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b>Por saber... ( Hélio Pequeno / Cardo Peixoto )

Para lhe dizer meu preço
Uso linguajar estreito
Viro o nome pelo avesso
Pra não revelar direito
Minto que não tenho nome
Tento disfarsar meu rosto
Torpe, de quem parte e some
porta a fora, em pleno agosto.

E por não saber de tudo dessa vida
É que todo mundo finge se querer

Para me trancar no quarto
passe a chave, o telefone
desmaiado pela sala
cala sem dizer teu nome
Minto que não tenho nome
Tento disfarsar meu rosto
Torpe, de quem parte e some
porta a fora, em pleno agosto.

E por não saber de tudo dessa vida
É que todo mundo finge se querer

MARÉ...( Hélio Pequeno / Cardo Peixoto )

Já é hora do mar,
de recolher a água que invadiu
as pedras do farol

Já faz tempo que parti
do porto onde nasci à luz do por do sol

Logo agora que eu encontrei você
na praia, o barco ouviu o vento me dizer

Já é hora e não dá nem pra chorar
não dá nem pra dizer adeus.

SÓIS INVASORES* ( Dueto Luciane Lopes & Pequeno) Reservado para luiz MB

Que sol é esse que aparece
na madrugada acordada,
que transborda em copos
de-leite e flores noturnas
essas poesias taciturnas.

Que sol é esse que adormece
minhas pernas acelera meus
sentidos, que canta e geme
em meus ouvidos tais canções...

Que sol é esse que alimenta
minha insônia e contagia
os meus delirios, meus deleites
ramalhetes de alucinações

Que sol é esse que pensa
que é astro, rei das minhas
ilhas... enjauladas multidões.

Que sol é esse que segue
meu rastro, encalha suas
quilhas... invade meus porões.


ALIÁS (Hélio Pequeno e Cardo Peixoto)

Alias, sei lá
existem coisas que a paixão não vai dizer
Toda verdade tem mil faces
e eu não sei se sei dizer porque

Alias, sei lá
As histórias não se cansam de se repetir e no final
o sentido de onde devo
ir não sei se sei agora
embora a gente se dirija para algum lugar

Alias, sei lá
mas tem alguma coisa em você que me lembra o carnaval
mas eu não quero perguntar
Toda casa vive à espera
de um botão pra se entregar
Toda paixão reclama asas.

PRAIA SECA (Hélio Pequeno)

O canto sonso da sereia
e velhos contos prontos pra brotar
no horizonte onde a lua é cheia
e desce do céu pro mar

Lá vai secando lentamente à lida
que pinga e brilha à trilha de um varal
acostumado, enquanto morre em brisa
escorrem vento e vida no pontal

E faz de conta que a vida segue
que o tempo gira no mesmo lugar
A moça cega espera que apareça
que aconteça de alguém chegar
E lhe ofereça todo amor do mundo
e lhe convide para ser seu par

Assim a bela fica na janela
colhendo coisas lá no fim do mar...

MAIS UMA HISTÓRIA DE AMOR (Hélio Pequeno)

Confesso que acendi essa fogueira
e o fogo que queimava hoje é ilusão
Da vida, se a morte é mesmo nossa companheira
é fácil se morrer assim.

Não queira a noite como passageira
Nem pense em sumir na solidão
Eu penso que se for pra vida inteira
bastante é dizer sim ou não.

melhor tentar mais uma história de amor
Do que cantar pra aliviar a minha dor.


Alô, Alô, LEONOR ( Hélio Pequeno / Cardo Peixoto)

Leonor, não agüento mais, meu bem
o mundo é carente de paz
demais, eu preciso também

E você,
por favor,
Leonor, atenção
reclamas de tudo que tens
das contas, da situação do país.

Em Paris,
pinta o mundo ãnfan, Art dèco
Champagne, caviar e escargot
Você, Leonor, sempre quis

Mas meu bem,
Sinto muito, mas vou lhe dizer
Quem nasce pra Vila Vintém
jamais chega à Champs-Élysées.

PAUSAS E VERSOS* (Dueto Hélio Pequeno e Luciane Lopes)

Do seu olhar vem o céu
e um verso que se agita
encabulado, ele grita
e eu transbordo de dentro de mim.

E nesse grito chego primeiro
Deixo as nuvens querendo
chover. Prever é mais fácil...
Dolorido é se afogar.

