Clube Caiubi de Compositores



Meu nome completo é Terezinha de Lisieux Batista Souza, mas prefiro ser só lisieux, todo em minúsculas.
Sou mineira, terra de poetas maravilhosos e de grandes estadistas. Nasci em 16 de dezembro de 1954 anos, em BH, cidade incrustada entre as montanhas, clima maravilhoso e um horizonte muito belo, como o próprio nome diz.
Sou casada há quase 30 anos e tenho 4 filhos, meus maiores presentes.
Sou formada em Teologia pela Universidade Metodista de São Paulo, sou pastora Metodista e dou aulas particulares de Português e Literatura para teólogos e em seminários religiosos.
Sou uma mulher comum. Cheia de sonhos e apaixonada pela vida, apesar de todas as dificuldades que ela apresenta.
Escrevo desde menina, mas só depois do advento da Internet e de ganhar um concurso de poesias de uma revista virtual é que me animei a mostrar os meus escritos que antes ficavam servindo de alimento às traças, nas gavetas.
Tenho um livro de sonetos com o poeta pernambucano Paulo Camelo, Coroa de Sonetos a Quatro Mãos e estou em 2 antologias poéticas: Universos e Tertúlia da Primavera. Escrevo também em vários sites de poesia e teologia.
A poesia pra mim é catarse. Uma grande viagem através do meu interior.
Venham, pois, viajar comigo.

SE TU ME AMAS

Se de fato me amas, não precisas
anunciar aos quatro ventos,
gritar pelas ruas,
escancarar janelas e porteiras.

Não precisas proclamar aos quatro cantos,
nem espalhar pelos quatro continentes
ou mergulhar nos quatro oceanos
para levar o teu amor, pelas correntes.

Se de fato tu me amas, não precisas
gritar pelos quadrantes da cidade,
nem ficar repetindo, repetindo,
em cada uma das quatro estações.

E nem por quatro semanas necessitas
por anúncios nos jornais dominicais...
Também não tens que, pelas quatro fases
da lua misteriosa, nos telhados,
subir a fim de anunciares, loucamente,
o teu amor por todo o firmamento.

Basta, amado, se de fato tu me amas,
entre as quatro paredes do meu quarto,
- as quatro mãos assim entrelaçadas
e quatro olhos a brilhar, na escuridão -
deixar que o amor, sem pejo, não se cale...

e que ele assim,
silenciosamente,
fale

POR CIMA DO MURO

Não, não é por timidez
que eu não te telefono.
É que o amargo do abandono
entranhou-se em mim, de vez.

É por isso que preciso
andar pela tua rua,
passear, à luz da lua,
espiar o teu sorriso;
Ver janelas, edifícios,
rolar pelos precipícios
à procura de esquecer...

Mas não consigo, não quero!
Porque no fundo, ainda espero
ser amada pra valer.

E de ti, que me esqueceste,
eu guardo cada detalhe:
cada ruga, cada entalhe
do teu rosto, teu olhar...

E não me canso um segundo
de lembrar nosso passado
sentimento delicado.

Não me canso,
de esperar...

SEM TUA PRESENÇA

Sem ti a noite, estagnada e densa
é mais escura, amado, mais sombria
e aqui trancada em mim, pesada, tensa
a alma grita, esvaziada e fria...

Sem ti o céu não tem estrela-guia
não tem cometas, asteróides, luas...
e o tempo não escorre, anestesia
meu ser ausente das palavras tuas.

Sem ti o ar não entra nas narinas,
não dá alento ao corpo meu, jogado...
sem ti, não passa a luz pelas retinas
não bate certo o coração cansado.

Sem ti a noite é lenta, atroz, eterna...
é poço de amargura e solidão
não mais a luz brilhando na caverna
escura e triste do meu coração...

Sem ti a madrugada é tão vazia!
Não mais as notas leves da canção...
E este silêncio é a marca da agonia
sem o calor ardente da paixão.

QUASE

Quase eu te amo assim como eu queria
e quase eu fui feliz como eu sonhei
quase também contigo eu encontrei
a paz que a minha alma perseguia...

