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LIO DE SOUZA.
SERTANEJO DAS CAATINGAS DE CARNAIBA-PE.
A MUITO NA LUTA DA ARTE, E VIDA.
CANSADO, POREM COM RESISTÊNCIA, E LUTA.
quer saber quem eu sou?
durma à sombra de uma árvore,
leia um bom livro e faça poemas,
viva poesias,
cante uma "moda",
toque viola,
lá estou!!!
Em baixo do sol e da lua.
Tem um verde tapete, criado por deus destruído por nós,
Tem um monte de lençóis,
Brancos, feitos mode nós pisar
Tem uns bicho a andar,
Sem rumo sem destino,
Tem outros bichos feitos de lata,
Tem gente de alpercata,
Tem um monte de meninos.
E esses meninos,quando ficam grandes fazem maldades
Sai daqui, vão pras cidades,
E das cidades voltam praquí,
Pulam muros sem pedir,
Permissão aos seus donos,
Procuram , por mães e pais,
Choram por não ter mais,
Vivem no abandono.
Em baixo do sol e da lua,tem amor!
Tem um monte de doutor,
Que mandam nós votar,
Sem ser preciso acertar
Na tal votação,
Tem puta pedindo carona
Tem madame feia chorona
Tem coroné,tem patrão.
Em baixo do sol e da lua,tem jogador de futebol,
Tem arte, tem besteirol,
Tem cantador de viola,
Tem cego pedindo esmola,
Tem poesia e tem poeta!
Corre ladeira à cima,
E pra rimar sua rima,
Alterando a sua meta.
Em baixo do sol e da lua, de deus tem a mão,
Tem seca no sertão,
E um povo guerreiro,
Batedor de ferro , é ferreiro
Bebedor de água , é cacimba,
Tem carro de boi e carroça,
Tem gente que vive de roça
Fazedor de menino, é bimba.
Por isso digo com certeza,
Em baixo do sol e da lua, tudo é uma beleza,
Tem muié de salto alto,
Tem cabra ruim no planalto,
Tem inté uns que são meus,
Tem igreja, e rapariga
Levante os oi avista,
Tudo tem a mão de Deus.
LUA CHEIA.
Lua cheia vem cá pra mim, alumiando o meu caminho.
Sordade dela meu peito tem
Sei que não vem me acalentar.
Os vento traz o cheiro da poeira
Das catingueiras do meu lugar.
Sebastião me falou
De uma pescada no pajeú,
Ajeita as traia e se mandou
Morreu nas águas, sem ir ao sul.
Relampeando lá no poço da cruz
Onde só Jesus tem pena de nóis,
Me alembrando de mãe cutia
que outro dia me fez nascer.
Sordade dela me encontrei
Em uma noite tanto me virei
Na cama dura da existência
Sem paciência.
Vortei pra cá.
Pingando água em riba das telhas
Vendo as abelhas fazendo mel,
Tentando ver uma saída
Desconhecida,
Rumo ao céu.
MÃE PRETA.

Mãe preta.
(a pessoa mais cheirosa que já conheci)
Mãe preta. (a pessoa mais cheirosa que já conheci)
Era tanto cafuné que mãe preta me dava, e ainda falava
Fio venha cá,
E eu sem parar, no colo dela dizia,
Mãe preta me benzia,
Me fazia naná.
Mãe preta tinha um cheiro que ainda hoje sinto,
Foi por ela que não minto,
Das estórias que contava,
Me abraçava, com tanto conforto
Me ancorava em seu porto,
E nada me cobrava.
“Pequeno polegar”, “azeite senhora vó”
“Lobisomem”, e “João chicó”
Que eu tanto escuitava,
Mas, mãe preta me traiu!
Foi embora e partiu, foi ao céu e subiu
Sem perguntar se eu deixava.
Um abraço.
Senti um aperto quando ela foi embora
Me dizia não demora, mode a minha solidão.
E eu contente pensando ser verdade,
Fiquei cheio de saudade, com dor no coração.
Não teve abraço, minha amiga teve não!
Sei que demora, por favor, faz isso não.
O meu desejo era rever a sua fala,
Porque tu cala
Nesse jeito desumano,
Só uma sombra de tu já me consola
Por favor, não vai embora!
Desenrola desse pano.
Cadê o abraço meu amor, diga cadê,
Um monte de você por aí eu vejo tanto
Se tu não volta, choro feito um maluco.
Vou até o Pernambuco,
Procurar um bem-querer.
QUEM TEM MEDO TEM UM
A ESPINHA DO PEIXE SE ENGASGOU,
COM A GOELA DE UM VELHO CANOEIRO,
DISSE ELE EM MONTEIRO,
QUE ERA PERNAMBUCANO
QUE OS VERSOS DOS CIGANOS,
SE MISTURAM COM O MOXOTÓ
SAI A POEIRA ENTRA O PÓ,
NO VERSSADO SERTANEJO
CANTIGA DE GRILO, E PERCEVEJO.
