Carmem Sanches é psicóloga,ex-profa.da Unesp. Aposentada, o lugar que menos fica é em seus aposentos,vendo a vida passar. Nas horas não tão vagas, trabalha, pensa, pena e escreve, por de leite: prazer no primevo alimento; e pelo gosto de, na sesta, fazer incesto com palavras.
Jardineiro Desejo Alminha
Gosto do gesto que Nua, frente a mim, Êta, menina malcriada
Acolhe a vida fora Vergo-me à natura Não faz nada,nem cria
Do código da razão, E me banho em lama Inda diz à empregada:
Desrazão é propria Minha mãe te paga prá
Tiro o manto que Fazer todo o serviço e
Do jardineiro que Encobre as vergonhas Ajudar na minha lição
Pacientemente,por vento entoa mantra
Ter-se como humano, Êta,farta inducação!
Desperdiça o tempo OUço silente,cios
Em tempo de desejo
No jardim da vida,o Sou apenas mulher, Tudo valeria a pena..,
Gosto do gesto que Se Alma fosse pequena
Colhe sempre-vivas, Pessoa, heterônima,
Não amores-perfeitos Mil e uma,com muito
Prazer, me conhecer
Gosto do gesto que
Ouve el olvido e o Barco
Aquece e se esquece Cego de ego, me entrego
Ao abismo de mim mesmo
Recolho defesa adentro
Para depois sentircheiro
Brinquedo De humus nesta palavra
O brinquedo caiu Humano.E,em insólita
redondo,e em versos Embriaguez do outro,
de saudade molhada sorver gosto infinito
por bolinhos de chuva
em noite de serão
Vem brinquedo, vem e desculpa essa falta
roda meu sono adulto de jeito no amor,meu bem
mexe, está disperso foi meio zen querer
lava o discurso do
excesso de palavras
Vem tornar curvo meu fechar essa boca?
pensar em linha reta quando o coração ficar
Gente de meia idade mudo desse amor
quer o devir criança
e ser pessoa inteira
entre muros ouço
os urros desse silêncio
Leve-me pro futuro, nosso amor casmurra
sem que precise,do
chão,arredar-me agora
Das tuas brincadeiras, trabalha duro
bambolê, serei para na sesta,faz incesto
sempre eterna "elève" com as palavras
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