E quase eu fui amada de verdade,
quase que eu consegui ser companheira,
ser mulher, ser amante, ser inteira,
quase alcancei a tal felicidade.

E quase hoje eu posso te dizer,
que quase nada tenho que perder
e ainda tenho força de vontade

pra conseguir a todos enganar,
pra me iludir e quase acreditar
que eu quase não me acabo de saudade!

ENGASTE
No meu olhar de pedra
nada à minha volta se reflete...

Ele apenas repete
o brilho do ano
de mil novecentos e sessenta e sete...

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lisieux souza Comentário de lisieux souza em 7 março 2009 às 12:02
CÁRCERES
lisieux

Quando os cárceres da memória
são visitados pela saudade,
no silêncio da noite
tudo se faz poesia.

Cada canto vazio
se enche de lembranças
e por mais que eu tente
varrer pra baixo do tapete
a luz do teu olhar,
ela volta a iluminar a escuridão
através de um vagalume
e dança ao sabor da aragem,
nas asas da mariposa
atraída pela lâmpada...

Se tento sufocar sob os lençóis
o som da tua voz, tua risada,
ela explode na canção do rouxinol,
no som do vento ciciaando
entre as folhagens
e no marulho da água do riacho
sobre as pedras.

A madrugada toda
se faz luz
e sons...

Quando os cárceres da memória
são visitados pela saudade...

BH - 31.01.09
lisieux souza Comentário de lisieux souza em 7 março 2009 às 12:01
CAMINHO DE PEDRA
lisieux


Quando tu me traíste
um manto escuro
cobriu o estrelado céu da noite
e o açoite deste vento
pelas ruas,
nas esquinas e estradas vicinais
só consegue imitar
o meu gemido
os meus suspiros,
minhas dores eternais...

Tento soltar a minha voz,
mas não consigo
e eu persigo
uma forma de dizer
o quanto dói, amado meu,
a tua ausência
e a demência
dessa minha solidão.

A travessia é tão ingrata,
tão difícil!
É um suplício prosseguir
sem tua mão,
Sem teus poemas, colorindo
a minha vida...
uma ferida
se abriu no coração.

Eu não queria, meu poeta
que esse pranto
e esse quebranto
que me afoga o peito
e queima
o interior como uma chama
infernal
fossem agora companheiros
de destino.

O meu caminho é pedregoso...
é tão difícil
atravessar tantos dezembros
e janeiros
sem a serôdia chuva de verão.

É desatino o que eu colho
dos canteiros.
É nostalgia a primavera
já passada
e o outono se instalou
nas sensações...

A poesia se perdeu
no meu caminho...
Tu conseguiste sufocar
o meu carinho
e a loucura
se mudou pros meus
porões
.


BH - 29.10.07
lisieux souza Comentário de lisieux souza em 7 março 2009 às 12:01
BIG BOBO
lisieux

Parece zoo ou circo dos horrores
em que se prestam a fazer de tudo
para ganhar um sórdido milhão.
Na casa provam efêmeros “amores”
parecem bem, mas vê-se que, contudo,
sua alegria é mera encenação.

Dizem-se “brothers”, mas são inimigos.
Pra conseguir o prêmio no final
eles se esforçam na competição.
Sofrem na casa inúmeros “castigos”...
ganha no ibope o mais original
e aí se livra do tal paredão...

Pena que o povo assista a esses boçais...
E ainda acham que são “racionais”.

BH - 17.01.09
lisieux souza Comentário de lisieux souza em 7 março 2009 às 12:00
BANZO
lisieux

Sustento a tua lembrança
suspendo os sonhos, retalhos,
sustenho a minha esperança
(floradas em secos galhos).

São aves de arribação
os meus singelos quereres
e guardo no coração
os meus amores e haveres.

Quero cantar, sustenidos
grota, gruta, rouco, surdo,
um som gutural, grito mudo
é o que me sai da garganta...

Sou um som de antigo mantra
sou mero raio de luz
que, pela greta, se espalha...
Sou estrela que reluz,
solitária, no infinito

silvo longo de um apito,
banzo, que a alma quebranta
sou jovem, velha, menina,
sou leviana e sou santa.