SÓ SERVEM PRA QUEM TEM DÓ.
ATIREI UMA PEDRA NO TOTÓ
ELE SAIU POR AÍ MIANDO,
SENTÍ SER, UM DE UM VELHO BANDO,
DO CANGAÇO CATINGUEIRO,
NEM PRECISAVA DE DINHEIRO,
MODE EU MORRER DE FOME
QUEM TEM UM, TEM NOME.
E QUEM TEM MEDO TEM UM
EU OUVÍ UM ZUN, ZUN, ZUN.
UM TAL DE COME NÃO COME
VOU FAZER TRANSPOSIÇÃO
DO JEQUITINHONHA, PRO PAJEÚ.
BEM QUERENÇA PRO VELHO CHICO
(ODE AO RIO SÃO FRANCISCO)
DORME, RASGANDO AS ENTRANHAS DAS SERRAS DOS GERAIS,
SERPENTEIA NA BAHIA
DOS MONTES PASCOAIS,
ROUBANDO-LHES ALMAS E FALAS, DOS CUSTUMES DOS ANCESTRAIS.
ALIMENTO E POESIA QUE UM DIA SE FORAM.
UMA BEM QUERENÇA PRO VELHO CHICO
ALIMENTAS QUEM TE ALIMENTOU, DIZ UNS VERSOS PRA QUEM TE CANTOU,
POIS ROGO EM PRECE, DE MÃE REZADEIRA,
UMA MULTIDÃO DE MÃOS BRASILEIRAS
CLAMANDO EM DOR, O POVO DO SERTÃO.
ACORDA, POIS A TUA QUERENÇA, É UMA BEM QUERENÇA,
INVADE OS DESTINOS, POIS NESSA CRENÇA,
TRAZENDO EM SUAS ÁGUAS, O BEBER E O PÃO.
DE PAJEÚS E MOXOTÓS FOSTES ALIMENTADO.
FOI BEBENDO NA FONTE DE RIOS E RIACHOS,
QUE A VIDA SE FEZ VIDA, NAS TUAS ENCHENTES,
COMO UM DEUS, DA UM RUMO NESTA HISTÓRIA,
TRAZENDO DE VOLTA COM FORÇA E GLÓRIA
ENCHENDO DE NOVO OS SEUS AFLUENTES.
E ROGANDO NOS PÉS DA SANTA NATURA,
SALVANDO UMA ESPÉCIE E SUA BRAVURA, GALOPANDO TÃO FORTE, COM DESTINO AO MAR.
Caatinga
Angicos, jurema, cactus, riacho dos campos aroeira,
Rio pajeú, oitizeiro, cajarana, jatobá, carnaubeira,
O que é isso? nunca vi, sei lá.
Liga não vai passar.
Era uma tal de caatinga sertaneja,
Que existiu no sertão
Mas, do homem veio a mão
E acabou essa peleja.
Que maravilha é a areia que ali brota.
Pros vendedores dão uma nota,
Como ficam felizes,
Deixando cicatrizes,
Ta aberta à ferida,
Água para que?
Todo dia vai ter,
Engarrafado por aí, vidas!
Vida pode ser de gado pastando,
Uma multidão se juntando,
Em um amontoado, de cabeças,
Sábado, domingo, segunda e terça,
Qualquer dia da semana,
Implorando por verdade,
E morrendo de saudade,
Agonizando em uma cama.
PÓ DA VIDA.
Dei um chega à tristeza, sacudi o pó da vida e fui à guerra,
Conheci as dores dos amores vencidos, e os mistérios da,
Saudade sem fim.
Engoli a poeira que levantou da terra, um bom cabrito não berra,
Por isso hoje, estou aqui,
Juro que por aí, também joguei minha bola,
Pulei o muro da escola, pra tomar banho de rio,
Falei da vida com as estrelas, acendi minha fogueira pra esquentar,
O frio,
Abri uma garrafa de esperança, admirei tua dança tão sensual,
Pra mim.
E DEPOIS DO PRE-SAL?
E LÁ VÃO ELES CUTUCANDO A TERRA SEM DÓ
EM UMA CORRERIA ALUCINADA AO PÓ
QUE A SANTA NATURA RECLAMA,
TIRANDO DO SEU LEITO POR FENDAS
E A SANTA MAINHA DE LENDAS
MERGULHANDO TODOS NA LAMA.
EM UMA LAMA REALISTA, SÓ NÃO VER QUEM NÃO QUER,
FAÇA O QUE QUIZER
A LAMA CONTINUA,
TIRA FERRO, FERRO BOTA,
CADA UM COBRA SUA COTA,
E DEIXANDO MAINHA NUA.
