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O canto que tanto me encanta
(Marta Rodriguez)
Que encanto há nos cantos
Que encantam tanto a alma
Que se acalma na paz dos sons
Que vem das entranhas das matas...
Da garganta dos pássaros multicoloridos,
Do assovio dos ventos e,
Das arvores verdejantes de folhas dançantes
Às margens das corredeiras,
Nos libertando da agonia
De viver sobre a pressão de um dia-a-dia,
Que muitas vezes nos asfixia...
Que encanto há nos cantos
Que vem dos sons das quedas
D’águas cristalinas das cachoeiras,
Que nos purificam a alma,
Desencadeando nossos sorrisos contidos,
Enquanto quê: sobre elas,
Bailam majestosas, as borboletas...
Ah! Se o meu coração cantasse...
Certamente cantaria a alegria,
De estar de corpo e alma sob esta sinfonia
Embalada pela maestria da mais bela das melodias
Que em sintonia, nossas lágrimas secariam,
Suas almas libertariam sob a beleza
Do sagrado momento e contemplamento
Dos mínimos detalhes da perfeição
De uma majestosa criação essencial
À nossa alma, ao nosso viver, sob a magia
Dos prazeres gentilmente cantados
Por nossa querida e amada mãe natureza...
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A Travessia
(Marta Rodriguez)
Esperançosa, ela gera com amor o filho
envolto a um manto sagrado: “o ventre”.
Ele, pequenino e indefeso ainda não vê,
o que se passa do lado de fora!
Está bem protegido pelas paredes confortáveis,
quentes e sólidas, daquela que desde já o venera.
Ele ainda não sabe o que é o sofrer, a fome e o frio,
as necessidades e as dificuldades que terá de enfrentar,
mas sente perfeitamente as correntes de vibrações
positivas e negativas fazendo a travessia,
através do olhar daquela que se angustia,
ao registrar na memória, retratos de um povo sofrido
em busca da tão sonhada paz...
Ora é a imagem de uma criança desnutrida de mãos dadas com a mãe, rumo a um destino incerto, ao lado do pai desesperado
em passos desalinhados à procura de um novo emprego,
que aceite a sua idade avançada, ou a sua ignorância...
A de uma família feliz, no playground de seu luxuoso prédio
a brincar numa tarde de domingo ensolarado.
A de um estudante do terceiro ano cabisbaixo,
preocupado com a faculdade, que ele não terá!
A mulher bem vestida estacionando o seu carro,
e a senhora maltrapilha de mãos estendida no faról...
É chegado à hora dele, o pequenino,
fazer a tão esperada travessia,
deixando para trás a mãe placenta,
o conforto e a segurança de um mundo perfeito e feliz!
Horas passam, o dia chega ao final,
a noite atravessa a madrugada,
e a bolsa se rompe entregando-o aos cuidados
de um mundo inseguro, egoísta e desigual...
www.amorxpoemas.com
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Você e eu em um amor só nosso
(Marta Rodriguez)
Há muito tempo, os dias e noites
vem se fazendo mais lindos e perfeitos
de puro encantamento.
As noites amanhecem sorrindo
festejando o nosso amor.
Os dias trazem os raios de Sol
que rompem as cortinas do nosso leito e,
com todo o respeito,
nos banham com seus dourados raios,
satisfeitos com a nossa satisfação.
As noites bem dormidas
depois de um amor pleno e real
revigoram nossas almas e,
nossos corpos em ternos abraços
retomam as caricias
em confidências matinais...
Lá fora os pássaros festejam e cantam...
As flores dançam ao som dos nossos
sorrisos de contentamento.
Felicidade, amor e paixão
toques mágicos de mãos,
beijos e abraços apertados nos afagam o coração,
reacendendo as chamas da nossa união...
Entre os dias e as noites, nos encontramos.
Somos a versão do que existe de mais belo!
Só você e eu, em um amor só nosso...
O dia se despede
e a noite ansiosa logo vem
presenciar novamente este amor
concomitante, pleno e envolvente...
A felicidade, o amor e a paixão
nos alimentam a alma,
realizam os nossos sonhos,
e nos unem a cada dia mais, e mais...
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\um abraço.
::Tréa::
de um cristal com sono esculpi teu beijo
e da fome ancestral da cebola colhi meu riso
estavas num barco sem pétalas só um símbolo
de asas inquietava teu colo na noite sem olhos
e de ti me tomastes pelo avesso
de tua fundura onde um menino dança
de tua flor sem soluços principiei meu sonho
estavas nua e apenas o som te amava
o sol sem ruas esperava o mel de tua pressa
e por aí andavas desde que me viciei em tua ternura
ah flor de saudade água de pássaro com soluços
talvez ainda em mim resista a sombra do teu rastro
escrevi para ti um mar em forma de grito
estava em pleno abraço com o abismo
então chegaram tuas coxas de argila
dois túneis de alasbastro com corcéis famintos
mas não havia para mim senão teus dedos
a pintar de chuva os desvios do coração
não havia cor nesses versos fatigados
de ânsia e de soldados
Então alguém apaixonado plantou um
pouco de música no poema
mas não havia sequer um poema ou lago
era só uma paixão dessas viciadas em pássaros
do mesmo sexo que a música no poema
nenhum mérito de improviso
o amigo põe música no amigo
e apenas por isso a poema existe
nada em si mesmo justifica seus versos
nada só a trama das espadas
nenhuma metáfora que o valha
nenhuma invenção do vazio ou
um arquiteto de plumas
e é tão leve a perfeição que resvala
na primeira falha de tua palavra fria
tão fria que não cabe mais num rio
só sabe perseguir relógios de alma antiga
são parecidos com lágrimas encardidas
dessas com o soluço envelhecido
um dia esperam que o barco engula o nevoeiro
e possam então olhar
e compreender que o cais não tem outra porta
que amanhecer
Beijo,
Geraldo Maia
bju
Renato Giraldi
Fernando
Ogum Ogunhê
Galdencio
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