Amigos Queridos, vejam a matéria bacana que o Sonekka escreveu na revista Ritmo e Melodia do querido Antônio Carlos, sobre a nossa conquista em São José do Rio Preto...conquista essa que começou aqui dentro do Caiubi!
FEM 2009 Indizível leva prêmio de Melhor Canção de São José do Rio Preto
http://www.ritmomelodia.mus.br/colunistas/sonekka/09_encontroseparcerias.htm______________________________________________________
VELHAS HISTÓRIAS*
Outro dia a gente brinca.
Faz de conta que a nota
nem existe. Vive o silêncio,
Dilata a alma.
Outro dia a gente trinca:
vidraças, calmas e retinas.
Faz de conta que a canção
é uma porta: abre e se encontra.
Outro dia a gente monta
a velha história...
Faz da rima uma invenção
que nem se nota.
Do violão uma poção de
mil acordes.
Outro dia a gente se acha.
Perde um bocado e acha
graça. Faz do vazio um prato
cheio e canta as dores divididas:
meio a meio.
by Lu _____________________________
INSPIRAÇÃO*
Quero nascer todo dia
rasgar silêncios contidos
Deixar minar dos meu poros,
quantas vertentes, ouvidos
Quero tremer de ternura
Deixar tingir minha pele
Manchar de azul a brancura
brincar vermelho no cerne
Quero chegar a tal ponto,
que o ponto seja a sutura.
Romper amarras, cansaço
Vibrar nas cordas do abraço
E depois de toda canção,
vestir-me da criação...
Despir-me perdão, vou além
Saindo de cena... voltar
Tremendo de amor...me entregar
Plantar silêncios no olhar.
bY Lu
__________________________________
PACTOS*
Prefiro o abstrato
pensamentos manchados
de sol, meus casulos dourados
Visito as luas vazias, as cheias
estão fartas de agonia...
tantos Dragões enclausurados.
Reviro a alma dos viventes,
prefiro a cor dos pactos:
Pálidos instantes de euforia.
E assim renasço do amor
imenso dos meus planos
Solto meus braços no infinito
de oceanos...
Prefiro a sorte do naufrágio.
by Lu_________________________________

NÓDOA DO UNIVERSO* (com Marco Araujo)
Voz guardada,
lua engarrafada na mensagem
que revivo.
Ninho de avisos,
sou poeta de improvisos:
não sobra nada.
Veia de amores,
vim de um lugar de
sonhadores, pouco me sei.
Pouco me resta pela
fresta da janela, raios
de afetos, luz temporã.
Voz embargada,
sol na madrugada em
que reflito, me vejo aflito:
sonho amanhã.
Mas esse nó também
é nódoa do universo.
Então perverso me faço
verso, me guardo só.
bY Lu_______________________
b>Jóia de Céu* ( com Marco Araujo)
Como a lua deixa o céu,
eu vou deixando um véu de vidro
Deixo com você tudo que é vivo
e levo comigo o que é semente
Como a criança e o carrossel,
vou além de algo silente
Deixo pra você a noite inteira
e levo comigo uma estrela de pingente.
Como a sombra levita sem pesar,
sem saber que a dor habita o seu altar,
é assim que vou partindo...
Luz colorindo o que ficou no seu olhar...
by Lu
____________________________________
INDIZÍVEL (musicado por Amanda Barros)
Alguma coisa assim, meio
maluca, quase indizível.
Alguma coisa sensível que
não caiba em pacotes.
Eu quero assim alguma
coisa pequena, que se faça um
Poema de tudo o que houver.
Eu desejo assim, alguma coisa
sem pressa que me acaricie o
Rosto, e me faça uma prece.
Eu preciso assim, alguma coisa
criança, que soletre esperança
Com a boca cheia de doce.
by Lu
_______________________________
CORPO E ALMA* ( com Marco Araujo)
De corpo e alma sempre
entregue a esperança.
As lembranças são tão
vivas do que ainda não vivi.
De corpo e alma manifesto
o meu afeto, o meu peito
tão discreto em batidas
desmedidas, soletrando
uma emoção.
De corpo e alma vou trilhando
meu caminho, procurando nos
atalhos um resquício de razão.
E desse jeito, sem ter jeito e
nem receita, vou correndo os
quatro cantos, procurando um
coração...
by Lu_____________________________________________
TEMPO CONCRETO (dueto Hélio Pequeno e Luciane Lopes)
A cidade se afastava para longe
nas ladeiras, a me olhar tranquila
deslizava ao caminhar das pontes
e das pedras; nas esquinas
namoradas, e o vento em brisa
passeava a mão por entre as vilas.
