
Pérfidos Humanos
O que devo a esta raça de humanos?
Homens vis, aleivosos como que
Por instinto fosse natural dar-se
À traição - mero deleito, condição já natural!
Por que me condena a sociedade por atos
Considerados transgressores?
Não cobiço a mulher do próximo,
Não mato,
Não furto...
Porém, me é negado o direito de abraçar,
Beijar,
Acariciar...
Pois posto que o que desejo a lei proibe
Mas não condena os peixes grandes...
As verdadeiras mazelas de um país imundo.
Não impede as companhias aéreas, prefere
Fazer o DNA dos restos mortais iverossímeis
Daqueles cadáveres carbonizados.
Até quando viverei enclausurada?
Por quanto tempo manterei a minha farsa?
Meu casamento perfeito aos olhos da família tradicional?
Um homem para posar ao meu lado nas datas comemorativas,
No meus álbuns fotográficos, em meus porta-retratos empoeirados...
Se a única que pisa e passeia nos cômodos de meu coração
E minha eterna paixão - tens o mesmo sexo que o meu.
Por que esconder-me?
BM. 
Suplícios
Já não são mais somente três vezes,
Que clamei por ti.
Em meio as noites desatinadas de meu percurso
Torto, tonta eu já perco as contas.
Já não são mais três os morfemas
Que grafam minha infelicidade,
Rascunharia a face por tanto descuro.
Em tão alto grau quis assassinar-te,
Mas não posso me valer do pretérito,
Posto que me seja imperfeito,
Valho-me do agora e nunca,
Do quanto quero tê-la morta
Em meus braços, da vontade
Que me invade o peito, me crava os pulmões
Já pleuríticos, de ter emergido teu corpo
Já sem vida desta lama, poltronice na qual
Imergiste, e me parece sem volta.
Sinto eclodir em meu peito que não é proláptico
A avidez de te presentear com o mais belo
De minh’alma – tua morte.
Assim, poderia roufenhar baixinho
Ao pé de teu ouvido cadavérico:
- Acorda, Alice.
BM. 
“Por enquanto eu morri, vamos ver se renasço” C.L.
Suicidada
Agora está decidido,
Vou cortar as unhas,
Não as pintarei mais de carmim,
Rasparei as melenas,
Não as deixarei mais azeviche,
Serei ruiva na certidão,
Incompleta de nascimento,
Perpétua pelo destino,
Carregarei minha cruz,
Se me deram este peso, eu suponho
Que devo suportar.
Não rasgarei mais meus membros,
Golpearei as poesias que correm soltas
Envenenadas como o sangue
Contaminado de nossas veias.
Não matarei a ti, pois morrerás comigo.
Não tomarei mais cicuta com a validade vencida,
Brindaremos cianureto em meu velório,
Fugirei das mesóclises, não sei usá-las mesmo.
Minhas orquídeas, despetá-las-ei...
Tenho raiva delas, tenho asco de mim,
Tenho amor por nós,
Por isso, me odeio.
Por isso, amo-te.
Posto que tu és luz,
Enquanto eu sou sombra,
És alva,
Enquanto eu de nacionalidade duvidosa.
És nobre,
Nada além de uma plebéia sou...
És culta,
Nem tenho gramática.
És poeta,
Sou verborrágica.
És vida,
Sou a urna clemente onde
Deitarei ao som de Fédon,
O cadáver há muito falecido.
BM.

Aborto
Foi agora, há pouco,
Bem ainda sinto
Latente a vontade
De perder-te...
Melhor, de nunca tê-lo,
Descobri tardiamente que tu és
Um natirmorto ...eu já o tive,
Pari e me doem até hoje
Nos membros as cicatrizes...
Um dia tu me perguntarias, igual,
Assim como os outros se fora acidental,
Se alguma onça havia me lanhado,
- não, filho, as garras são de tua própria mãe – diria isso?
Como ao meu tão desejado filho?
Hoje tu me és maldito
Não tenho o direito de ser tua,
Tu não terás o infortúnio de ser meu.
Aquela barriga não luzirá...
Não darei à luz a nenhum rebento
Tão amado, e em instantes odiado.
Como sentir a agressão de teus pés
Chutando meu ventre, esticado,
Uma perfeita esfera a guardar-te, e
Tu fazendo minha luz distorcida, minha
Rosa em flecha desfigurada geometricamente.
Como poderei eu embalar teu pequeno
Corpo, cantando “bercause”, para que adormeças
Na paz da qual não sou possuidora?
Ah, meu tão sonhado, jamais trocarei tuas
Fraldas sem que remetas à progenitora?
Tu serás minha eterna dor...
BM 
... cantiga de amigo ...
tantos aos meus pés estão
enquanto só pairo aos pés de uma
unica
louca insana demente
paixão – que despreza meus suplícios.
Dinamene ensinou a nós
o amor que deu a Camões,
porém em minha vida camoniana
não salvei a Grande Epopéia...
morri por ti...
os versos atirei a teus pés,
a carcaça lancei no abismo
que é teu corpo...
assaltada por noites, com teu pranto
inclemente, ao qual não me dava o luxo
de saber a razão...
somente recostava-te em meu regaço
e cantava para que adormecesses
sem os fantasmas...
e ninguém houve, no mundo,
que beijasse minhas feridas,
ainda sangrentas, bebeste minha dor,
quando das cicatrizes brotava o vívido
sangue, tu sorvias com os lábios
para estancar minhas chagas,
outrora, ao encontrar os membros
já com o sumo tatuado, todavia me beijaste
no local que já não sangrava, mas pungia.
tu me deste vida...
embora fictício
realizaste meu mais valioso sonho,
nossa prole – me deste um rebento...
talvez por isso vivamos.