Do seu olhar vem o parágrafo:
Pausa pra dizer que o verso
é forte, feito vento de morte

Do seu olhar vem o oceano
e um pavor que me habita
o passado, e um plano
transforma o seu verde em carmim

E a rima é irmã da vida...
Então eu fecho a ferida,
Te dou guarida e até o fim.


DENGOSO...(Hélio Pequeno)

O nosso carro é estranho
eu sei, mas dá pra ajeitar
De loja, damos um banho e peças vamos trocar

E esse ruido teimoso
esqueça, vamos tirar
é só trocar um twiter que nem vai dar pra notar

E é bom
trocar também caixa de ar
o estofamento e o motor
o para-brisa e acelarar que o Dengoso vai andar.
Darandê randará derê!


ESCOLHAS (Hélio Pequeno)

A vida é tudo se faz pra não trair os planos
De tantos que fizemos no bailar dos anos
insanos quanto a gente mesmo conseguia ser

Se vivemos pela parte mesmo sendo dois inteiros
de um ato inacabado, laços traiçoeiros
E esse tudo que fizemos resultou em nada?
E tudo que escolhemos no calor da estrada?

Nossos passos nos conduzem a qualquer lugar.

Se o plano que traçamos era mal traçado
se o tanto que andamos de hoje até o passado
se o beijo que não demos permanece lá

Já é tempo de saber que é tempo de viver


Heranças...(Hélio Pequeno)

Estação Piedade
para quem sobrevive
Oxalá!
que o morro tem lei,
lealdade é a verdade de lá

Barrancos bordados
de olhos no verde do mar,
na capoeira
Se chove,
no zinco, o chuvisco é zoeira
em panelas de bocas pro ar

A cantiga, a chibata,
heranças dos antepassados, Oiá!
A mandinga que cura e que mata,
ao requebro
eu me entrego nesse requebrar.

DÚVIDAS...(Hélio Pequeno)

O dia amanheceu entre páginas e musicas,
entre dúvidas que eu guardei pra mim.
Um sol brotou da terra e com ele mais
Não dava pra ver o amor pousado ali.

Um dia a mais na terra
um dia a mais para eu pensar em ti
Tudo parou pra ver você partir.

O TUMOR DE JORGE...(Hélio Pequeno)

Meu caro amigo, me escuta
O cabra quando batuta
Num deve de se avexá
Porque se ele é valente
Do tipo que faz repente
O inferno num é tão quente
Prá mode lhe aperriá

Atente pro que lhe digo
Se lembra de seus pecado?
Ocê deve de confessá
Com padre dos graduado
Numa engomada batina
Pois da cobrança divina
É raro se desviá

Na hora da anestesia
Carece de se cuidá
Pro home que bole a faca
No ato não se enganá
Se já é curto o pavio
Nem passa por perto do fio
Que pode menor ficá.

Um movimento certeiro
Do jeito que causa afã
Ocê vai tá novo amanhã
Numa facada certeira
Que passe bem longe do ôvo!
É o que espera esse povo
Inté o tal Zé Limeira.

Se tua avó fez noventa
Muito bom para o sinhô
Mas o caso da Juvência
Juro que me assustô
Mas eu guardo a esperança
Que num deve sê criança
O mardito do tumô

Agente aguarda ancioso
O retorno do patrão
Depois dessa facadela
Na imprópria região
Eu me dispeço dotô
Torcendo presse tumô
Num ser nada meu irmão.


Mistérios...(Hélio Pequeno)

O que se move é parábola
o que me comove é vertigem
na palidez da imagem
e na intimidade da virgem

O que te invade é península
o corpo todo em segredo
entre a coragem e o medo
eu sei...

Pelas Noites...(Hélio Pequeno)

Corpos girando por becos e bares
flertando, prazeres vulgares
Roda a vida gira devagar
Sambas e sombras, prazer, improviso
Luzes e cores
Bocas molhadas, perfumes no ar

Corpos suados, cobertos de cio
Passeiam por cima do fio
Da navalha, do trilho do olhar
Riscando esse chão de desenho impreciso
Risos, rumores
São loucas promessas que vão terminar

Em casos e acasos, promessas vazias
Inspiradas na coreografia
Que desenha esse sonho de amar
Em cenas, cenários, em gozos e guizos
Em roucos cantores
Colhendo aplausos no canto de um bar.

