Clube Caiubi de Compositores

Maria Flor! Feminino
São Paulo
Brasil
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Rabiscos...Escrito a Lápis


Meu labirinto ficou sem saída por todos os lados.
Estou enclausurada e não sei como alcançar
a luz o fim do túnel.
A sensação sorrateira da dor que calaria a alma
me carrega lentamente,
e eu vejo sombras que brotam infinitamente
das paredes brancas do quarto.

Às vezes, é estranho, carrego as dores do mundo comigo,
tenho saudades do que nunca serei ou me detenho
em coisas fúteis que jamais trarão qualquer momento
brilhante à minha existência.

Estranho constatar que ao acordar
quero continuar dormindo,
esquecer a luz do sol e me voltar para as sombras cerebrais,
para o frio dos meus neurônios que se entrelaçam
em correntes infinitas.
Estes traidores me povoam a mente!

Até mesmo uma das coisas que mais amo
está me deixando angustiada e sem coragem pra vida.
A literatura esgotou em mim o seu poder máximo.
Já não leio livros com o mesmo gosto,
folheio-os aleatoriamente quando os retiro da estante,
procurando neles uma máxima,
um momento epifânico que me conduza ao meu instante de estrela,
mas tornou-se tudo vazio.

Já não vejo explicações ou teorias como coisas agradáveis,
acho-as maçantes, importunas,
quase empurradas goela abaixo quando me conduzo aos estudos.
Tento produzir textos, sequer escrevo linhas!

Tenho a angústia da criação diante da página em branco.
Agora mesmo, enquanto borro a tela com estas letras negras,
enquanto sequer tomei meu café da manhã, tomo o tempo,
quero vê-lo passar pra evitar as exposições teóricas.

A literatura se resume à essência,
ao que dela sentimos.
Não quero teorias, não me venham com convicções,
com resultados,
com idéias prontas como se fossem sagradas e puras.
Quero a essência e a fragrância dos sentidos.
Preciso tanto de mim..............

Era uma vez, na luz das estrelas...

Era o tempo de sua liberdade,
E você dançava pelo éter...
De mãos dadas com as estrelas.

Era a hora de suas escolhas...
E você olhou para a Terra, e sorriu.
E desceu para mais uma jornada no mundo.

Era assim que você fazia: dançava no céu.
Mas, agora, você não se lembra disso.
E as estrelas estão com saudades.

Era tão lindo o seu vôo...
Você voava cantando e rindo.
E deixava um rastro de luz por onde passava.

Era outro tempo, em outro lugar.
Mas chegou a hora da colheita...
E você virou o bebê de alguém.

Era o tempo de uma nova vida...
E você riu, e me disse:
"Não se esqueça de mim!"
Ah, querido! Como esquecê-lo?

Era uma vez, acima do mundo e além da vida...
Quando eu fiz uma canção.
E ela falava de você.

Era uma vez, querido...
Quando um grande amor desceu em mim.
E eu dancei com as estrelas, por você.

Era no espaço, por entre os pensamentos.
Era no coração, por entre os sentimentos.
Era na canção de amor que fiz, por entre os planos.

Era uma vez...
Quando o amor fez o meu coração falar.
Era eu a menina do seu sonho.
E aquela estrela que você tanto gosta, também sou eu.

Era eu olhando-o pequeno no berço.
E, certa vez, você me viu, e disse:
“Têm um anjo no meu quarto!”

Era mais do que um sonho, meu pequeno.
E, na letra dessa canção, eu me revelo a você.
Para que você se sinta muito amado.

Era outro tempo...
E eu não me esqueci de você.
E a canção fala por mim.

Era uma vez...
Quando eu dancei com as estrelas.
Por você.
Pelo amor.
Quando eu virei menina.

Era uma vez... Quando o amor me fez escrever.
Então, algo desceu do céu, em seu coração.
E você ficou feliz, sem saber o motivo.

Era um presente...
De outro coração.
Era essa canção, por entre os planos da vida.
E, agora, você sabe: o amor é maior do que tudo!

Era uma vez, na luz das estrelas...
Era uma vez, em que te encontrei
Me encontrei.

Era uma vez...Quando eu dancei com as estrelas.
E te amei.

Foi uma vez...

Maria Flor!

Eu e meus botões...

Quantas vezes já rezei para que me fosse concedido
o dom da santa ignorância.
Ter um emprego humilde, chegar,
fazer as horinhas que me estão destinadas,
regressar para o aconchego do lar,

aquecer-me com a manta de retalhos,
beber um chá ir para a cama feliz,

pensando que aquilo é tudo
o que o mundo tem para oferecer.


Mas para que tal resultasse
tinham de me apagar a memória,

de me transformar a mente,
porque eu já vi que não é só isso.

E é então que tenho raiva do mundo.

Porque nos foi dada esta consciência?
A consciência mais pesada de todas,
a consciência de que só temos direito a uma viagem.

Uma viagem para percorrer todos os caminhos
que nos são oferecidos,

é no mínimo injusta.
Deslumbram-nos com diferentes e belos caminhos
e obrigam-nos a escolher apenas um,
quando um não nos completa,
mas não temos tempo para mais.


Como pode alguém ser feliz com a vidinha que leva?
Como pode alguém contentar-se sem olhar para lá da sua janela?
Mas também de que serve sermos “iluminados”
senão para nos sentirmos frustrados,
acorrentados, impotentes?

