Clube Caiubi de Compositores

Aldo Miletto
Psiquiatra e Poeta ou Poeta Psiquiatra. Dependia do momento.
Formado em Medicina pela USP (Pinheiros), especializado em Neuro Cirurgia, logo no início de sua carreira, devido sua sensibilidade, ao conhecer o histórico dos pacientes, percebe que muitos casos não eram para cirurgia e sim psíquicos.
Auto didata, resolve se aprofundar em psiquiatria e se especializa em psiquiaria para a criança e para o adolescente. Sempre dizia que era melhor tratar a criança, pois este se tornaria um adulto mais saudável.
Cientista e artista, poeta, desenista.
Amava a vida e vivia entre jovens.
Pai de 6 filhos homens, costumava dizer que as noras eram as filhas. Acabou tendo mais noras que filhos.
Membro da SOBRAMES (Sociedade Brasileira de Médicos Escritores) e da Academia Brasileira dos Médicos Escritores .

QUANDO A GENTE COLHE A ROSA

Refrão – Quando a gente colhe a rosa, / sempre tem um pensamento!...
Se mensagem for a rosa, / cor da rosa é o sentimento!...

1ª Parte – Rosa branca,... branca rosa,
com tua pálida candura,
és criança buliçosa,...
esperança casta e pura!...
Rosa rosea,... cor de rosa,
cor dos sonhos bons da gente,...
não és verso,...não és prosa...
és amor adolescente!...


Refrão – Quando a gente colhe a rosa, / sempre tem um pensamento!...
Se mensagem for a rosa, / cor da rosa é o sentimento!...

2ª parte - Rosa de cor amarela,
que atenção sempre desperta,
luminosa rara e bela,
deixa a gente sempre alerta!...
E tu, rosa cor champanhe,
linda assim, com teu matiz,...
dás a quem te colha ou ganhe,
vida próspera e feliz!...


Refrão - Quando a gente colhe a rosa, / sempre tem um pensamento
Se mensagem for a rosa, / cor da rosa é o sentimento!...

3ª Parte - Rosa rubra,... rubra rosa,
cor de sangue rutilante,...
és saudades dolorosa,
de um amor que está dis tante!...
Rosa negra,... negra rosa,
ao colher-te sangra a mão!...
És volúpia tormentosa...
És a dor,... és a paixão!...

Refrão – Quando a gente colhe a rosa, / sempre tem um pensamento!...
Se mensagem for a rosa, / cor da rosa é o sentimento!...

S U D Á R I O D E A R D E N T E C A L V Á R I O

O quadro que traço, que risco, que pinto,
com tristes nuanças, de cores tão cruas,
em retas ou laços tortuosos, trançados,
é a busca de espaço, que expresse o que sinto,
ao ver pelos cantos sombrios das ruas,
o humano bagaço de povos magoados...
De gente lançada nas margens da vida,
em fosso profundo, sem fundo, despida
de roupas, carinhos e tão “carenciada”,
sem teto, saúde, uma escola,... comida,
que existe,...não vive,...resiste... e perdida,
que assalta drogada,... vai presa,...gradeada!..
As linhas cruzadas, em suas convergências,
demonstram, truncadas e sem perspectivas,
a ausência de vias ou metas perdidas,
ocultas na sombra, em longas pendências,
por onde, malvadas, se escondem, furtivas,
mancadas, enganos,... e insídias urdidas.
A tela de sombras que tinge essa imagem,
calada linguagem de angusto protesto,
sabor de absinto, que amarga-me o peito,
por tantos efeitos de vil vassalagem,

de extorsos, de ofensas, de afrontas, que atesto,
transfunde meu verbo no quadro perfeito
de Sacro Sudário de injusta investida!...
Chagado, esse povo de infausto cenário,
repete o Sagrado Martírio da Cruz
e, humilde, espelhando existência dorida,
em mística, vive de novo o Calvário,
no Corpo Divino de Cristo, Jesus!...

O C O M P A S S O

Você viu como é bonito
o desenho do compasso?!...
Num pé gira e deixa inscrito
sempre um círculo no espaço.


Sem começo e fim no traço,
com freqüência se tem dito,
que a figura que perfaço
é o retrato do infinito.


Dividida, com efeito,
pelo raio utilizado,
forma hexágono perfeito,
com seis cantos e seis lados.


Ao girar-se, em cada canto,
o compasso, aqui empregado,
delineia, com encanto,
a rosácea, no traçado,


belo símbolo da vida,
de arte pura, enfim criado,
com imagem recolhida
do infinito e assim gerado!...


A V I O L E T A

A violeta pequenina,
delicada e meiga flor,
ao desabrochar se inclina,
recatada em seu pudor


e se oculta, qual menina
retraída, no verdor
da folhagem, que domina
a plantinha ao seu redor...


Mas o sol surge e ilumina,
a avivar-lhe m ais a cor
e o perfume e atrai, em clima


de paixão, um beija flor,
que ao tocá-la assim sublima
seu primeiro e casto amor!...

E agora, irmão ?!...

Meu Deus, o que acontece. Que poços artesianos,
Nas áreas do Nordeste?!... Provado em protocolo,
A seca até parece, Foi sempre boa forma,
De Deus, a maldição!... De ter-se solução...
O Sol, em céu aberto, Pois, como sempre informa,
Resseca a terra... É a peste!... Já foi levada a termo,
Sem chuva, é só deserto, Às custas do Governo,
Que mata a plantação. Muita perfuração,...
O gado já perece ...Mas só para político,
De sede, fome e nada, Ou para potentado,
Nem mesmo a Santa prece, Como ficou explícito,...
Lhes leva à salvação!... ...Não pra população!...
Nosso caboclo é forte, Açudes, nos planaltos.
Heróico na parada, Sim,... dos privilegiados,
Mas sem comida, a sorte Irrigam, só nos altos,
É o fim, a destruição!... As terras do patrão,
É triste, muito triste, Sem permitir que escorram,
Na nossa terra ao Norte, As águas, nos baixados,
Saber que ainda existe Deixando lá que morram
Tanta desolação!... O gado e a plantação,
E nossos governantes, Dos sitiantes pobres,
Que dizem a respeito?!... Em seus labores nobres,
Pois prometeram, antes, Porém, que carenciados.
Nas vésp'ras da eleição, Finam de inanição!...
Nas secas, darem um jeito, Brasilidade ufana,
Falando com rompantes... Desperta enquanto é tempo...
Mas nada lá foi feito, Põe fim ao contratempo,
Pra tanto... E agora, irmão?!... Com senso bom, ...razão!...
Ouvi falar que gente, Água é poder na seca
Que entende, lá do Oriente, E quem a tem, domina...
Propôs um competente Quem não, ...levado é à breca,
Plano de irrigação!... ...Pior, ...à escravidão!...
Por que não foi aceito, Caboclo é carne humana,
Governador, Prefeito, É gente forte, é bravo
E Presidente eleito, E não nasceu pra escravo,
Tal plano pra Nação?!... "Do mau caráter", ...não!...
Também a nossa imprensa Não pede esmola, ...prima
Diz que, no subsolo, Querer água na terra, ...
Há uma camada imensa Se a não tiver, ...é guerra, ...
De águas em profusão... ...Miséria, ...confusão!...

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