VOLTA SIM...(Hélio Pequeno)

Agora que você se foi embora,
que você partiu
o que eu faço dessa solidão?

Deixou no peito aberta uma ferida,
perdi o sentido do amor
da vida
ferido de morte no coração

Bateu lá no fundo, tão forte
e com jeito
Seti o retumbar no meu peito
e a saudade teima em me torturar

Meu coração não se cansa
e não fala, outro verso não faço, sem Clara
sou barco sem vela, vadio no mar

Mas se ela me pedir com jeito,
posso perdoar
Aceito ela de volta no meu barracão
Faço de conta que nunca houve nada
Termino até a estrofe inacabada
do samba e a mágoa que trago no coração.

SERTÃO (Hélio Pequeno)

Ai, meu deus, mas que saudade
Que me invade o coração
Da brancura e castidade da florada do algodão

Que tomava todo o campo
Que cobria a plantação
Balançando ao som das cordas do meu violão

Ai, meu deus, mas que saudade
Quando via São João
Que os meninos da cidade penduravam no balão
Que Luzia, e lá no alto parecia um lampião
Engolido pela noite, até sumir na escuridão

Ai, meu deus, mas que saudade
Da cidade, da estação
Lá no fundo ainda me invade
essa vontade do sertão.


CONTRAVERSO (Hélio Pequeno)

Eu faço um verso bordado
na brisa, embalado em paixão
que desliza entre o sim e o não
só por ser Impreciso

É contradição mas eu faço
a razão num traço
desses versos, impressos

Me livro de maus pensamentos
e sonhos estranhos
no canto é o que há de melhor

Meu controvertido poema
é o controverso do tema
que teima em me desafiar.

ANA GRAMA (Hélio Pequeno)

Quem guarda o medo
tem segredo mau guardado:
Sete vidas, um porão mal assobrado
Traga-me um presente
uma flor quem vem de longe
traga as veias salpicadas de pavor
agora, eu vou contar o tempo
quanto tempo a gente quer sonhar
Que seja desse jeito
suspeito, enquanto eu tiver
um lapso, na hora do almoço
uma virgula, o amor
é o único capaz de ser inocente
e de inocentar também.

NO CHUVEIRO... (Hélio Pequeno)

Eu compus esse samba embaixo do chuveiro
com “teleco-teco-teco” e “esquindimdim”
Enquanto a água me lambia o meio do traseiro
quem diria que meu samba ficaria assim?

Eu estava cheio de “birita” sim
e sambei, ninguém podia ver
eu sambando só pra mim
E sambei só, como um “sambeiro”
é capaz de sambar, enfim

Mas então eu me dei mal
quando o pé deslizou e eu tropecei
Mas na subida eu cantei
e enquanto eu caía
lá, de costas, foi que eu me escutei

Minha voz ficou ainda mais bonita
Quando vi, o dia ia anoitecer
e eu cantando só pra mim
E também para o chuveiro
que aplaudiu e até sorriu pra mim.

Sei que a minha história é mesmo esquisita
Mas tem muita gente por aí que faz igual a mim
Que embaixo do chuveiro
Se transforma em roqueiro
Pagodeiro, ou qualquer coisa assim...

NA PRAÇA PARIS...(Hélio Pequeno)

Na praça paris
Eu te conheci
Foi no chafariz que agente se apaixonou
Eu te convidei pra dançar sem saber
Se você me aceitaria
Mas posso dizer
Agora a você
Que eu nem queria saber nesse dia
Na praça Paris
tu foste feliz
E só por um triz ninguém nos assaltou
Mas eu estava lá pra te proteger
Seu superherói com o super poder
de fazer você chorar de tanto rir.

SÓ SAMBANDO...(Hélio Pequeno)

O sol na moleira da gente
Insiste em atormentar
É triste a vida e quem vive nesse lugar
No alto do morro um barraco
caiado, o corpo suado
sobe no seu balançar
devagar

Vou pensado em você
Todo dia, penso que será
enquanto a vida me acompanhar
E mais um passo me empurra
Pro alto, penso em descansar
Mas o cansaço é a força pra continuar

O meu amor me acena
sorrindo, vem me receber
Um sentimento assim não conheço igual
A fantasia secando no alto
sambando contente
Lembra pra gente que é festa no fio do varal

E eu vou me entregar outra vez ao meu samba
E nem quero saber se sou bamba
Eu bebo somente para comemorar
O bom dessa vida, o resto é besteira
Se acaso outra bebedeira
Eu tomar, você sabe, é pra não chorar...