Os meus sonhos tão perdidos nos
andares, minha sombra negritando
os pilares...Por onde é que eu começo
agora?
Por que a demora desse por- de -sol
no gargalo da garganta...
Por que a sede é tanta nos arrebaldes
das canções?
Faz um tempo que meu canto alumia
o caminho, vim buscar meu bem querer
pelas ruas, vou seguinto o fim do dia
porque o tempo não me faz te esquecer?
Porque o tempo é algo duro de roer...
e a lua da cidade faz teu rosto aparecer,
nos canteiros encantados, nos prédios
inacabados, tem sempre algo vivo de você.
by Lu e Pequeno_______________________________________
DESMARAVILHAS* ( musicada por Cardo Peixoto)
Ela falava sobre o belo,
dizia sobre todas as tolices:
sobre castelos e crendices.
E quem a visse acreditava
que ela amava mais do que
sonhava.
Ela arfava sobre um muro,
de ruínas ruins e doces.
E quem é Alice sem seu país
de maravilhas...
E quem é ela ..se ela sempre
dorme sobre ervilhas:
Acorda torta,
a corda sempre arrebenta
do lado que a dor aguenta...
Ela morava sobre o vão,
tinha sempre um camaleão
de cores belas, tão surdamente
amarelas que berravam em seus
ouvidos.
Ela reinava sobre o anonimato,
buscava quem de fato fosse vivo
feito era, feito Eva, feito ela...
by Lu_________________________________________

DELÍRIOS DE PAPEL*( com Marco Araujo)
Navios não me encantam,
vou soprar meu barco de papel.
Amansar as ventanias,
Fazer orgias de origami
Largar o leme e ser contente:
Displicente, simplesmente.
Ah, hoje eu vou amassar
os meus papéis...
Amar bonecos de jornais,
Voar no cais desse deserto.
Portos são portas...
Fechaduras tortas demais.
Prefiro as janelas, as cores
frias e amareladas de sol.
E nada rima com a gota
que me escorre pela face.
Deixo assim, só pra que você
disfarce e cante meus delírios
de papel.
by Lu
________________________________________
PAUSAS E VERSOS* (Hélio Pequeno e Luciane Lopes)
Do seu olhar vem o céu
e um verso que se agita
encabulado, ele grita
e eu transbordo de dentro de mim.
E nesse grito chego primeiro
Deixo as nuvens querendo
chover. Prever é mais fácil...
Dolorido é se afogar.
Do seu olhar vem o parágrafo:
Pausa pra dizer que o verso
é forte, feito vento de morte
Do seu olhar vem o oceano
e um pavor que me habita
o passado, e um plano
transforma o seu verde em carmim
E a rima é irmã da vida...
Então eu fecho a ferida,
Te dou guarida e até o fim.________________________________
PELOS ASTROS*
Eu renasço e o dia nasce
bem no meio da tarde.
O sol arde em meu rosto,
Reina em mim um astro.
Eu renasço e a noite canta
engolindo sonhos carnívoros,
Digerindo meus ídolos como
se fosse mágica.
Eu pedaço, e você se espanta
com esse mantra de amor...
De repente é único renascer
de outras ostras de coração
indolor...
Pulsa artérias e veias que eu
nem via mais, mora em mim
um oceano inteiro de sangue
brejeiro doendo de paz...
by Lu
_________________________________________
EU DIGO SIM* (musicado por Marco Araujo)
letra: Luciane Lopes e Marco Araujo
O mundo é tão pequeno
quando eu penso em fugir
parece até me engolir
pelas beiradas.
E as madrugadas são densas
como deveriam,
e as danças são lentas
e cantam dentro de mim
Eu digo sim, sem perceber.
E saio de mim por querer.
As falas são tensas
e não sabem calar
bêbadas sílabas cruas
respiram nosso ar.
E o mundo não muda
se fecho as janelas
Se pinto aquarelas,
na cama reclama me decifrar ____________________________________
LEGADO*
É preciso ter coragem,
amor nos olhos e decisão
nas paragens...
É preciso ter calma,
ou qualquer coisa que
grite sem medo.
É preciso fazer do segredo
uma canção em assovio, para
que todos ouçam o que ninguém
viu.
É preciso ser mestre e criança:
Chover na estiagem e sossegar
na bonança.
É preciso dar mais um passo,
Adornar com laços e abrir o
presente.
É preciso haver sentido...
Na cor, no som, no gemido.
É preciso voar sem temer
a queda, Ter sonhos de aço
e a doçura da pedra.
É preciso saber esperar!
by Lu______________________________________________________
NAQUELE DIA ( musicado por Marco Araujo)
Naquele dia eu senti
que seria doce ficar.
