Luciana do Valle é redatora publicitária há 10 anos. Descobriu a poesia na adolescência quando enviava textos para um namorado. Desde 2005 participa do grupo Rascunhos Poéticos, tendo escrito mais de 60 poesias com a trupe. Vem participado de inúmeros recitais, dentre eles o entorpecente: Sopa de Letrinhas. Em 2006, obteve um bom resultado no Concurso de Poesia da Editora Guemanisse de Teresópolis. Hoje, além de poetar e escrever textos publicitários, participa de um curso de dramaturgia para TV.
VENEZA
Esperma correndo pelo corpo
Hidratante para a pele e para o ego
Delírio para uma Cleópatra gulosa
Insípido para a mulher amada
Que é chamada pelo amado de égua alada
Quero você todinho aqui dentro
Onde a nascente vira de repente
Uma Veneza de gozo alagada
Líquidos que saem de todos os lados
E são digeridos pela saliva como um aspirador
Uma líquido-aspiração
Que prende a respiração
Lambe me toda
Que aí sim
Eu juro que hei
Que não mentirei
Se me perguntar
Se eu gozei...
DIA DA POESIA
Palavras cirandam
Grafias ocas se humanizam
O traço toma vida
Verborragia Saudável que inunda sonhos
Vira refrão
De canção metrificada
Imagem no Cenário
Habita o Imagem-nário
A sensibilidade pede licença poética
E invade a derme
Ah! Se no lugar de uma bala perdida
Fosse um poema recitado
Viveríamos no Planeta Terra
E não no Planeta Erra
ASCO DO CAOS
CAOS DO ASCO
MAMOGRAFIA
Sua passagem na minha vida
Foi como um exame de mamografia
Despiu me com hora marcada
Espremeu meus peitos sem piedade
Deixou o V do meu vale árido
Tornou meu dia acinzentado como uma radiografia
E no final
Presenteou me com um boleto de pagamento.
HALLS – ALÍVIO REFRESCANTE
Halls Forte desnorteando meu norte
Invade uma House sem dono
Ardência que penetra nas minhas entranhas
Ex – estranhas
Agora minhas melhores amigas
1, 2, 3, 4...Halls
Pacote completo
Quadradinhos enquadrados na minha vulva
Deleite sensacional
Um homem- pinguim dentro de mim
Frescor que derrete meus sentidos
Gozo com sabor de eucalipto
Mistura homogênea de mulhergênia
E meus lábios delicadamente untados ...
Ah! Eles adoram, batem palmas
Pedem Bis
Aiai... O Bis da Lacta, por que não?
INÉRCIA NA PAIXÃO
Sua inércia flertou com o meu impulso
Derrubou pessoas no ônibus
Umas em cima das outras
Fez motoristas autistas atravessarem no sinal vermelho
Mudou o curso do lixo do Rio Pinheiros
Encheu deliciosamente a cidade de outdoors eróticos
Mesmo proibidos pelo Kasab
Redesenhou uma cidade e um coração
Mas de repente
Sua inércia ficou muda
E nisso, meu impulso muda
Fica entediada com a força que emperra uma história
Quer algo que some ou se multiplique a mim
Que gere vetorzinhos com os meu narizinhos
Um corpo que junto ao meu, ocupe o mesmo espaço
Desafiando as leis da física e do amor
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