SEM SAÍDA...(Hélio Pequeno)

Você pode até discordar do meu jeito de pensar
Por ser seu direito, não posso te condenar
Mas quando a gente carrega uma ferida
Aberta, deixada pela vida
É tão difícil se apaixonar
Ai, como preciso me apaixonar

Você arrancou o amor do meu peito
E deixou em mim
esse jeito amargo de encarar
A vida e agora eu vivo ressentida
Chorando, buscando uma saída
Perdida, tentando recomeçar
Ai, como preciso recomeçar

CIGANA...(Hélio Pequeno)

Você me diz coisas de mim
Tantas que eu mesmo esqueço
que ainda hoje desconheço
de sonhos que deixei ficar

Desvenda todo o meu mistério
Sorrindo, vai falando sério
Do imenso que há nesse vazio
Do frio que há em meu olhar

Me conta que a minha vida
É como aquela bela estrela
Que mesmo eu podendo vê-la
Eu posso não estar mais lá

Que vivo a minha sinfonia
Da vida, um canto terno e triste
Que empresto dor à alegria
que dentro do meu peito existe.

E QUEM SABE? (Hélio Pequeno)

Essa vida vale é nada
Pra quem não sabe lutar
De que vale ter a estrada
Se não for pra caminhar?

Tenho a alma aventureira
e mil razões pra não parar
Porque morte é traiçoeira
E vive sempre a me espreitar...

A vida é jornada, eu sei
Onde ela vai dar, quem sabe?

PROFECIA...(Hélio Pequeno)

Se queres saber
Andava meio aperreada
Com meu destino, doida para me casar
Lá na igreja, todo o povo comentava
E duvidava que eu fosse pro altar

Se queres saber
Tinha promessa encomendada
Pra todo santo, prometi que ia deixar
uma imagem de cabeça mergulhada
Num pode d’água, ainda hoje ela está lá

Se queres saber
Fiquei demais angustiada
Com minha vida, resolvi me suicidar
E nesse instante uma cigana enfeitada
Me apareceu dizendo: - Tudo vai mudar

Se queres saber
Eu tava mesmo precisada
de uma esperança, e a cigana veio dar
E em sua bola de cristal iluminada
Uma igreja se formou bem devagar

Se queres saber
Ela me disse: - Ô abestada,
Tu vai casar, porém não soube precisar
Quando seria, eu fiquei “eperançada”
Mas faz um tempo eu desisti de esperar


VAZIO (Hélio Pequeno)

Eu tenho palavras
e flores,Ideias despetaladas
Que eu saiba, somente são duas,
Muletas, eu vivo apoiada
Por dentro do breu dessas ruas

Sozinha, eu não faço sentido
Nem nada, mas isso eu duvido
Que juntas ou se separadas
Reúnam a razão de ser
Ferinas como navalha
Cortando na carne, no fundo
Não levo no peito o que valha
Em meu coração vagabundo.

LÊDO ENGANO (Hélio Pequeno)

Eu vou retirar o seu nome do meu samba
pretendo provar que não mandas
de fato no meu coração

Quando você decidiu ir embora
Bastou simplesmente me olhar
fez as malas, foi em frente

Agora eu faço esse samba, mas não faço por você
No meu sentimento quem manda
Você nunca vai saber
E...

ATMO...(Hélio Pequeno)

A porteira destrancada
balançava com a brisa
Esculpida e mal talhada
Indecisa, uma camisa
desmaiada no quintal
apontava um paletó risca de giz
Por um triz não se tocaram
com amor se entreolharam
com o tempo aquela dor criou raiz.

PONTO DE VISTA (Hélio Pequeno)

Do alto da serra
Cortada, a visão é bem mais cristalina
A pinta da onça
Pintada, as praias de amaralina
Tem cor de que cor
a florada e a flor que eu beijei?
Me ilumina, a noite é recente
Chegada, e na hora que eu viro uma estrada
Não tenho domínio, mas nada
Que eu possa encontrar me fascina
Por isso eu domino esse medo
me atiro do alto de mim
No asfalto e na serra
Cortada, a vida se passa assim.

