Página pessoal: http://www.linguagemviva.com.br/rosani.htmlDados Pessoais: Escritora, poeta, jornalista, publicitária, editora do jornal literário mensal Linguagem Viva, 2ª vice-presidente do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo, membro da Academia de Letras de Campos do Jordão e da União Brasileira de Escritores. Tem poemas traduzidos para o francês por Jean Paul Mestas e para o italiano por Renzo Mazzone.
Prêmios: Ribeiro Couto - UBE/RJ com o livro De Corpo e Verde, Mulheres do Mercado, da Prefeitura do Município de São Paulo, entre outros.
Livros: Poesias:
Mensagens do Momento, De Corpo e Verde e
Catedral do Silêncio.
Antologias: Paixão por São Paulo, Editora Terceiro Nome;
Poesia, Clube de Poesia de São Paulo,
Canto do Poeta, Vip Work Editora;
Reflexos da Poesia Contemporânea do Brasil, França, Itália e Portugal e
Um Mundo no Coração , coordenadas por Jean Paul Mestas, Editora Universitária de Lisboa, Portugal, edição bilíngüe francês e português;
Bresil 500 Ans e
Cahier Particulier, Jallons, França.
Poemas de Rosani Abou Adal Contemplação Presa no meu dormitório
tento dividir a solidão com o peixe
cercado de paredes de vidro.
Cabisbaixo no fundo do aquário,
absorto, perplexo, faceio,
companheiro me olha.
Quero tocá-lo e senti-lo
através da parede invisível.
Ele acompanha meus movimentos,
entende meus sinais.
Nada e nada e bóia na superfície
à espera de carinho.
Suavemente toco
suas escamas sedosas.
Ficamos horas a nos contemplar.
FERTILIDADE Caminho entre acácias, papiros,
ébanos orientais, ciprestes e alfarrobeiras.
Admiro a beleza dos falcões, águias,
cotovias e poupas.
Percorro o leito do Nilo
montada em meu camelo alado
em busca de fertilidade,
não é época das cheias.
minha taça está vazia,
preciso receber para dar,
sem trocas não semeio tâmaras.
Voamos até às pirâmides de Gizeh.
Nos túmulos de Queóps, Quéfren e Miquerinos
não encontramos a taça para me conceber.
Ela está distante das belezas de Imhotep.
Procuro o objeto de ouro
nas ruínas de Mênfis, no Colosso de Mêmnon
e continuo de mãos abanando
sem dividir, multiplicar, subtrair e somar.
Monto novamente no animal beduíno,
minha taça ferve com o sol quente do deserto.
Tenho miragens, tenho sede
e não tenho água para beber.
Mato minha sede no oásis.
Estou perto de fragilidade
e não alcanço a fertilidade.
sou uma escrava carregando pedras,
construindo tumbas e túmulos.
Estou delirando com a miragem.
Parto com meu corcunda para
a terra dos cedros, pinheiros e carvalhos
com destino à bacia do Eufrates.
Eu e meu camelo alado,
cansados e frágeis de procurar,
avistamos-te nos Montes Líbanos.
Estavas a me esperar
segurando firme nas mãos
a taça transbordando fertilidade.
Colhemos frutos e semeamos tâmaras.
DE CORPO E VERDE Incendeie minha floresta
de cabelos negros
Reproduza paisagens e ideogramas
em meu deserto purpúreo
Plante uma flor na mãe-do-corpo
Molhe minha mata
com lágrimas lubrificantes
Faça a colheita
e germine frutos
Envolva de verde
todo o meu o corpo e floresta adentro
Escreverei um poema
em tua tez
Minha língua esferográfica
digitará a primeira palavra
em teu órgão auditivo
Um soneto nascerá em teu abdome
Vírgulas reticências
e pontos de interrogação
serão traçados em teu jardim
Um ponto de exclamação
pousará suavemente
em tua selva
- O verde e corpo
emoldurarão o poema e a paisagem
Semente Plantaram o verde
no coração da
Selva Metropolitana
Uma semente nasceu:
o homem
Express City Comes lingüiça de jornal,
cachorro podre,
o famoso hot-dog,
a tabela periódica
dos elementos químicos
conservantes das latas.
Para os filhos, cacau choco
soda cáustica com açúcar
Cárie nos dentes
orçamentos caros nos dentistas
mas não faz mal
deduzes do imposto de renda.
Bebes líquidos viciantes
é uma dependência física.
Eles desentopem o estômago
o intestino é um cano de esgoto.
Fumas carteiras de nicotina
para aliviar o stress
Tomas um xarope
o pulmão cinza combina
com o céu da cidade.
LUA CHEIA DOS VAMPIROS Sou o sol que nasce nas montanhas
A neblina das cordilheiras
Sou o vento que limpa os campos
Dos vampiros, a lua cheia...