E MAINHA NEM RECLAMA, COMO TODA MÃE É SANTA,
ENROLA-SE NUMA MANTA
PRA DEFENDER A CRIA,
DO FUNDO DA TERRA O LAMENTO
POIS VEM O ESQUECIMENTO
NUMA DUCHA DE ÁGUA FRIA.
FRIA, GELADA COMO A MORTE,
TRAZENDO SABE LÁ SE POR SORTE
UMA ESTÓRIA QUE NÃO FAZ MAL,
E QUANDO A CASA CAIR?
O QUE SERÁ QUE VAI VIR,
DEPOIS DO PRÉ-SAL?
BY. LIOZIPIO DE SOUZA
EU E ZABÉ.
SAIU EU E ZABÉ, CORRENDO MUNDO AFORA.
PENSANDO NÃO É HORA
MODE NÓIS SE APARTAR,
ZABÉ DIZENDO ME AMAR,
NA CERTEZA DE UM AMOR TÃO INFINDO,
E EU TÃO TRISTE, MAS, SORRINDO
QUERENDO O MEU PECADO SEM FIM,
PEDÍ A ZABÉ, POR MIM,
SE ESQUECIA QUE ELA TAMBÉM QUERIA
QUANTO MAIS ZABÉ PEDIA,
MAS, EU DIZIA SIM.
A MINHA ZABÉ, NÃO ERA A DE “BURRA CEGA”
ELA ERA A MINHA ZABÉ,
ERA UMA FULÔ DE COISA LINDA,
CORPINHO DE VIOLA
JEITINHO SAFADO,
FICAVA SEMPRE AO MEU LADO,
NÃO NEGAVA A MINHA ESMOLA.
É, MAS ZABÉ SE FOI,
CANTOU EM OUTRA PRAÇA
DEIXOU SÓ A DESGRAÇA
E EU, COM JEITO DE BOI,
VEM ZABÉ, TU TA PERDOADA
ISTO NÃO EXISTIU, NINGUÉM FALA NINGUÉM VIU
TU NÃ VAI FICAR FALADA,
MODE NÓS SE AMAR, EU FAÇO QUINEM O DOUTOR.
DOU UMA VOLTA NO MUNDO,
DEIXO ELE NO MAIS PROFUNDO
SENTIMENTO DO POVO.
CARREGO TU PRA MIM
E PRA ESTORA TER FIM
NÓIS FAZ AMOR DE NOVO.
FOI AQUI
FOI AQUI QUE VÔ E VÓ FORAM FELIZES
QUE RAMIFICARAM TODA NOSSA EXISTÊNCIA
QUE PAPAI CORREU QUANDO CRIANÇA,
FOI AQUI.
SIM, FOI AQUI.
DIZIAM SEMPRE, QUE UM DIA TERIAM QUE SAIR DALÍ,
POIS ALÍ NÃO ERA LUGAR DE SE VIVER
POIS ALÍ ERA O FIM DO MUNDO
NÃO DA NEM PRA IR À MISSA, DO DOMINGO!
FOI ALÍ.
JÁ MUDA TUDO, HOJE, ELES OBSERVAM DE LONGE.
COMO SE TUDO AQUILO, FOZEM SUA VIDA.
TRANCADOS EM UM QUARTINHO QUALQUER
RENDIDOS A UM APARELHO DE TELEVISÃO,
E NADA MAIS!
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Meu abraço
Galdêncio Neto
Um abraço, mano meu. Mas mande logo esta tal placa e manual.
ESTOU NO AGUARDO
COMIGO ESTAR TUDO BEM NO MAIS TENHO CURTIDO SEU MAIS NOVO TRABALHO, CONTINUA COM DEUS ABRAÇO.
meu abraço
Galdêncio Neto
Vim visitar. Mas to sempre avuando por aqui.Doida pra arrumar aquele desacerto de HTML ali em cima...abaixo do Eu como poeta.
O poema demais de lindo.
Tua visita preciosa.
"Em tudo a mão de Deus
nos meus nos nossos
sonhos teus"
bjoss
bye bye lio
no skype, mas não tá
:(
se pecisar mexer....metricar....suprimir....repartir...partilhar.... faça
beijares fartos
Morna
Interno e sem vontade de sair
um passarinho faz seu ninho
num barquinho,
o gato enroscado
aquece o computador
a noite espreita a costa
e
de olhos no mar
Maria Barba d"ja brava
uma cantiga de amor
um carnaval
como tantos outros
outro ano começou
Arlequim
Pierrot
revoando
gaivota pescando
mergulhando
por baixo e razante
um azulão
passa voando
desajeitado e belo
no bojo
uma serenata
feitiço dos mais sinceros
Tatiana Cobbett
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