Clube Caiubi de Compositores

FIM DE NOITE

Sair do bar, não antes de ter tomado a saideira
O asfalto novo da velha rua é arremessado violentamente as costas
A cabeça como pêssego em taça, desliza na paralela Terra – Espaço
Virar divisar o horizonte no buraco do bueiro
Vomitar, e encontrar a resposta da dúvida que o tirou da mesa do bar

O BARQUINHO VEM

O “Dramim” falha
O barco aporta
O passageiro corre
O epiglote a pia

PARA CHOQUE

Se fosse para se manter tão distante
Não deveria ter se aproximado tanto

PAZ

As borboletas não comem mais biscoito.
Os pardais já não defecam sobre o teto do metro.
Os urubus que antes pousados nas asas do concord, abandonado e destroçado, nas ruínas do
Central
Parque.
Observam perplexos enquanto faziam a digestão da última podridão humana.
A Estátua da Liberdade ser destruída pelo mais novo vírus.
E esse jaz provavelmente vítima do nada.
A única força sobrevivente sem dúvida nenhuma foi a paz.

SAUDADES

Os poetas se foram
A tísica está de volta, avizinhando-se de débeis corações que batem por definição
Inertes os sensíveis que antes avançavam movidos a coturnos na bunda
Que saudades dos visíveis inimigos
Que saudades dos coturnos na bunda
Tolerante quadrúpede que país é este ?
Que mata a inteligência de cirrose e o futuro de overdose
Que saudades dos visíveis inimigos
Que saudades dos coturnos na bunda


PARA O ARTUR, MEU SOBRINHO

Conversando com a Mel, lembrei do tio Alfredinho
Que quando eu tinha 6 anos, me levava pros campos de várzeas, no bilhar do David
Para jogar malha no Açucena, baralho no Az de ouro
Que barato meu tio Alfredinho !
Corria riscos com ele, mas me deixou em casa direitinho.

QUANDO EU ERA MENINO

A minha prima Ana Maria, teve alguns namorados
O Tadashi, que eu não sei bem porque, sempre me lembrou as pílulas Wakmoto
O Reginaldo, que era sobrinho do tio Francisco, já se foi
Se teve outros, não me lembro
Algumas vezes eu saía com eles, para segurar vela
Mas eu gostava mesmo era do Nino, que batia um bolão e tinha um Chevrolet 51
Power Clyde com uma buzina americana que fazia “guu-guu”, era fascinante
Fiquei feliz quando ela casou com o Nino, que como eu, até hoje continua sendo
O mesmo menino !

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