless thoughts growing in my mind
and this huge sadness I can’t stand.
And I passed in the park we used to squeeze,
where my spring time reborn and lit my light.
There were still there nostalgia and the breeze,
the magic had just gone before my sight.
I miss her...
We never really wrote down to bother,
‘cause our chat was deeper from inside.
Looking through her eyes as in no other
I remade my world inside her site.
Now we cannot exchange our loving words
because she cannot hear them anymore
- should as well become literary works,
phrases that I couldn’t say no more.
I miss her...
================================================================
Sobre o que um dia li do amigo caiubense Fernando Girão dizendo que
"A intuição perdeu-se nas armadilhas preguiçosas dos preconceitos generalizados, grosseiros, sem a sabedoria natural do que somos",
vislumbrei esperançoso que podemos talvez ainda nos afastar da fuleiragem travestida de pragmatismo.
A criatividade intuitiva é uma forma de sentir esse distanciamento benéfico, mas nem sempre ou quase nunca fácil de ser conseguida, seja por limitações compreensíveis, barreiras intransponíveis, falta de interesse ou adesão, ou mesmo simples falta de saco de ficar falando ou produzindo para o éter sem eco.
Ari Barbosa
================================================================
CRATO BLUES
Ari Barbosa
Eu sou de uma cidade bem do sul do Ceará,
de gente muito boa, até da Bárbara de Alencar.
Do Cariri é flor, do buriti é doce, eu vou pra lá, eu sou de lá...
Locada na base da Chapada do Araripe, escada para o céu, eu sou de lá...
Morei Pedro II, cursei Diocesano,
de lá vim para o mundo do divino e do profano.
A saudade é grande, a visão se estende pra lá.
Eu sou de lá.
A terra é linda e um barato,
seu nome mesmo é Crato
e o clima é um prazer.
- Vai conhecer.
O bairro do Pimenta, o velho Seminário.
Lameiro e Nascente, lazer do operário.
A Rádio Educadora, a velha Araripe.
Eu lembro dos colegas que estudavam em Recife.
Da Turma da Vala lembro na boa
e nada me magoa.
- Vai pra lá, eu sou de lá.
Luiz Gonzaga a adorava,
em versos a cantava.
Por que eu não?
De todo o coração?
Nos clubes serranos eu quero amar.
Assim com o estresse acumulado posso em breve acabar.
E os irmãos do Cariri
curtem a terra do pequi
- Que emoção!
Num tom maior rasgado,
Crato amado,
eu abro o coração!...
A Festa da Padroeira, a Igreja da Matriz.
O Padre Montenegro, lembrança de raiz.
Irmãos Afonso Pinto e Antônio que é Luiz.
Eliza e Toinzinho me fizeram bem feliz.
Rio Granjeiro serpenteando,
no inverno transbordando.
- Vai pra lá, eu sou de lá.
Luiz Gonzaga a adorava,
em versos a cantava.
Por que eu não?
De todo o coração?
Nos clubes serranos eu quero amar.
Assim com o estresse acumulado posso em breve acabar.
E os irmãos do Cariri
curtem a terra do pequi
- Que emoção!
Num blues desajeitado,
Crato amado,
abri meu coração!...
----------------------------------------------------------------------------
DIFERENTES
Tu dizes que sou eixo
Não sou eixo, mas um alvo
Não um centro, estou dentro
O mecanismo não entendo,
mas procuro - no escuro
A minha energia
a tua energia
diferentemente
formam mundos diferentes
Diferentes somos todos
Daí a beleza
e a ruína arrumadeira
do universo
AriBarbosa
_______________________
INCERTEZA
Aqui no palco em desencanto,
quando em versos canto e digo,
tento nos versos deste canto
me encontrar mesmo comigo.
Da exibição a que me exponho,
ação que beira o macabro,
talvez eu saia um ser medonho
da fresta larga em que me abro.
Ou ao invés, talvez encontre
a paz terrena dessa calma
que busco tanto numa fonte
não do meu corpo, na minh’alma.
Você que ouve, me entenda
neste momento de incerteza,
procuro dentro minha tenda
pra proteger-me da tristeza.
AriBarbosa
---------------