Canto da saudade
(Dedico este poema a minha
Cunhada Helienne)
És o canto da saudade
E por São José do Egito
O teu olho brilha bonito
O teu coração é tão puro
Tu tens um jeito maduro
Com tudo sabe lhe dar
Poder contigo contar
É muito mais que uma gloria
Tu tens na minha história
O teu lugar pra morar
Tu não estas tão sozinha
Quando tu triste imagina
Pois Deus numa obra divina
O teu nome inteiro incluiu
O anjo sorrindo sorriu
Feliz cantando em seu canto
Deus e qualquer outro santo
És tu uma gloria também
Pois tu que estas muito além
Daquilo que vem teu pranto
Galdêncio Neto
A pior coisa do mundo
Pra mim é gastar dez conto
(A Humberto Flavio
Meu irmão)
A pior coisa do mundo
Pra mim é gastar dez conto
É coisa que eu fico tonto
Quando acontece comigo
Fico mordido lhe digo
Dar a maior agonia
Feito mulé que dá cria
Eu num consigo esquecer
Fico querendo morrer
Pensando num outro dia
E tanto que eu me controlo
Pra isso num acontecer
E feito louco eu viver
Perdendo a noção o segundo
Coisa pior nesse mundo
Se Deus quiser num apronto
Bebo cana fico tonto
Apanho até da mulé
Me mudo pro cabaré
Mas eu num gasto dez conto.
Galdêncio Neto
Coração quando aflorado
Nos fortalece o viver
(um parceiro virtual mestre e incentivador)
Coração quando aflorado
Prova dos seus dissabores
Não somos nós sabedores
Desse mistério guardado
É tudo bem engraçado
Assim nos diz o saber
E nós, vamos só aprender
Que o sofrer só faz o bem
Nunca acabou com ninguém
E fortalece o viver
Falei pra minha menina
Que se encontrava ao meu lado:
"Coração quando aflorado
Transforma qualquer rotina"
E ela, vendo a sua sina,
Querendo corresponder,
Disse a mim: "Meu bem-querer,
Ele muda de repente
Não a rotina somente,
Mas fortalece o viver"
Em nó ficou meu traçado
Quando conhecera a vida
Perdi de contra a partida
Em meu peito imaculado
Coração quando aflorado
Nos faz na vida entender
Derrota é razão ao perder
Tristeza é grande alegria
Fraqueza e a sabedoria
Só fortalece o viver
Galdêncio Neto/ Felipe Júnior
Os sábios de coração
Tem poder na Natureza
(Mais um parceiro virtual, mestre e
Incentivador)
A brisa carrega nela
Com vôos do beija flor
Os versos do cantador
Que inspiram a coisa bela
Há quem pinta uma aquarela
Com as cores da pureza
E entoando uma beleza
Nas estrofes de cancão
Os sábios de coração
Tem poder na natureza
E entoando a canção
Num vôo de passarinho
O tempo tece seu linho
Quando acaba o verão
Os sábios de coração
Não precisam de riqueza
Verdade posta na mesa
Isso é sabedoria
Um grande sábio nos guia
Com o poder da Natureza
Os sábios de coração
Quando em mesma sintonia
Hoje o sábio que nos guia
No amanhã guiados estão
E com um linho em sua mão
Vão tecendo sua franqueza
Contornando sua grandeza
De que vale idolatria?
Se quem tem sabedoria
Tem poder na natureza
Galdêncio Neto/Maviael Melo
Amigo é mais um irmão
Que é só a gente que escolhe
Irmão, o melhor amigo
Que Deus escolhe pra gente
Os dois num são diferente
Só no cordão do umbigo
No peito leva consigo
Uma fé que tudo acolhe
A dor do outro ele olhe
São sagas do coração
Amigo é mais um irmão
Que é só a gente que escolhe
Amizade verdadeira,
Coisa quase inexistente,
Quem tem verdadeiramente,
É rico pra vida inteira!
Mas amizade “fuleira”
Que fica com puxa-encolhe,
Ou o satanás recolhe
Ou vira uma confusão...
Amigo é mais um irmão
Que é só a gente que escolhe.