Que seria tanto despir,
O que o tempo tenta
voar...
Naquele dia eu ouvi,
que amaria até doer.
Que seria segredo sorrir,
o que dentro saliva em chorar.
Naquele dia aprendi,
que te olharia até dormir.
Que seria eterno tentar,
o que boca teima em fugir.
Naquele dia menti,
o que os olhos tentam gritar.
Em tuas mãos eu senti:
o que arranha tanto explicar...
Naquele dia fiz manha,
cantei até te expulsar...
E a vida assanha a garganta,
e o amor tenta curar...
by Lu
_____________________________________________________
INSOLÚVEL* (música: Irineu de Palmira_letra: Ana Paula Fumian & Luciane Lopes)
Mudei tantas vezes de direção
Virei esquinas sem saber na contra mão
Corri mesmo estando parada
Pisei no medo e abracei a solidão
Vi tantas vezes o certo brincando de errar
Fugi tantas outras querendo ficar
Virei o meu direito do avesso
E misturei minhas páginas invisívéis
Com seu jeito estranho de amar
Plantei sonhos em vasos pequenos
Colhi demoras nesses dias morenos
Tentei te esconder nos meus vãos,
tecer suas dúvidas rimadas a mão
Mudei tantos versos inacabados,>
te entreguei meus lábios molhados>
encharcados de razão
E agora te olho bem perto,
seca a boca... o tal deserto
que alguns chamam de ilusão. -------------------------------------------------------------
SONHOS DE VIDRO* ( com Marco Araujo)
Nada é aço por ser momento
E o silêncio foge inevitável
Frestas, gavetas, gaivotas.
Somos feitos de notas imperfeitas.
Nada é aço por ser verdade
O amor é esparso por espaços
Cantos de sereia, castelos de areia.
E num sopro... o sonho é de vidro.
E nada é aço por ser eterno.
O papel leva recados, mas a tinta
um dia termina...
E o tempo é o perito que examina.
E o ácido dilui palavras doces,
como se não se importasse
com o que a boca pedisse
e os olhos implorassem.___________________________
TRAÇAS E RISOS* (com Ugo Castro Alves)
Eu acho que falo sério
quando tenho medo.
E que rabisco meu
peito com a ponta dos
dedos, na intenção de
cortar.
Talvez o mal pela raiz
ou todo amor que se quis,
alimentar.
Mas o peito é farto e a
sanidade é pouca.
No porão meus arautos,
guardam um farto acervo.
E talvez nem sirva
pra traçar qualquer plano,
e talvez nem sorte pra sanar
qualquer dano.
E dane-se as traças, as graças
desse riso louco que se mostra
branco, mesmo que seja pranto
mesmo que seja rouco._______________________________
DOÇURAS*( musicado por Marco Araujo)
Com doçura arranco o
peso das tuas costas...
As estrelas postas sobre
o teu criado mudo.
Com doçura arranco o
beijo da tua boca.
A moldura dos teus olhos
cabe em mim de tão sutil
Com doçura deito-me no
rio das tuas noites.
Clareio sem pudor as
nossas peles, ouço
o frescor das nossas febres
Em silêncio, nos amamos
em clarões.
___________________________________
SALINAS DE SOL(Hélio Pequeno e Luciane Lopes)
Então se a vida
tece a malha cristalina
vinda do céu, do sal do mar e da retina
Reparte a luz que sai do olhar dessa menina
matéria prima de amores ancestrais.
Então se queres mais grita
bem alto...corre descalço
no chão florido desse peito
Reparte a tua parte mais
perfeita, enfeita o céu do
azul que dança, então se deita
És a eleita
e não há outra mais bonita
Quem habita os pensamentos meus?
Se for por ela, então derramo
meus encantos e tiro dela todos
os sonhos de Morfeu
________________________________________
BUQUÊ DE PRAZERES...(Hélio Pequeno e Luciane Lopes)
Flores que mal
Decidiram nascer
sussurraram-me tanto aos ouvidos
Tantos olhos para ver
O olfato, em você
meus sentidos
Flores azuis
Luzes do amanhecer
Banharam dois corpos vencidos
Como pode esquecer
Do amor, do prazer
Dos gemidos
Flores de bem-me-quer,
mal me quiseram vestida,
Levitaram a bel prazer
as nosas mãos tão distraídas.
Flores de Lis, licor de anis
sobre os nossos lençóis e
as nossas bocas misturadas
e as nossas sombras a mão
pintadas...diziam mais
sobre nós
Afinal
O que vamos fazer
Se morrer nosso amor, eu duvido
Que eu possa esquecer
Do buquê de prazeres vividos.