Clube Caiubi de Compositores


Katia Dutra, conhecida como Tyta nasceu aos 25 de Julho de 1979 em São Paulo.
Sua primeira publicação foi um poema chamado “Primavera”, no jornal do colégio onde estudava, em 1990.
Em 1992, escreveu uma adaptação de “Morte e vida Severina’, para uma peça de teatro amador.
Em 1994, apresentou no colégio onde estudava um texto chamado “Autobiografia”.
Em 2007 conheceu o grupo Rascunhos Poéticos, liderado por Carlos Savasini e Osvaldo Pastorelli, onde começou a desenvolver o gosto pelas poesias e onde começou a participar de Saraus, como os da Casa da Rosa, Biblioteca Alceu Amoroso Lima e no Sopa de Letrinhas. O Rascunhos também lhe deu a oportunidade de Participar da abertura do evento “O poder da Rosa”, de Rosae Novichenko, na Casa das Rosas.
Foi também através do Rascunhos Poéticos que Tyta teve a oportunidade de participar desse livro

A ROSA URBANA

Eu sou a rosa que nasce no canteiro da cidade, lutando para se adaptar ao meio ambiente.
Eu sou os destroços daquele carro que outrora já foi dirigido por um bêbado alucinado.
Eu sou a água poluída, que sem nenhum rancor continua sua trajetória.
Eu sou a puta parada na esquina, querendo sexo, querendo dar prazer.
Eu sou a beata que sabe que o mundo está acabando e pede perdão pelos seus atos.
Eu sou o gatuno que no cair da noite rouba um beijo seu.
Eu sou o feto que luta contra o aborto.
Sou o kamikaze que se destrói por um ideal.
Eu sou o suicida que é forte o suficiente para desistir de tentar.
Eu sou Judas que traiu com um beijo.
Eu sou Jesus e também fui traída.
Sou a escrava que esconde seus sentimentos.
Sou Melena e Amazona nessa vida.
Sou o branco e sou o preto.
Sou o céu e sou o inferno.
Sou o tudo e sou o nada.
Sou a feia e sou a bela.
Sou a Tyta, a poeta
Posso ser tudo o que eu quiser ser.
Para isso, basta querer

AMOR, ESSE DOCE VENENO
Vendo meu corpo para ti.
Em troca dos carinhos seus.
Acho que estou lucrando, acreditando em tudo que você me prometeu.
Apanho calada crendo merecer os castigos que tu me dá.
Fui uma mulher muito desobediente, não deveria querer monogamia no nosso jeito de amar.
Marco minha carne com teu nome.
Para que todos saibam que é meu dono.
Engulo o chora calada quando lhe vejo beijando outro alguém;
Engano meu sofrimento, minto estar feliz com seu desdém.
Tenho seu corpo esporadicamente.
Você me tem como um todo, diariamente.
Você é meu dono, eu, sua mercadoria.
Nesse desejo louco de me entregar a esse amor que estou viciada,
Não vejo nenhuma diferença entre as antigas escravas e o meu dia-a-dia.

NOSTALGIA.

Que saudade sinto daminha infância
Ver desenhos na TV, come Dip NIc’s, geladinho,
Brincar de boneca, Pic-esconde e até carrinho
Enfim, fazer todas aquelas coisas de criança

Minha infância nos anos Oitenta,
Nada de Play Station, Rebeldes, Orkut ou Internet,
Tinha Caverna do Dragão, Smurfs e Tundercats
E até Bambalalão na Cultura, olha a diferença

Ser criança era apenas ser criança
Brincar na aruá o dia inteiro
E só voltar pra casa na hora da janta

Ser criança era ter contato com a vida
Pé no chão, cara suja, diferente de toda essa tecnologia.
Que pena eu sinto das crianças de hoje em dia!

MOMENTOS

Tiro minha blusa sensualmente
Sua boca aberta a me admirar,
Suas mãos pelo meu corpo a me abraçar
Sua língua percorrendo minha orelha, meu pescoço, lentamente.

Meu corpo sobre o seu e assim nos amamos.
Sua boca beija a minha agressivamente.
Com prazer e com meus gemidos estridentes,
Toda a vizinhança,assim acordamos.

Sua boca, sua saliva, sua língua,
Sua pele, seu cheiro, seu suor.
Torne-me seu ar, seu pão, sua comida.

Essa mesma boca que me beija,
Esses lábios que tocam minha pele
Me fere ao anunciar “Acabou, me esqueça!”

DOCE ESPERA
Espero o tempo que for para se feliz ao seu lado.
Espero você degustar outras bocas e amar outros corpos;
Espero você chorar por um outro alguém;
Espero você acreditar que encontrou o amor da sua vida;
Espero você se desesperar por ter se enganado;
Espero suas paixões e desilusões;
Espero seu corpo já usado;
Te espero, óh! meu amor, por toda a vida se preciso for.
Só quero que você saiba que te espero, que estou aqui, de braços abertos,
Esperando sua procura pelo amor, terminar ao meu lado.

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Celino Leite Comentário de Celino Leite em 23 outubro 2008 às 14:26
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