SÚPLICA (Hélio Pequeno)

Pensa por favor
De que vale o amor
Se ele não for do jeito que a gente quis um dia?
Nada sem você me traz alegria
Na vida, eu não posso ficar

Sem o seu calor
Seu cheiro de flor
Tudo que eu queria era você o tempo inteiro
Bem juntinho a mim
Na vida, não posso ficar
Sem você, não vou deixar

Seja lá quem for
Que nos roube o amor
Não há mal, motivo, meu amor, tenha certeza
Para separar quem deus reuniu algum dia
Bem diante desse altar.

O cometa (Hélio Pequeno)

Um cometa no céu ilumina o planeta
com graça, o cometa
traça um traço de prata

Ele rasga a noite que deixa pra trás
Lá do chão a luneta
observa calada toda a sua jornada
já viu tantos iguais

Pouco importa o passado ao cometa apressado
como tantos iguais
tanto fez, tanto faz.

Aguaceiro (Hélio Pequeno) Reservado Cardo Peixoto

Eu ouvi um chuvisco lá fora
era a chuva, chegando peregrina
Enchendo a maré cristalina
esperando o clarão do luar

Que a lua viesse charmosa, inteira
Mirar-se no chão da ribeira
E trouxesse a luz ao lugar

Mas era uma noite escura
Espessa e matreira e dura
a chuva desceu a ladeira
Escorreu toda a noite a chorar.

O SONHO E A DOR (Hélio Pequeno)

A FANTASIA ENFEITANDO O ASFALTO,
COM TODA CERTEZA SONHA
QUE SOBRE UM CAVALO NÃO HÁ MAIS BONITA
QUE ESSA PRINCESA COM UM SAPO NA MÃO

DESFERE UM BEIJO E RENOVA O DESEJO
QUE O SAPO DE SEDA NÃO VÁ SE TRANSFORMAR
EM VALDEMAR
QUE LARGOU DA FAMILIA
BATEU NA MULHER , DESPEDIU-SE DA FILHA
E SE ENCHEU DE BIRITA NO PRIMEIRO BAR

ACABOU ESTENDIDO NO MEIO DO ASFALTO
OLHANDO PRO ALTO
A ESPERA DE ACORDAR, MAS...
DEIXOU SEUS SONHOS ESPALHADOS PELA PISTA
A ESPERANÇA DE UM DIA SER ARTISTA
DE CIRCO, TRAPEZISTA VOADOR, HOMEM ALADO
QUE SONHA ALCANÇAR LÁ NO ALTO
ESTRELAS, NUM TETO FURADO
MAS SE ACABOU DESPEDAÇADO
QUEM DIRIA?

ABSTRATO (Hélio Pequeno)

Daqui do pensamento
em tempo de estiagem
É só essa vontade e o meu porto seguro

Quem vai fazer o fogo se transformar em brasa
removendo a indiferença nas cinzas do passado?

Eu quero estar deitado e te queimar sem pressa
Você está distante
Escuto o teu silêncio
O mar engole a minha alma e a dose de absinto
No verde da saudade
um verso em vinho tinto
Alguma forma que ficou me traz desassossego
e faz voltar o tempo e tudo recomeça
na lava incandescente
no som do vão gemido
na dor dessa paixão avessa

A retórica do vento confunde o pensamento
tomado de aflição

Na página do tempo
a língua no palato lambe a transpiração
Do amor que por acaso é culpa da promessa
do sal que sai do beijo
veloz, mas tão sem pressa.

PALAVRAS (Hélio Pequeno)

Eu quero uma palavra que seja rotunda
aguda e contundente
Palavra que não muda de rota, profunda
diferente

Palavra que brota
da grota, do peito da gente

Palavra que vem como a dor
devagar, e não contente
em machucar
eu quero uma palavra de amor sem senão

Aquela que corre o mundo no mesmo lugar
sem saber se tem pressa
e se precisa chegar
e então...

Tão somente é uma palavra
e se espalha, espelhada
é semente, pedaço e também
um fonema, um desejo latente
um pequeno poema
que escorre dos olhos de alguém...

POR DENTRO (Hélio Pequeno)

Esquinas, veredas
Verdades vem me condenar
Sonhos guardados
Sentidos tontos, fora do lugar

Nem sei se sou o que sobrou de mim
Não tenho mais certezas ...

Saudade roendo
Nas tardes, nem posso mais pensar
Sagrados segredos
Abismos, tantos pra me convidar

Castelos, correntes
Rangido de dentes
Fantasmas e paredes ...

Nem sei se sou o que sobrou de mim
Não tenho mais certezas ...