Vou te atacar com meus dentes
e tu provarás o néctar
venenoso-transcendental
que carrego comigo.
E arderás em febre...
E eu serei a febre
que te matará
Luna Piena Dei Vampiri Tradução de Renzo Mazzone Sono il sole che nasce sopra i monti
la nebbiolina delle cordigliere
sono il vento che ripulisce i campi
sono la luna piena dei vampiri
ed io ti aggredirò
con i miei morsi
e tu saprai il nettare-veleno
transcendentale
che io racchiudo.
E arderai di febbre
e sarò io la febbre che ti uccide.
Terceira Dimensão A cidade nua, sem vestes e sem verde.
São Paulo dorme acompanhada da solidão.
Nada de peixes nos leitos dos rios,
nem flores e frutos nas árvores de cimento.
O amor se fragiliza e se recompõe
entre vigas de concreto e o calor humano.
Uma cidade dividida entre
a riqueza e a pobreza.
Caviar e champanha nas mesas da zona sul
e os farelos nos pratos da periferia.
Colméias nos prédios, casas,
casebres e embaixo das pontes.
A vida em contraste se anula
diante do silêncio dos homens.
Nos jardins as mansões escondem a hipocrisia.
No centro a fome planta sementes nas calçadas.
Na Praça da Sé a Catedral pede clemência
aos homens de boa vontade
e ninguém lhe dá ouvidos.
Um garoto de olhar triste implora
para comprarem lixas de unha.
Sabe, se não vender nada, enfrentará
os olhos mudos da sua mãe ao chegar em casa.
Nas escadarias do metrô um homem
a vender dois isqueiros, oito pilhas,
duas colas ao preço de um real.
Um gato faminto come e devora
a pomba que morreu atropelada.
Na outra esquina um menino pede
um prato de comida e nada consegue.
No calçadão um senhor grita pega ladrão
e ninguém para ajudá-lo.
O policial vem socorrê-lo e não alcança
o assaltante que se perde
entre o mar de camelôs e a população.
Observo a cidade em terceira dimensão
e vejo que São Paulo ainda é
o melhor lugar para se viver.
Na frieza dos concretos as flores humanas
plantam sementes de amor
em nome da Vida.
Futuro Neon Flores brotam no coração da Sé,
a Catedral sorri em uníssono.
O chafariz ilumina e acolhe
os homens sem teto e sem fruto.
Os sonhos refazem a vida que colhe
esperanças no altar mor das ilusões.
O evangelho é proclamado
pelos fiéis no banco da praça.
Menores fumam craque e cheiram cola
em busca de um futuro neon.
As calçadas de plástico clamam em nome da paz.
Eremitas vendem sonhos nas ruas.
A Catedral da Sé, um poliedro de esperanças.
Os pratos vazios amanhecem no ventre
da cidade desvairada
e, nas escadarias, Mário de Andrade
canta Salmos e bebe Kyries.
Fome - grita alguém do outro lado.
Sede - exclama o comedor de fogo.
Milhões de pessoas a naufragar
no silêncio da melodia muda.
Ninguém escuta os filhos da mesma aurora.
Pausa - a cidade ensurdece e emudece.
A fome e a sede, as cores vivas do País.
Traduções de Jean Paul Mestas Planète Terre Tes forêts se transforment
en un désert de cendres.
Tes eaux, chlorure et iode.
Faune marine, oiseaux,
vie qui s'épuise.
Hommes inguérissables.
Fleuves, lacs solitaires,
légendes d'autrefois.
Ton proumon alteré.
Couche d'ozone,
un souffle en spire.
Que pouvouns-nous faire de toi
si tes enfants
sont en trai de mourir de faim?
Nu - le corps Lorsque les pétales se taisent
le matin s'assourdit
la rosée sèche
la brise s'eclipse au levant
la vie s'abolit dans les pleurs
inerte l'aurore murmure
le temps désaccordé se rompt
le silence crie sans espoir
le sourire aux horions fane
des piquants palpent le corps nu
des feuilles s'approprient
la langue solitaire
Silence mien et lour
accolé à ma solitude
Rosani Abou Adal est née en 1960 à São Paulo. Elle a suivi
les cours de Journalisme Publicité et Propagande à la Faculté
de Communication Sociale Cásper Líbero.
Elle édite "Linguagem Viva", journal littérarie mensuel fondé
en 1989 avec Adriano Nogueira.
Elle écrit des poèmes, contes, chroniques et histoires pour
enfants. Fecueils de Poésie:
Mensagens do Momento (1986); De
Corpo e Verde (1992);
Catedral do Silêncio (1996).
lle collabore, par exemple, à Jalons (France) e et The Poet
(EUA).
Translator: Jean Paul Mestas
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Beijabrações
www.luizalbertomachado.com.br
Beleza, além do Waldir terá aparticipa~çao de mais 3 nº musicais. Beijos.
Beijos.
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