DESCONFORTO
Afinal que é você, menino de estampa
Garoto de fúteis atos, sem o mínimo tato?
Afinal quem sou eu, pra lhe dar importância
Talvez seja uma tola, sem esperança
Cadê o homem que desenha minha face
Que escorre meu desejo por entre os dedos
Onde está o tempo que pára, com medo
Quando meu corpo no seu esbarra?
Fácil é chorar escondido
Dizer que já foi, entender.
Bater a porta, gritar por sorte
Fingir a calma, enganar a morte
Difícil é fugir, dizer que não pode
Ruim é perder com deselegância
Mostrando pra quem te fode
Que tudo é engano, e não ganância.
Com Licença.
Desejo que a dor não passe
Não passe por mim sem deixar o seu recado
Desejo que ela não minta, doa mas seja verdade
Eu desejo o lugar comum, pra dias empoeirados
e o delírio errante, pras horas de insanidade
Desejo as flores arroxeadas, perfumes naturais
Uma dança de vento com sacos plásticos
Fenômenos e defeitos colaterais, que mais?
Desejo chegar depois, evitar o verborrágico
Um café no intervalo, licença? me abrace.
Desejo um beijo suado, um corpo sarado
sarado das maluquices da estética
curado das modas de acaso, espírito tapado
Desejo que seja pela prática e a ética...
Abaixo a ditadura convulsiva epilética!
PASSAGEIROS DA ETERNIDADE (Musicada por Irineu de Palmira)
Um dia quero ser rio para gargalhar em cascatas
Mergulhar no teu cio, fazer trilha por essas matas
Esquentar nosso frio compondo longas serenatas
Sermos da chama, o pavio...navegar em fragatas.
Debruçar no peitoril, fazer cócegas em estátuas.
Amigos de assovio ou até íntimos camaradas.
E assim sanar nosso vazio, em noites apaixonadas!
Ainda não sei.
Uma estranha sensação me invade, ainda não sei.
É como se cada um dos trinta e cinco anos vividos
martelasse os ossos do meu corpo.
Corpo, cor-po. Palavra esquisita pra mim
Soa como gra-va-ta para um atleta, nunca uso,
quando uso: um evento!
Quero um outro corpo agora pra me fazer sentir
Tê-nis. Familiar, usual.
Amor Vadio (musicada por Cardo Peixoto)
O amor é um gato escorregadio
Um bagre ensaboado
Um corpo esguio
Paletó desabotoado
Bilhetes rasgados no meio-fio
O amor é desavergonhado
Faz do homem pleno e vazio
Sonho erigido, verso rimado
É passageiro de muito navio
No bolso passaporte carimbado
Mambembe malandro e vadio.
Por quem meu coração vive derramado,
No leito desse rio!
BEM VINDO
Bem vindo amor, terno sentir da alma que transtorna
demônios e anjos. Mágica.
Bem vindo amor que emana de mãos generosas, amigas.
Seja bem vindo, sinta-se bem, queira ficar um pouco mais,
sempre um pouco mais.
Como Sherazade contarei em mil e uma noites a história da minha vida.
Que não adormeçam meus filhos o sono profundo dos que não sonham!
Faremos uma ceia, preparamos a mesa com a velha louça dos antepassados.
Juntos vamos comer as alegrias sempre deixadas como sobremesa!
Hoje só haverá sorvete, serpentina, almofadas voando pelos ares.
Ode a alegria com risos soltos e destemidos.
Bem vinda Liberdade fique se quiser, já que a ti ninguém segura,
mas deixa-me a receita daquele prato que nunca se acaba.
Hoje teremos gatos e cachorros sem coleiras.
Sosseguemos! eles brincarão no quintal, talvez puxem do varal os lençóis brancos...mas quem se importa?
Logo mais á noite teremos serenata, cantata, rock and roll, e dançaremos em volta da fogueira celebrando o fim da Inquisição.
Os terrores queimarão fazendo densa coluna de fumaça até esvanecerem-se no horizonte.
E riremo-nos deles. Muita gente virá de todos os cantos do mundo em nossa festa secreta.
Não haverá convites nem porteiro, livre acesso aos que desejarem partilhar a mesa conosco!
Cada um trará consigo seus tesouros e velharias: nada de pacotes com fitas coloridas.
E quando se fizer tarde, deitaremos exaustos sobre a relva, e de mãos entrelaçadas faremos outros filhos, nascidos todos sob a lei do ventre livre.
Boa Noite!
CARINHO DE CADA DIA.
O carinho, vindo de mãozinhas infantes,
na ternura de um instante, beijos de imensa pureza.
Minha doce princesa, que sozinha já se senta á mesa
e encanta meu coração, fazendo a oração de nossa refeição.
Ela brilha em seu recanto, no quarto revirado, fuçando a "canastra de Emília" onde guarda seus segredos pueris.
A rebeldia quando bate os pezinhos com força no chão e diz "NÃO".
Ah, essa pequena rainha do meu ventre, e de todo o meu ser.
Penso ela, penso futuro, penso passado e em tudo ela está presente.
Nos pequenos presentes , singelos frutos preparados na escola,
nos bilhetinhos com a letra firme de quem tem a certeza que o mundo lhe pertence.
Virgynia. Seu nome é Virgynia.
EMBARALHADOS ( Dueto com LuciAne)
O louco é um valete
Escondido no armário
A louca é uma dama
Segurando um rosário.