Galdêncio Neto/ Dedé Monteiro
Toda noite a saudade me visita
Prá mostrar mais um filme do passado
Mote João Luis
Homenagem ao mestre Walmar
O meu céu se tornou um véu de brasas
Quando vim conhecer a solidão
Meu destino passou pra contra mão
Me perdi dentro em minha própria casa
A angustia podou as minhas asas
Vi um mundo de sonhos triturados
Construí um castelo improvisado
Mas me vi inquilino em palafita
Toda noite a saudade me visita
Pra mostrar mais um filme do passado
(Walmar)
A saudade domina meu querer
Faz-me vivo e presente no passado
Vivo o sonho que nunca foi sonhado
Com Walmar aprendendo a aprender
Apostando na ânsia de vencer
Por “Kalu” foi pra mim apresentado
Um momento por nós já superado
Numa linha por Deus há tempo escrita
Toda noite a saudade me visita
E me mostra esse filme do passado
(Galdêncio Neto)
Coisas que é só coração
Que num consigo explicar
A minha poesia é viver
A minha expressão é contida
Muitas das vezes banida
Mais é querendo fazer
Vivo aprendendo aprender
Na arte da vida expressar
Vida o que quero mostrar
Toda essa minha emoção
Coisas que é só coração
Que num consigo explicar
Nunca estudei num rabisco
Mais comecei praticar
Mesmo sem metrificar
Também escrevo e belisco
Sabendo o monte de risco
Que vou com a arte encontrar
Tentando tento rimar
Com versos e entonação
Coisas que é só coração
Que num consigo explicar
As coisas na qual absorvo
Quem quer na vida ensinar
Com todos compartilhar
Fazendo o novo mais novo
Mostrando o verso do povo
Mesmo sem saber rimar
Que na poesia ela estar
Dentro de cada torrão
Coisas que é só coração
Que num consigo explicar
Galdêncio Neto
A beleza ficou muito mais bela
Em um quadro por um Deus desenhado
(Este Poema dedico a minha filha
Grazielly)
Sentindo batendo o peito bateu
Foi quando eu elevei na minha mente
Para, eu tentar fazer diferente
Com o presente que o senhor me deu
Como um tear o meu linho teceu
E com outros fios do manto sagrado
O santo sudário ganhou o bordado
Quando ri com o nascimento dela
A beleza ficou muito mais bela
Em um quadro por um Deus desenhado
É melodia do riso quando chora
Os olhos para tudo; é uma rima
O teu ser é a mais pura, obra prima
E quando tu estás fora de hora
O meu branco com o branco colora
Com as cores do estar acordado
E realça com o sono esperado
E olhando na tua face singela
A beleza ficou muito mais bela
Em um quadro por um Deus desenhado.
Galdêncio Neto
Dois amigos vivendo numa luta
Em busca de um espaço pra viver
Nas linhas que traçadas em outrora
O poeta seu futuro em linho tece
Com a linha do talento enobrece
Cai e levanta no dia toda hora
E o parto do viver nascer da aurora
No fogo da vontade se aquecer
Na derrota o motivo pra vencer
A fraqueza é uma força absoluta
Dois amigos vivendo numa luta
Em busca de um espaço pra viver
Ser ligado o que traz a distração
Quando em dia uma estrela incandesce
Com o frio do calor o corpo aquece
Tristeza também traz inspiração
E o ultimo mesmo assim ser campeão
A insônia só lhe faz adormecer
Na duvida o motivo a entender
Que a certeza pra nós esta oculta
Dois amigos vivendo numa luta
Em busca de um espaço pra viver.
Galdêncio Neto
Águas do querer
Você me disse
Pra não brincar com fogo
Que podia me queimar
Também falou
Que a vida é um jogo
E pra vencer
Tem que se saber jogar
E disse vai
Tira o brio da poeira
Prele num empoeirar
Tudo que sobe desce
E vento que venta aqui
Certamente venta lá
Só não me disse
Que meu peito é de pedra
E as águas do querer
Com certeza iam furar.
Galdencio
Minha terra
Casa de taipa
Gambiarra na parede
Uma gaiola numa ripa
E um menino numa rede
Radio de pilha
No terreiro um cantador
Do lado uma capela
Com o santo num andor
O que preciso
Na bodega encontro lá
E la perto tem um campim
Da até pra nós jogar
Levo essa vida
Sem eu ter nenhum vintém
Mas não troco minha terra
Por capitá de seu ninguém.
Galdencio
Morena(Musicada por Liozipio)
A faca na bananeira
Riscou meu nome e o teu
Crendice ou maluquice
Pra mim foi Deus que escreveu
Naquele dia, morena
O martelo pra gente bateu
Morena tu num me deixe
Que eu a ti sou fiel
Tu és pra mim um pitéu
Daqueles que todos cobiçam
Porém me dá uma preguiça
De crer nos óios teu
Que tu de mim esqueceu
Que tu num mais me colora
Tu deixa de tua demora
Que homi pra tu só tem eu
(Galdencio)
Mestre Poeta
(Ao Mestre Liozipio)
Eu sou um fruto
Cultivado no nordeste
Me torno cabra da peste
Com quem taxa o meu sertão
Terra mais linda
Eu ainda num conheço
Neste solo enriqueço
Como é bela a floração
Na terra santa
O que se planta aqui se cria
É o milagre a invernia
Misturado com o verão
Mestre poeta
Se tornou um dicionário
E mandou mudar o cenário
E a bandeira do sertão
Cenário este
Que agora não se muda
Minha gente não se iluda
Não há seca no sertão.
