Paulistano, o cantor e compositor Valdir Dafonseca, batizado como Waldir Wanderlei da Fonseca, começou a carreira nos anos 70, participando de shows e festivais estudantis.
Na adolescência, influenciado pelos novos sons da Bossa Nova, Beatles, Jorge Ben e graças à ajuda do pai, o também cantor e compositor Thales da Fonseca, compôs as primeiras canções, passando a estudar violão. Professor de Inglês, Valdir cursou Letras (Português-Inglês) nas Faculdades Farias Brito (Guarulhos) e Oswaldo Cruz (São Paulo) entre 1970 e 1973.
Em 1971, o autor de “Outro amor” e “Lindo lindo lindo”, entre outros sucessos, destacou-se no IV Festival Universitário de Música Popular Brasileira, da extinta TV Tupi: "Prá Inglês Ver" foi a terceira colocada. Na mesma época, integrava a ala dos compositores da Escola de Samba Mocidade Camisa Verde e Branco, tendo sido, também, um dos fundadores da Escola de Samba Tom Maior, em 1973.
Naquele mesmo ano, os grupos Chic Samba-Show e Som Brasil Exportação seriam os primeiros a gravar músicas de Valdir Dafonseca(“Sexta-feira” e”Pra que chorar”, respectivamente), que enriqueceria a cultura musical percorrendo o Nordeste – de Recife a São Luís do Maranhão, onde fez contato, principalmente, com os compositores cearenses. Lá absorveu traços do folclore e da musicalidade típica da região. De volta a São Paulo, afasta-se do magistério e se lança na carreira de músico. Violão e voz, ganha a noite paulistana, apresentando-se em casas como "Bar Sem Nome", "Chamego", "Bar do Amorim" e "Patropi", entre outros.
Em 1975, integrante do "Grupo Raízes", embarca na música folclórica das mais diversas regiões do País, cantando e tocando, violão e viola caipira. São daquela fase composições como "Açude encantado" e "Boa Vista", parcerias com o mineiro Charles Boa Vista, que liderava o grupo, ao lado da cantora e flautista cearense, Ângela Linhares.
Em 1976, Valdir Dafonseca conhece aquele que seria seu parceiro mais constante: o carioca Heitor dos Prazeres Filho. Logo depois de se encontrarem, os dois começam a compor e a se apresentar nos teatros da capital e do interior, com o show "Defesa". No roteiro, músicas próprias, dos respectivos pais e outros autores.
No ano seguinte, 1988, o compositor recebe e aceita convite para uma temporada de seis meses em Toronto, Canadá. Lá, se apresenta em show por ele mesmo produzido, cantando e se acompanhando ao violão, cavaquinho e bandola.
De volta, em 1989, participa de um show com Eduardo Gudin, Zé Ketty e Elton Medeiros, no Teatro Fernando Costa, e em seguida, opta por afastar-se das casas noturnas para se dedicar ao estudo e magistério da língua inglesa.
Em 1995, Valdir lança, com o selo CPC UMES, o CD "Doce canto", produzido pela direção e alunos do Colégio Indac. Presente carinhoso ao professor de Inglês, que ali trabalhou por dez anos e que se aposentava, em 1993, após sobreviver a um infarto agudo do miocárdio seguido de AVC (acidente vascular cerebral), em março de 1991.
O CD "Doce canto" tem direção musical competentíssima de Filó Machado, que também participa como cantor em uma das faixas, e amigos de Valdir, a exemplo de Leny Andrade, Pery Ribeiro, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, Adyel, Cybele Codonho, Aldyr Blanc, Cláudio Nucci, Walter Franco, Sérgio Ricardo, Celso Miguel e Trovadores Urbanos.
Em 1997, Valdir viaja para Fortaleza, onde fixa residência durante um ano e dá aulas de Inglês para os funcionários do Aeroporto Internacional Pinto Martins, em curso intensivo promovido pela Infraero e Setur.
Em 1999, de volta a São Paulo, depois de um tratamento de dez meses em Santos, apresenta o show "De volta ao samba", nos teatros Paulo Eiró e Arthur de Azevedo.
Em 2000, naqueles mesmos espaços, apresenta, com o violonista Francisco Araújo, e a mezzo soprano Cida de Andrade, o show "Para viver um grande amor", em homenagem ao compositor e poeta Vinicius de Moraes, falecido 20 anos antes. Mas, também, o show temático "Agosto" – inspirado no folclore e realismo fantástico –, com a participação da poeta Rosani Abou Adal e do artista plástico Se-Xavier, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade.