No jogo invertido
O Rei se faz otário
E canta aos quatro
Ventos,as damas
Do planetário.
Vivaldi na vitrola
Emudece o canário
Gêmeo na janela
Vigiando o adversário
A face tão oculta
Revela agora o falsário.
Sangue vivo e velho
Verte enfim...
Justiça no cenário.
HAVE A NICE DAY!
Me escapa um suspiro incompleto
Um jeito estranho de doer a saudade
Daquilo que jamais experiementei,
Gosto de sal das lágrimas corridas
A corrente do pensamento interrompida
pela dor de não ser.
Não ser tua.
Não ser a escolhida
Não te beijar a nuca lisa e nua.
Um suspiro incompleto me alarma,
dispara o coração meio cansado.
Acordo feroz querendo rasgar o véu
do mistério não revelado.
Quero te contar quem sou, me alegro
e volto em segundos a refletir: que vais me dizer?
Tenha um bom dia, nada posso fazer por ti.
Outra vez me tremem as mãos, e agoniada
volto os olhos para dentro de mim. Escuro e frio.
Meu sol é você, todo ouro e luminosidade que tens.
Dizes: É delírio, força de expressão ou sonho.
Acorda e vai buscar; não aquilo que perdeste, mas
o que ainda te resta.
Covarde obedeço sem saber ao certo pra onde ir.
Minha dança não tem música sem você!
Meu sorriso entristece nos lábios quando me afasto.
Deixa-me ficar um instante mais.
Canta pra mim aquele blues, a festa ainda não acabou.
Mais um acorde
Mais um gole
Mais um trago de sorte
Salva-me, traga-me, leva-me.
Antes que me venha a morte.
APELO
A mim dedico essas pequenas linhas
linhas de anzóis, raciocínio e tricô
feitas de diminutos sonhos, sombras, enfado
Enfim a minha pouca literatura, o meu muito pensar
em cores e coisas sutis, passando ao largo.
Da minha loucura restaram novelos de lã embaraçados
frascos de vida a dois, cartelas de tédio...
Vidro quebrado formando em cacos o mosaico daquilo
que sou, ou antes, imagino ser.
Um ou dois versos escritos em dor
Dor compartilhada nos espasmos de prazer enganoso.
A verdade insinua-se em cada traço esquecido no abraço
daquele que ainda virá.
Paisagem fosca de um quadro pintado sem força
O vaso, a mesa, pratos e copos. Lençóis em branco
e preto que tornaram-se de um cinza esmaecido.
Anéis, que me fizeram Sra. Sobrenome já se derreteram
e hoje enfeitam um pescoço encarquilhado talvez.
Onde as cores, onde o barulho, onde o lufar do vento...
onde a vida se escondeu?
Dá-me um sinal, acende aquele último fósforo e acena!
MUNDO NOVO
Entre o medo e agonia da impossibilidade
Vou marchando minha sina passo a passo nessa cidade.
Uns dias acordam negros, outros luz.
Entre a saudade do passado e o incógnito futuro,
Desfilo confusa as minhas novas vestiduras.
Vezes cansada, vezes euforia.
Um tanto dessarrumada, nem tanto que se assuste.
Sou mutante de tantos perfis, caçadora de colibris
Tantas vezes julguei o fim quando era apenas começo,
Hoje vagueio nos trilhos e estações minhas virtuais
preocupações.
Na verdade nada importa se restar
um tantinho de emoção;
Só não quero mais clichês, eles não se encaixam
no meu armário, nem no corpo...tampouco em
meu dolorido coração.
Blog de Carla Roberta Lopes
Nesse rio caudaloso chamado passado,
afogo-me em noites insones
Calada invento personas que divertem e assombram.
São caricatas, piedosas, infames, disformes.
Cantam melodias assoviando segredos úmidos.
Passeio pelas fotografias daquele inverno perdido
nos anos de doçura.
No verão arenoso da praia do Forte.
Primaveras em Poços... de azaléias febris.
Na passarela das folhas secas desfilaram outonos
amarelos no calor das brasas recém extintas.
Passeios de motocicleta enquanto o sol se despedia
sob…
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Postado em 14 agosto 2009 às 11:17 ‚Äî
Partida, chegada, antes e depois, carinho e agressão
Ao meio, inteiro, feliz, sozinho.
Liberto, prisão...
Cansaço e solidão. Cegueira e visão.
Vida e Morte, azar ou sorte?
Brincadeira, jogo sério...fidelidade e adultério.
Eu fico ou vou? renego ou dou?
Caridade e avareza, obscuridade ou clareza, fusão e divisão.
Á vista ou prazo? crédito ou débito? Leasing ou consórcio?
Ou vai ou racha, decide, PÔ!!!
Postado em 9 junho 2009 às 19:59 ‚Äî
Ontem eu percebi que estava caminhando para a falência das múltiplas facetas da vida.
Me vi perneta de comparsas, sem música no repertório ou astúcia ensaiada. Não gostei do que vi no espelho dos olhos do artista.
Estupefata com a sede que sentia quis beber das fontes como cachorro louco jogado na estrada.
Agora entendo porque tantos preferem nem ver ou tentar chegar ás estrelas. Um instante de lucidez vale uma vida de frustração se acaso não fores em frente. Enfrente!
O lento conformar-se da vi…
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Postado em 17 maio 2009 às 19:37 ‚Äî