BH - 20.01.04
lisieux souza Comentário de lisieux souza em 7 março 2009 às 11:59
ANONIMATO
lisieux

Gosto de cidade grande e apressada;
selva de concreto a esconder-me a alma,
onde posso me mover sem ser notada,
perdida em meio à louca multidão...

Gosto de andar pelas calcaçadas
e mergulhar no caos, sem estrelato...

Comigo mesma, em perfeito anonimato.

lisieux - BH
lisieux souza Comentário de lisieux souza em 7 março 2009 às 11:58
AMOR TORTO
lisieux

Pois eu te amo de uma forma torta
assim disforme e louca, diferente,
mas quanto mais te amo,infelizmente,
por mim teu coração jamais se importa.

E essa forma de amar, que não comporta
os meus anseios, já me faz demente,
mas vou tentando assim, diariamente,
deixar a insanidade atrás da porta.

Um dia hás de saber que nesta Terra,
embora erre muito - quem não erra? -
ninguém teve por ti amor tão puro...

Amor capenga e manco, torto e feio
mas que é capaz de repartir-se ao meio
só pra fazer-te mais feliz... eu juro!

BH - 18.10.05

Bjos, lis
lisieux souza Comentário de lisieux souza em 7 março 2009 às 11:57
ACORDES
lisieux
(PARÁFRASE do poema de Ângela Lara “Valsa”)

É... não deu tempo, não deu...
De eu te mostrar todas as minhas marcas
de conheceres as cicatrizes do meu corpo
e muito menos as da minha alma...
Talvez... talvez quando o ciclo se completar
e chegar de novo a estação do sol
ou a estação da chuva...

Também não deu para termos um tempo de aconchego
de ombro no ombro e cabeça no colo...
De ronronados debaixo das cobertas
numa noite fria, vendo televisão
de pipocas espalhadas e marcas no sofá...
Talvez... talvez quando o filme for reprisado na Sessão Coruja,
daqui a alguns meses... alguns anos...

Não deu tempo... não deu...
De preparar os teus quitutes preferidos,
de tomar champagne em taças de cristal
em mesa preparada com esmero, com flores e candelabro...
Ou mesmo de tomar ki-suco em copo de requeijão...
Talvez... talvez quando sentires fome...
de amor e de pão.

Não deu pra estrear os lençóis bordados, nem a colcha de veludo azul...
Não deu tempo de reparares o quadro com paisagem campestre
nem a cruz de madeira na parede sobre a cabeceira da cama...
Talvez... talvez quando de novo estiveres cansado
E precisares de um colchão macio,
travesseiros de pena,
um leito de remanso.

Não deu tempo de termos entranhados nas narinas,
de reconhecermos de longe os nossos cheiros,
como animais, que se farejam
quando estão no cio...
Talvez... quando o vento aprender a te levar,
nas asas, o meu perfume...
e me trazer o teu, através da minha janela,
juntamente com o cheiro de terra molhada,
em tardes de chuva...

Não deu tempo, amado... não deu tempo...
De nos tornarmos mais que amantes,
de construirmos uma história,
de colecionarmos detalhes
de sermos
apenas nós...

Talvez...
talvez quando perceberes
o quanto fui tua...
o quanto me doei
e o quanto tu deixaste de aceitar...

BH - 09.10.03
lisieux souza Comentário de lisieux souza em 7 março 2009 às 11:56
“A lua que líamos
no lago...
o boi bebeu” – Marcos Caiado


A lua que líamos no lago,
O boi bebeu
E eu fiquei aqui, sem um afago
Um verso,
ou beijo teu

O fogo que queimava nossos corpos
No lago se apagou
E eu fiquei aqui, virando copos
Afogando o amor

A lua que líamos no lago
se desvaneceu...
O boi que a bebia
Ainda muge, ou já morreu?
O lago que corria manso
se secou...
E o fogo da paixão
que consumia,
se apagou...

A lua que líamos no lago
pra onde foi?
E em que pasto hoje rumina
aquele boi?
Dize em que lago hoje se banha
a lua fria,
a mesma lua que um dia
a gente lia?

A lua que líamos no lago
O boi bebeu
E de nós dois o que hoje resta?
Eu...

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