Galdencio
A arte de Deus ao poeta
Que a mim o senhor emanou
Na noite
Posso ser luz
Na ida
Sou nostalgia
Da musica
Eu sou a letra
No mundo de Deus
Sou a cria
Na arte
Sou criador
Por propagar quem amou
De forma nada seleta
Na arte de Deus ao poeta
Que a mim o senhor emanou.
Galdencio
Educação de Matuto
Seu doutor eu sou matuto
La das bandas do sertão
Nunca fui numa escola
Mas eu tenho educação
Minha escola foi à vida
Diferente dessa sua
Conheci o sofrimento
Ele vivo em carne crua
Meu primeiro ensinamento
Foi com um mestre sabiá
A caneta foi meu dedo
A esponja um trapiá
O que sei oh seu doutor
Conheci lá no roçado
Num almoço quando vinha
Aprendi dizer brigado
Nessa escola seu doutor
O senhor não é formado
Se quiser eu ignoro
O que o senhor mostrou a mim
E a educação de um matuto
Eu lhe passo um bucadim
E o senhor doutor aprende
Pra depois cuidar de mim.
Galdencio
Infância de Menino
O riacho que deságua
No meu peito traz saudade
Do meu tempo de menino
Ate minha mocidade
Quando eu era criança
Sob a luz do candeeiro
Pra ficar com as menininhas
Me sentava no terreiro
Pra puder contar estrelas
Tomar água de cabaça
Escutar cantar de grilo
E comer beiju de massa
Pra comer beiju de mãe
Com café quente e fresquinho
Que dava pra todo mundo
Mãe partia direitinho
Num falhava uma só noite
A gente naquele cantinho
Toda noite inda me lembro
Da pureza La de casa
Da infância de um menino
Que marcou como com brasa.
(Galdencio)
Sertão Chovedor
Essa noite quando deitei
Sem querer sonhei dormindo
Que em meu sertão vinha vindo
Água e muita fartura
E minha terra que é dura
Começou frutificar
E um verde lindo brotar
Num novo sertão chovedor
E um curió cantador
A mim começou mostrar
Da terra a coisa mais linda
O dia que a seca se finda
E que não mais vai voltar
E com um toque mais que sutil
O João de Barro faz sua casa
E a minha alegria extravasa
Com um Beija Flor sobre o rio
Mas pra acabar com o meu brio
O sol queimou o meu rosto
Trazendo um acordar com desgosto
Dum sonho que foi o mais lindo
Do meu sertão chovedor
Que sem querer sonhei dormindo
Galdêncio
Linda Flor
Só a força do amor
Conseguiu trazer você
Que é pra eu puder te ter
Pra ninar meu coração
A certeza de um amor
Trago em minha devoção
Sou devoto de Luiz
Padre ciço e lampeão
Linda Flor tu és real
Me assombra tua beleza
Teu olhar celestial
De menina tens pureza
Se pudesse eu voaria
Pra pertinho de você
E querendo te querer
Pra contigo eu ficar
Tu comigo és completa
Nem artista nem profeta
Nosso amor vai decifrar.
Galdencio
Coisas que inventei de inventar
Inventei de inventar um invento
Certo que seria estrela
Não passei de ser jumento
Inventei um tal de ficar
Era só agarra, agarra
Era só se esfregar
O invento foi tão bom
Que danei-me a inventar
E inventei o tal do namorar
No namoro era melhor
Era mais que agarra, agarra
Era mais que esfregar
O que queria podia
Só carecia lhe falar
Foi o melhor invento
Que inventei de inventar
Não me dei por satisfeito
Inventei de me casar
Acabou-se a liberdade
Junto com felicidade
Comecei a me lascar
Hoje triste e infeliz
Intriguei-me do juiz
Que ajudou me condenar
Também não falo as testemunhas
Pois se fossem meus amigos
Eles também não tavam lá
Se culpado já paguei
Mas se a culpa for do padre
Ele também vai me pagar
Dos inventos que inventei
Entre eles este é o rei
No pior do inventar.