O mundo, qual Pilatos, lava as mãos,
dá-nos sentimento, consciência e pensamento

e depois nós que nos danamos
com este conflito de entranhas…


Maria Flor!
 

na dança da caneta, na pista de papel, o ritmo frenético da poesia...

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Caixa de Recados (42 comentários)

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Às 13:10 em 19 abril 2009, Elza Fraga disse...
Falou, lindaaaa!
Um ótimo domingo pra ti também.

E hoje tem sol!

Bitokitas iluminadíssimas.
Às 8:12 em 19 abril 2009, Elma do Nascimento disse...
Oi Maria Flor, Bom Domingo para você também. Aproveite bastante o dia de hoje!
Bjs.
Às 2:42 em 19 abril 2009, Agamenon Troyan disse...
UM PEDIDO AO FURACÃO

Tão pequena, meiga e graciosa
Seus olhos angelicais
Tornaram-me seu eterno apaixonado.

Não quero mais me enganar
Tampouco me colocar em questionamentos
Pois você é a minha resposta
Você é o meu amor.

Nossos corpos estão distantes
Separados pelo invejoso oceano
Que parece feliz por estarmos assim
Veja como suas ondas se agitam
Mesmo sem a colaboração do vento.

Contudo,nosso amor é eterno
O seu sorriso jamais se apagará
Viveremos juntos as delícias de um beijo
O prazer de uma longa paixão.

Vou pedir, implorar,
Rogar ao furacão
Para que não me impeça
De chegar até a ti.

*(Agamenon Troyan)
Às 0:06 em 13 abril 2009, tatiana cobbett disse...
valeu!! coelhadas e beijares de aleluia!!!
Às 15:51 em 12 abril 2009, Heitor de Pedra Azul disse...
Sarava!
Beijos, Maria...
Flôres!
Bjs
Thô
Às 5:18 em 12 abril 2009, Pedrão do Maranhão disse...
Salve Maria Flor!obrigada e desejo a você uma belisssima pàscoa,paz,luzes, amor ,forte abraço com carinho Pedrão do Maranhão,Alafià.
Às 12:11 em 10 abril 2009, Hilton Barcelos disse...
Belo trabalho!!!
Sucesso
Às 22:29 em 5 abril 2009, Robson Ruas disse...
PARCERIA NO CAIUBI
Robson Ruas & Liozipio de Souza
Às 14:19 em 19 março 2009, Ziza Padilha disse...
Obrigado!
Deus abençoe você .
Às 9:24 em 23 janeiro 2009, Hideraldo Montenegro disse...

pintura de John William Waterhouse


CANTATA - HUMANO CANTO


O dia convida ao açoite
das palavras que se fazem vento

Tantos fantasmas invadem o dia
que a noite só resta o silêncio

Penso nas horas
que passam como vento
e voam pela janela

Penso nas crianças que hão de vir
e nas crianças que ficaram
presas na memória

O pó ocupa todos
os espaços
e não pára de correr
pelas frestas
da mente

Na quietude
o tempo corre mais veloz
e torna-se absoluto poente

Contemplo as flores que nascem
com as horas contadas
mas que se eternizam
no tempo

Os relógios não determinam o tempo
apenas demarcam os espaços
que o ponteiro percorre
entre um ponto a outro

Já é Outono e as flores
se despedem
e os seus abraços já não são os mesmos
desde janeiro

Espero a chuva cair
e o que passa são os olhos
-vitrines que se renovam
a cada estação

As manhãs acordam mornas
e esperam aquecer
a vida
Lá fora um trem passa
como se fosse apenas cumprir uma obrigação

Mas, sabemos dos olhares que observam
a paisagem que somos
-estática?

E o gado fixa-se no solo
e cerca o território com olhares
imóveis
no espaço

E não sabem do tempo
que o corrói

Mas é absoluto em sua certeza

Só o homem dobra os passos
e esquece das estrelas no céu

As rugas fixam-se em meu rosto
e contam histórias esquecidas

A tv desvia o olhar
do espelho
e vamos surdos para encontros
programados
com máscaras e sorrisos
avisos prévios
editais
e cenas de postais

Visto minhas horas
sem disfarces
e alcanço tuas mãos
entre espelhos diversos
e nenhum beijo te acorda

Meus pés são uma farsa
sobre a estrada
e sinto calafrios
dos teus beijos
-inevitável despedida futura

Você olha para mim
sem compreender a si mesma
e escuta o canto dos pássaros
na manhã

E os pássaros cantam na manhã
e os pássaros cantam na manhã

Mas, principalmente, os galos cantam
e desafiam as incertezas

As manhãs nascem do canto
e até mesmo o galo se espanta
da manhã que se levanta
no seu canto

E, como o galo, também me espanto
mas não consigo deter este canto

E o canto perdurará mesmo quando não houver
mais pássaros nas manhãs

Os homens oferecem pontes
aos pés que não levam
a um outro ponto
do universo

As pontes ligam
apenas o reverso da perspectiva
-ir e vir é a mesma coisa
e quem vai cruza com seu futuro
na volta de quem foi

Os rios foram feitos
para nos atravessar
-batismo purificador
das águas da fala

Configuro emoções
para este momento underline
e formato lembranças ideais

Formato meus prazeres
para você
e te ofereço flores
como oferecesse pão

Visto as palavras para criar universos
-Esta é minha forma de me abrir
como canteiros que se preparam
para as abelhas
que fecundarão o mel

E ofereço para ti
estas asas
abertas para o céu
 
 
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