Américo Bittar

Américo Bittar escreve desde os 14 anos de idade.
É radialista, Diretor de Imagens na Rede Gazeta de Televisão - Canal 11/SP e autor de letras de músicas.
Escreve porque gosta de ser lido. É um poeta popular - com a fala da rua, das quebradas do mundareo. Mantém um Blogger atualizado na Internet : http://bittarpoetadosgrilos.weblogger.net
[SER]
Ser
Poeta
Esse ser
Que pode ser
Tantos
No entanto
É um
Só
Ser que faz
Que pensa
Que inventa
Que cria
Poeta
[SOU POETA]
Sou poeta
Não sou novo
Nem sou velho
Sou poeta
E em assim sendo
Posso ser um feto
No útero da minha mãe
Ou um ancião
Com meu bisneto no colo
Sou poeta
Não tenho idade
Altura, cor
Nem peso
Vivo da imaginação
Viajo sem sair do lugar
E vou aonde
Ninguém ainda foi
Pra ir é só imaginar
Vivo no passado
No presente e no futuro
O tempo e o espaço
Não existem ou existem
Só quando quero
Porque o papel
Aceita tudo
Sem nada reclamar
Sou criador e criação
Inventor e invenção
Sou nada e tudo
Sou só
Um poeta só
E seus grilos
Aos quilos.
[COMO A CHAMA DA VELA]
Como a chama da vela
Seu corpo se contorce
Num estranho bailado
Chama que incendeia
Meu coração sofredor
Parado estático fico
Admirando seu espreguiçar
Como uma gata se estica
Se encolhe se alonga
Arde em meu peito
O desejo ferve meu sangue.
A febre me domina
Tento deter o dia
Fechando as cortinas
Mas são finas
E o dia vem
Para lhe acordar
Num suspiro
Chamas meu nome
Surpreso sou surpreendido
Estático parado a lhe olhar
Pergunto o que quer
Responde-me, você.
Com um sorriso
Como tão pouco
Pode fazer
Um homem feliz
[POSSO TUDO]
Posso tudo
Que o pensamento
É capaz de pensar
Posso tudo
Porque acredito na força
Que ele pode gerar
Acredito na força do amor
No perdão da cruz
No sangue de Jesus
Acredito que sou capaz
Pois perante o Pai
Somos todos iguais
Existem verdades
E verdades
Acredita quem quer acreditar
Tenho poucas palavras
Pra dizer
Porque tenho muito
Que aprender
Tenho dois ouvidos
E uma boca
Logo falo pouco
E ouço mais
Não sou escravo
E nem sou senhor
Respeito pra ser respeitado
Amo pra ser amado
Com poema e voz
Fronteiras não conheci
Não carrego bandeira
Pois acho besteira
Minha casa é a Terra
Tanto quanto posso ser
Sou livre e feliz
[TEM CANÇÕES]
Tem canções
Pra compor e cantar
Tem poemas
Pra escrever e declamar
Tem a vida
Pra viver
E o sol
Pra aquecer
Tem o amor
Pra amar
Tem eu
E tem você
Temos a nós
E nos bastamos
Só eu e você
[AMOR]
Amor
Só amar
Não vale à pena
É preciso
Ser amado
Mas,
Nem sempre
É assim
Amamos
Quem amamos
Sendo ou não amados
Em sentimento
Não se manda
Apenas sentimos
O que sentimos
E pronto
Não há explicação
Pro amor não há não
[A VIDA É LUZ]
A vida é luz
De breve luzir
Quando começamos
A aprender a viver
Já é hora de partir
[AINDA TENHO]
Ainda tenho
O céu o sol
A lua as estrelas
Ainda posso vê-la
Espreguiçando-se ao acordar
Quando o dia nasce
Para vivê-lo
Ainda posso
Cantar canções
Fazer poemas
Contar piadas
Faze-la sorrir
Ainda posso
Tanta coisa
Que só posso
Por você
Sem você
Eu não sou eu
E nem sei
Quem sou
Ou se alguma
Coisa eu sou
Você é a vida
Que dá vida
A minha vida
Você é...
O meu amor
[DEITADO ATRAVESSADO NA CAMA]
Deitado atravessado na cama
Atravesso mais uma noite acordado
Levanto quando o galo canta
Mais uma vez quem sabe, a última talvez.