Na mesma casa cultural, organiza e lidera, também, debate e roda de samba, "Dos quilombos à liberdade", em comemoração aos Dias da Consciência Negra (20/11) e Nacional do Samba (02/12).
Ao longo de mais de um ano (2001-2003), o compositor conduziu, ainda, às segundas-feiras, uma das mais animadas e concorridas rodas de samba de que se tem notícia em São Paulo: a do Bar "Villa Viroo", na Vila Madalena. Ali, Valdir lançou o CD "Precioso, Presente e Terno", parceria com Baptista Júnior. Com selo Zambaben, o trabalho reúne participações especiais, o próprio Baptista Junior, além de um dos "mestres" do compositor paulistano: o cidadão-samba oficial de São Paulo, mestre Hélio Bagunça. Mas, também, o parceiro Heitorzinho dos Prazeres, Ana de Hollanda, Nilza Maria, Lu de Oliveira, Carlinhos do Cavaco, Aldo Bueno, Zé Luís Mazziotti, Filó Machado, Carlos Poyares e os imortais "Cascatinha e Inhana" e Evandro do Bandolim.
A seqüela do AVC calou o virtuoso e sentimental violão de quem, tocando sozinho, nos bailes, não deixava quem quer que fosse sentir falta da orquestra. Mas os amantes da boa música ganharam um cantor que aprendeu a bem colocar a própria voz e, acima de tudo, um tecladista que, autodidata, desenvolveu a técnica que lhe permite fazer, com uma das mãos, a direita, o que muita gente jamais conseguirá com as duas e, quem sabe?, nem mesmo com a ajuda dos pés. O bom-humor, marca registrada de Valdir Dafonseca, o faz sempre começar os shows, na noite de São Paulo, com uma piada sobre si mesmo. "Vocês já ouviram teclado quatro e até oito mãos. Mas jamais a cinco dedos. Então...", diz ele.
Em 2002, o compositor-cantor-tecladista Valdir Dafonseca apresentou-se na “Praça do Choro”, projeto da Secretaria de Cultura do estado de São Paulo, acompanhado dos músicos Ítalo Perón (violão), Pratinha (bandolim e flauta), Pimpa (percussão), além do jovem flautista Guilherme Montanha e da excelente intérprete Nilza Maria.
Em janeiro de 2005, dentro do projeto “Plínio de outros Marcos”, do Sesc-Santo André-SP, apresentou o show “Viva o samba de São Paulo”, em homenagem ao grande teatrólogo paulista, morto em 1999.
Atualmente, Valdir Dafonseca, à frente do Projeto Clave de Som, que divulga a produção lítero-musical independente, a partir dos movimentos que eclodem em São Paulo, dedica-se à produção de espetáculos musicais. Isso sem prejuízo do trabalho de compositor-cantor e o projeto que inclui, entre outras coisas, o lançamento de um CD documento, pelo qual pretende resgatar parte importante da história da música popular de São Paulo.
Em 2007, foi terceiro classificado no I Festival do samba paulista com seu samba-debreque “Chá de Sumiço, defendido pelo jovem compositor, violonista e intérprete Bruno de La Rosa, com quem apresentou seu show “Viva o Samba” no bar “Lua Nova”, nos dias 10/10 e 21/11.
Em 2008, fez duas apresentações no bar “Clube da Cana”, dias 10/05 e 15/06.
Os primeiros discos solo como compositor e intérprete são lançados em 1979 e 1984 pelas gravadoras Continental e Lira/Continental, em 1979 e 1984, respectivamente. Valdir tem músicas gravadas por artistas como Leny Andrade, Caçulinha, Déo Lopes, Neuber e Iranfe, Di Melo, Grupo Raízes, Rosa Maria, Branca di Neve, Beth Carvalho, Vânia Bastos e Délcio Carvalho, entre outros. Em 1987, lança, pelo Projeto Bom Tempo, da gravadora Copacabana, o LP "Lindo Lindo Lindo", com as participações especiais do parceiro Heitorzinho dos Prazeres, além do maestro arranjador e multinstrumentista Filó Machado e da intérprete Rosa Maria.