SALINAS DE SOL(Dueto: Hélio Pequeno e Luciane Lopes)

Então se a vida
tece a malha é cristalina
vinda do céu, do sal do mar e a retina
Reparte a luz que sai do olhar
matéria prima de amores ancestrais.

Então se queres mais grita
bem alto...corre descalço
no chão florido desse peito

Reparte a tua parte mais
perfeita, enfeita o céu do
azul que dança, então se deita

És a eleita
e não há outra mais bonita
Quem habita os pensamentos meus?

Se for por ela, então derramo
meus encantos e tiro dela todos
os sonhos de Morfeu

BUQUÊ DE PRAZERES...(Dueto: Hélio Pequeno e Luciane Lopes)

Flores que mal
Decidiram nascer
sussurraram-me tanto aos ouvidos
Tantos olhos para ver
O olfato, em você
meus sentidos

Flores azuis
Luzes do amanhecer
Banharam dois corpos vencidos
Como pode esquecer
Do amor, do prazer
Dos gemidos

Flores de bem-me-quer,
mal me quiseram vestida,
Levitaram a bel prazer
as nosas mãos tão distraídas.

Flores de Lis, licor de anis
sobre os nossos lençóis e
as nossas bocas misturadas
e as nossas sombras a mão
pintadas...diziam mais
sobre nós

Afinal
O que vamos fazer
Se morrer nosso amor, eu duvido
Que eu possa esquecer
Do buquê de prazeres vividos.

“Plantio” -(Dueto: Helio Pequeno e Caito Spina)

Minha vida é meu legado
Meu poema, minha fé
Meu canteiro bem cuidado
Violetas e o meu pé
De pitangas, carregado
De esperança em minha mão
Levo a vida e meu sorriso
Não é fruto da ilusão.

Cada dia é diferente
Penso logo de manhã
Vendo toda essa gente
No pecado da maçã
Se Adão comeu um dia
Por que eu tenho que pagar?
Vou pedir a Deus que faça
O favor de pendurar.

Minhas dívidas são tantas
Que nem sei como contar
Dos desejos tô falido
Dos amores nem falar
Me sobraram os amigos
Que plantei no meu pomar
Arranquei os inimigos
Nem raiz deixei ficar

Agora só é preciso
Refazer o meu quintal
Quero ver se planto ainda
Fé que nos falta demais (essa é a correta, ok?)
E um varal de novos sonhos
Pra que eu possa te sonhar
E adubar então a terra
Com água de namorar.

Jogo de armar...(Hélio Pequeno - Reservado Irineu)

Eu fico em pedaços
em seus abraços eu me esqueço até de mim
Faço um poema em cor suave
Te ofereço a chave em meus rubros lábios
e um grito, um sensual dilema
Um teorema escrito assim:

Ainda sou sua
ainda estou nua, sou presa fácil
Mas não sou dócil
Mas não sou dócil

Sai de mim, egum! ( Hélio Pequeno - Reservado Irineu )

Essa mulher perversa
Me apressa, me estressa e só faz me atormentar
Vê se vai nessa
Confesso que assim desse jeito
sei que não vai dar

Mandei ela me esquecer
Pedi pra ela se mandar
Não dá pra se viver com ela em meu calcanhar

Não se interessa
Por nada que eu faça e só faz me condenar
Já fiz promessa
Pro santo, e pra Nossa Senhora vir me ajudar.

Começa já de manhã
Não para de reclamar
Da vida, mãe Iansã, depressa vem despachar.

Descaso (Hélio Pequeno)

Você esqueceu
extendida essa flor
Na calçada, no fim da festa

Os desejos eram todos meus
O tempo no jardim não passava
Os pesares eram todos seus
Queria mas não deu em nada

Tola naquela calçada
Fiz os versos, ninguém escutava
Eram roucas palavras
De amor, e uma flor na calçada
Da minha dor.

Tempo Concreto ( Dueto: Hélio Pequeno e Luciane Lopes )

A cidade se afastava para longe
nas ladeiras, a me olhar tranquila
deslizava ao caminhar das pontes
e das pedras; nas esquinas
namoradas, e o vento em brisa
passeava a mão por entre as vilas.

Os meus sonhos tão perdidos nos
andares, minha sombra negritando
os pilares...Por onde é que eu começo
agora?
Por que a demora desse por- de -sol
no gargalo da garganta...
Por que a sede é tanta nos arrebaldes
das canções?

