Cotidiano n° 3 Rolan Crespo, Nando Távora e Caio Bassitt – 05.11.08
Não é pretensão é uma intromissão.
Segunda de cara amarrada
Na marra eu levanto
Um tanto brochado
Passo um dia em meio
Meio mal passado
Mal deito a cabeça
E a terça me invade
Bate um desespero
Cheiro de rotina
Esquina agitada
Nada me acalma
Com a alma farta
Logo vem a quarta
Me intimidando
Ando contumaz
E quanto mais eu ando
Mais me acostumo
Rumo à quinta-feira
À beira da loucura
Secura na garganta
Nem a santa ajuda
Ou sou uma anta
Ou sou uma besta
Enfim chegou a sexta
Êxtase completo
Meto a fantasia
Dia de cachaça
Fumaça e cerveja
Deixa que acontece
Nesse desce e sobe
Sobra quem não samba
Sábado me chama
Semana que finda
Fim da alegria
Alegria pouca
Louca pela vida
Eis a aflição
De um cidadão
De um sonhador
Domingo não
Tem solução
Segunda chega
Sem perdão
E se Errar Outra Vez?
Rolan Crespo e Robson Martins
Interpretação de Aury Viola - Maceió
É forte demais afirmar, talvez
que dessa água jamais beberei
tudo tem seu próprio tempo
e num dado momento peço um tempo a mais
Tudo muda a todo instante
se é certo ou errado, eu não sei
se hoje faz muito sentido
no amanhã eu posso errar outra vez
Não mais digo, nunca mais
acho que nunca mais: É muito tempo
sem nenhum contratempo,
há sempre tempo pra voltar atrás
É forte demais ter a lucidez
em 24 horas posso escorregar
num momento estou atento ou sonolento
eu posso até fazer sem ter que me cobrar
Dentre tantos personagens
quero ver eu mesmo em ação
reciclar o que foi feito
é muito chata essa tal perfeição
Não mais digo, nunca mais
acho que nunca mais: É muito tempo
sem nenhum contratempo,
há sempre tempo pra voltar atrás
AR – 15 Rolan Crespo e Robson Martins
Aos 13 compreendi
Aos 14 comecei
A R 15
hoje eu tenho 16
Se chego aos 20 ainda não sei
Se chego aos 20 ainda não sei
A minha lida é risco de vida
O meu brinquedo faz você tremer
Por isso moço não meço esforço
Se vacilar eu posso até fazer chover
Se vacilar eu posso até fazer chover
Balas perdidas, desencantos e feridas
E o que faço é pra sobreviver
Por isso moço sou carne de pescoço
O que me veio eu não pude escolher
O que me veio eu não pude escolher
Idas e vindas do morro às avenidas
Sou avião, o meu trabalho é fornecer
Por isso moço é muito perigoso
Não vá ao morro, o morro vai até você
Não vá ao morro, o morro vai até você