BM. 
Deslizes
Meu sorriso se fechou
Por todas as mazelas
Cujo coração romântico
Trouxe mais uma vez
A esta que ainda escreve ...
Não sei porque continuo e
Rabisco meus deslizes
Ridículos
Nos papéis amassados
Folhas de prova
Guardanapos de botecos ...
A realidade que o papai noel
Deu a mim neste ano foi a mais
Pungente de todas ...
Feriu ... e dói
A dor penetra minhas veias,
Passeia pelos tecidos
Vaga nos músculos
Perambula os ossos
Nos órgãos até chegar ao
Que pulsa entre aqueles
Velhos pulmões que teimam em ser ação...
E minha reação? E a conseqüência?
Solte minh'alma ...
Peço ainda por favor ... largue-me ...
Dei-me a ti desarvorada de
Medo... e agora é tarde,
Olhe apenas para os lençóis
De tua cama pueril - lá
Acharás as cinzas - quicá
O fumo virgem misturado
Ao pó - só isso restou de
mim ...
BM Eu e meu eu-lírico andamos de mãos dadas, sou ele, sendo ele simplesmente a minha máscara nos bailes à fantasia. Nossa insensatez se resume ao mero fato de cobiçar o inexistente, o proibido, a criação mental e particular, os devaneios de uma mente que deveras se aprisiona a outra não merecedora. Mas eu vivo, grudada a este menino peralta que criei em uma noite qualquer, e nele me faço! último tango
nunca tua ausência
fora-me tão cortante
quanto aqui
assim
sem ti...
o que farei?
amputarei meus dedos
para não pagar mais
a ti, minha dívida,
com meus versos que
outrora tu disseste
serem mais afiados
do que a espada de
Dâmocles.
já não declamo mais -
tu me roubaste as
cordas vocais no derradeiro
beijo...
e aquela rosa vermelha
do senil e cansado
tango que chamam
último
cravara o espinho
onde os cupidos
lançam flechas...
... morro-me ...
BM.
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Ao passar por aqui é que ví
Como a saudade é ruím para homens da minha idade
Foi só então que compreendí
Que mal faz e quão tamanha a iniquidade
Foi ao passar é que pude lembrar
Que não faz muito tempo havia carinho
Hoje não te vejo mais, você já não há
Porque fico aqui assim tao sòzinho?
Água que bebi, água pra nascer, oxidada, quimera amniótica, água de tecer o ser
Água do milagre, da utópica bolsa mágica, da conserva no útero à arder
Água pra brotar, alimentar e ferver a existência, amar, fartar ao aquecer
Água da força, do sopro pra mover, do prazer, água para arremeter ao viver
Água de banhar, lavar, ceifar o mal, de refazer a luz, pra re-pecar, revigorar
Água pra limpar a alma, pra alimentar, revitalizar, pra benção, mea-culpa
Água para clarear, tratar, pra ensinar o caminho da barriga mater, de tornar ao lar
Água pra lavar as mãos, pro lava-pés, contrição litúrgica, perdão, confortar
Água que verti, retive, na virilha, no joelho, água ardente, de cuspir, de rasgar, de irrigar
Água de conduzir energia trôpega, de emergir, fundir, de beber no bar, de nadar, se encharcar, embriagar
Água doce, H2°, mineral, salobre, de bica, mijo, suja, vala, valão, pra emporcalhar, lambuzar
Água de declive, cry a river, calhas, caixas, de correr, colher, molhar, regar, alagar
Água que chorei, pranteei, que rasguei, que sangrei, da carne, da boca, de fazer amor
Água que sorvi, que lambi, nos sulcos, hímens, mucosas complacentes, no odor
Água de correr, descer, banhar a terra, chover, nas estações, limpa e sem cor
Água de ferver a máquina, de mover o mundo, marés, o mar, ácida, de matar, calor, a dor
Água de Recife, Tietê, do Guaíba, Além Paraíba. Águas de março, de Fernando de Noronha
Águas de Veneza, São Francisco, do Nilo, Tamisa, Danúbio, Tejo, Sena, Jordão e do Amazonas
Águas de Perito Moreno na Patagônia, de Briksdai, Sorata, Lyman, das bacias de Minas
Águas do Everest, do Kaikoura, das Cataratas do Iguaçu, do Kathmandu, do Niágara
Água oceânica, rumorosa, ruidosa, volumosa, sobre tectônicas placas surdas
Águas transatlânticas, de golfos, diamantíferas, canal do Panamá, triângulo das Bermudas
Água de benção, de batismo, de cura, de cheiro, de axé, de lenda, nos rios, nas chuvas
Água da Terra, sonho pra salvar a espécie, enquanto houver espécie, esperança de água em outros planetas, absurdas?
Água, que parece tanta, ne? Parece farta, parece muita
Inverossímil, lenda, fé, parca, pelo ralo sem alma, finda
Insalubre, berra socorro ao insano ser humano, grita
Que o Senhor nos permita, que pra sempre exista
A água linda, água pura, água querida, água viva, água da vida
gosto de poemas assim totalmente contemporanio, tem um poeta chamdo (antonio maria lisboa) da um pequisa vc vai gosta. bjos
deixe que ti ame
que ti acorte de madrugada
e que minha mãos agarre as tua nádegas
não tenha medo
meu coração canta seleto por ti
então venha e me abra a boca
e deixe o sol entra.
arcio carvalho
SUCESSO SEMPRE
Té já!
e sol subindo já e a matrugada
canto a fantasia de que a paixão e das flores
quardo aquela noite
de amores e cançãoes intimas
que não esqueso já mais
a dor doce que em me deixase
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