Faz um tempo que meu canto alumia
o caminho, vim buscar meu bem querer
pelas ruas, vou seguinto o fim do dia
porque o tempo não me faz te esquecer?

Porque o tempo é algo duro de roer...
e a lua da cidade faz teu rosto aparecer,
nos canteiros encantados, nos prédios
inacabados, tem sempre algo vivo de você.

Que amor é esse? ( Dueto: Hélio Pequeno e Caito Spina )

Tão bom olhar pro mar e me render
Deixando o olhar pousado no infinito
Melhor poder voltar só pra te ver
deitar o teu olhar no meu olhar aflito

Tão bom poder viver pra te encontrar
Sonhando que o amor é mais que o rito
Do amor; eu vejo o céu e ouço o mar
Dizer que o nosso amor é tão bonito

Meu grito te procura, eu te preciso
Para acalmar meu peito tão aflito
Você é muito mais que um mito
É a parte que completa minha vida

E põe então final na minha sina
De achar que a solidão não tem mais jeito
Então vem me vacina e me cura,
E faz meu coração bater contente

E a gente vai viver essa loucura
do amor, que amar não é nenhum defeito
no peito, eu carrego essa ternura
no olhar, o amor da gente é o mais perfeito.

Não dá mais...( Hélio Pequeno )

Não dá mais
não se abusa assim do amor
veja você, rapaz
[Você vacilou]
Dançou, não refletiu
e agora está pedindo pra voltar atrás.

Saiba então
Não se brinca com a dona desse coração
Digo o porquê:
Chorei, ai como chorei
Por você que agora pede
implora a minha compaixão

O meu perdão
É um gesto de nobreza e só por isso não
Vou perdoar
Você mentiu
Então faça-me a fineza e deixa eu te deixar
Me devolva o meu retrato porque já não dá
Não dá mais...

"MUDERNINHA"Hélio Pequeno

Essa moça quer dançar comigo
usa pircing no ubigo
como é que eu vou fazer?

Se me engastalho e depois não consigo
o tal de pircing é um perigo
e tudo pode acontecer

Ela rebola, pisca o olho e me dá bola
tem cintura de mola, rouba-me a razão

O pircing dela
falo com franqueza
pôs abaixo a fortaleza
e me deixou no chão.

Lembranças...Hélio Pequeno

Papel de carta, rosa
seca, o selo sela
a lágrima dos olhos dela
marcas do que um dia eu vi

Fugindo da fotografia
os sonhos que não tive, agora
trêmula recordação
que o tempo não carrega assim

Se eu vivo por um vão momento
que insiste e volta pra me assombrar
Os cômodos do pensamento
melhor seria eu nem pensar...

Inominável...Hélio Pequeno

Pela televisão, na sessão vespertina
Ora, veja você, a Verdade Divina
a um preço que agora eu posso pagar

No cartão, no carnê, com dinheiro emprestado
Vale até meu apê, mas depois de quitado
Lá no céu me espera outro mobiliado
Um duplex, suíte com ar condicionado
E melhor: sem a sogra no quarto ao lado

O que dá de malandro por deus diplomado
Pregando a palavra por qualquer vil trocado
Numa igreja, onde foi um dia supermercado

Que paixão é essa? Hélio Pequeno

Vem me livrar dessa paixão
Porque meu deus
amar é muito complicado
Sinceramente agora estou
meu deus estou
Completamente amargurado

Fui entregar meu coração
por distração
Nem percebi o meu pecado
me deste em troca ingratidão e um coração
Profundamente machucado

Estava entregue à solidão
e essa paixão
Pegou meu peito descuidado
Eu só desejo agora então que essa paixão
Encontre abrigo no passado
Vem me livrar!

Se assim fosse...Hélio Pequeno

Se a vida da gente fosse
Doce, também poderia
O amargo que ela trouxe
no amor agridoce seria
Esfinge. Por brincadeira
finjo-me indiferente
mas foge-me o ar, um repente
me faz lembrar de você

A noite inteira seria dia
se você quisesse
Pudesse eu, lhe faria
um poema de amor, acontece
Que amor demais é patifaria
você me conhece...

"Peranbolhando"Hélio Pequeno

Vai lá longe
Muito além
Lua cedo
Lá no céu do mar
Onda clara vem contar
Um segredo
Tenho medo de saber
Sábia vela
Sobre a linha do horizonte azul...