Seis e meia volto pra cama agora que é dia
Durmo sonho acordo mais uma vez
É você, penso. Mas, não é. Você não vem.
E eu volto, pra cama e durmo.
Sem sentir saudade
Só raiva é o que sinto de mim mesmo
Por sentir o que sinto por você
Mas tudo passa já é tarde a raiva passa
Lavo o rosto, olho no espelho, vejo seu rosto.
Tudo passa, você voltou, vejo você.
Tudo passa, tudo sempre passa.
Quando vejo você
[MAIS UMA VEZ]
Mais uma vez
Abro um sorriso
O dia é lindo
O sol brilha
E a tempestade
Já passou
Você voltou
Mais uma vez
A casa se alegra
E um simples almoço
Vira um banquete
Uma casa modesta
Vira um lar
Mais uma vez
Tenho a chance
De ser feliz
Você voltou
E é tudo
Que eu sempre quis
Estou e sou
Muito feliz
Obrigado vida
Obrigado Deus
[ATÉ QUANDO]
Até quando
Vamos agüentar
Sem reagir
Até quando
Vamos ficar
Deixando pra lá
Sem nada fazer
Pra resolver
De vez a questão
Até quando
Vamos deixar
Que eles pensem
Que somos otários
Que não vemos nada
Não sabemos de nada
Não lemos nada
E não ouvimos nada
Que sempre
Está tudo bem
Não sei, não sei não.
Sei que está
Chegando o tempo
De dar um basta
Na situação
Ta chegando a hora
De virar a mesa
Porque do jeito
Que está
Não dá mais
Pra agüentar
Ninguém vive bem
Sem lei sem ordem
Sem respeito ao próximo
Mesmo existindo a lei
Não tem nenhum valor
Pois não é cumprida
A impunidade anda solta
Enquanto vivemos presos
Em gaiolas gradeadas
Os bandidos
Os ladrões
E os corruptos
Estão soltos
Quando todos
Tem culpa no cartório
Ninguém cobra ninguém
Precisamos mudar
E a mudança só se dará
Com todo mundo
Aprendendo a votar
[GOSTO DE POEMA LONGO]
Gosto de poema longo
Como a linha da vida
Da palma da sua mão
Faço um poema curto
Que curto muito
E não toma muito
O tempo de ninguém
Nem o meu
Nem o seu
Meu bem
[MAIS UMA VEZ]
Mais uma vez
A lua vem
E nos encontra
No jardim
Tímida se esconde
Atrás da nuvem
Pro prazer não estragar
Mais uma vez
O romance
Está no ar
As rosas
O jardim perfumando
As cigarras cantando
Em homenagem
Ao nosso amor
Enquanto isso
Nos tornamos
Mais felizes
[SABE O QUE]
Sabe o que
Eu gosto de você
É o seu jeito
De olhar de sorrir
E de falar
De olhar
Com olhar carente
De sorrir
Esse sorriso
Maroto
De falar
Com voz
Aveludada
E sensual
Sabe porque
Eu gosto de você
Eu gosto
Porque eu gosto
E isso me basta
E assim
Eu sou feliz
Tendo você
Perto de mim
[CONSTRUIREI]
Construirei
Uma calçada
Na minha memória
Com as lembranças
De outrora
Já posso visualizar
Os passos
Que são dados
Em minha direção
Deslizando em “slow motion”
Dramáticos tornam-se
Os passos em “slow motiom”
Já posso ouvir
O ruído dos passos
Repercutindo no chão
Acelera meu coração
Ao ver sua figura
Espanta-me ver
O que você se tornou
Mas assim é a vida
E seja como for
Ainda guardo as recordações
Que tenho de você
Olho entristecido agora
E penso no que você representou
E se recordar é viver
Revivo os melhores dias seus
Sonho que pelo caminho
Se perdeu
[VOCÊ É PAZ]
Você é paz
Paixão e amor
É calmaria
Maria, Maria.
Tanto de noite
Quanto de dia
Silenciosa a lua
Passeia a noite no céu
Sua luz vem nos iluminar
Passa pela vidraça
Beija seus pés e se vai
A noite agora é só nossa
Sem preocupações dormiremos
Quando a aurora chegar
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