Desequilibrio Hélio Pequeno

Essa moça só samba descalça
e na ponta dos pés
tem brasas, estrelas
no olhar, essa moça me quer
Ela mexe comigo e então
e remexe a cintura inteira
pra fazer o quer das cadeiras
e do meu coração
Ela traz um feitiço e se passa
essa moça é a minha desgraça
mas sem ela não vivo mais não.

Eu Hélio Pequeno

Não sou branco o suficiente
negro não sou bastante
o hiato da raça
um instante
Não sou fácil
sou indolente
e lascivo, amado amante...

Equilibrio...Hélio Pequeno

A moça na corda bamba, descalça
Precisos passos
Tem asas nos pés, segredos driblando a luz

A corda, a manhã tão clara
vermelhos lábios
Um verso que veste a gente e que nos seduz...

Meus olhos vem ver de perto
A cor dos seus olhos e ali não há
Somente uma corda e ela

Tão bela por sobre a linha
Vai caminhando e nem vê passar
O tempo que mora agora em algum lugar...

Caixa de Recados (19 comentários)

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Às 13:47 em 2 dezembro 2009, ARMANDO MARQUES disse...
AINDA BEM QUE ESTA TUDO EM CASA A PARCERIA

EU TENHO UM PEQUENO TRABALHO EM COMPOSIÇÃO QUE DAQUI UNS DIAS
VOU COLOCAR NO SITE

ABRAÇOS
Às 11:24 em 2 dezembro 2009, ARMANDO MARQUES disse...
LEGAL VOCÊ MANDA BEM ABRAÇOS
Às 15:21 em 30 novembro 2009, Marina Alves disse...
ahahahaaa... você é ótimo!!
Às 20:13 em 29 novembro 2009, Luciane Lopes disse...
SOLL, notícias fresquinhass! rss
A Amanda ouviu nosso Sóis Invasores e...gostou! :))
Acho que nossa parceria vai dar um eclipse ao avesso,
vamos sair cantarolando, tô feliz...hehehe

beijoss
Às 17:17 em 29 novembro 2009, Irineu de Palmira disse...
Salve, salve Pequeno!!!!!!
Estou por aqui, nos preparativos para um show no dia 05/12 sobre Euclides da Cunha(Canudos, os Sertões e etc...rsrs), e também para uns shows em MG.
Em breve voce terá novidades sobre nossas parcerias....segura aí!!!!

Saúde, paz, alegria e uma porção de notícias boas pra você !!!!!
“BENZADEUS....Ô SORTE”!!!!!

Grande abraço,


Irineu de Palmira
www.irineudepalmira.com
Às 21:24 em 28 novembro 2009, Elisabet Just disse...
Olha, Pequeno, sabe que adoro a música do Sakamoto, e se não me engano, ele já fez alguma trilha do Kurosawa! Beijo e tudo de bom
Às 21:59 em 23 novembro 2009, Cardo Peixoto disse...
Salve Pequeno grande poeta.
Está cada vez mais difícil chegar até teus comentários. O caminho, lá de cima até aqui, está mais longo a cada dia. Essa tua página é uma tentação pra mim, e eu estou viciando. Estou que nem o cara que vai na padaria comprar pão e retorna cheio de bala e chocolates. Eu venho dar uma olhadinha inocente e sempre saio com algo mais embaixo do braço. Dessa vez estou levando Aguaceiro. Pode reservar lá, viu?
Grande abraço, parceiro.
Paz e sucesso sempre!
Às 18:37 em 18 novembro 2009, 1/2 Dúzia de 3 ou 4 disse...
Rapaz! Faz tempo que não entrava aqui. Muito agradecidos pelo elo(ops)gio. Se você estiver na cidade de SP, entregamos o álbum na sua casa sem taxa de entrega. Pelo mesmo preço do ponto de venda R$ 25,00. Bai brigadao!
1/2 Dúzia de beijos, Thiago em nome de 3 ou 4 amigos
Às 10:36 em 8 novembro 2009, Sônia (anja) disse...
Big Pequeno!
Tu me deixa toda boba.
Que versos bonitos!
Obrigada!
bjos

:))
Às 14:07 em 3 novembro 2009, LIO DE SOUZA disse...
opa meu cumpadi, brigadão pela visita e comentário.

grande abraço tu escreve pra danar...

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