Clube Caiubi de Compositores

PEDRO RODRIGUES JUNIOR, TAMBÉM CONHECIDO NO MEIO POÉTICO COMO NUNNO DORA, É MESTRANDO DA LINHA DE PESQUISA DE ANÁLISE DO DISCURSO DO CURSO DE ESTUDOS PÓS-GRADUADOS DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, ONDE TAMBÉM BACHARELOU-SE E LICENCIOU-SE EM LETRAS/PORTUGUÊS.

PARTICIPOU DA ANTOLOGIA POÉTICA DOS ALUNOS DE INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO TEOLÓGICO DA PUC-SP, VITRAL 2000, PUBLICOU SEU PRIMEIRO LIVRO SOLO "ATITUDE EGOÍSTA" EM 2001. PARTICIPA AGORA DA ANTOLOGIA POÉTICA UNIVERSO PAULISTANO, EM HOMENAGEM À JÁ ENTÃO CONSIDERADA MEGALÓPOLE DE SÃO PAULO. TEM PARTE DE SEUS POEMAS DO SEU NOVO LIVRO SOLO "O ATO BURRO", PUBLICADOS INEDITAMENTE AQUI NO LINK SOPA/POETAS DO SITE DO CLUBE CAIUBI.

É COMPOSITOR, INSTRUMENTISTA E CANTOR, DIVULGANDO SEU TRABALHO AUTORAL HÁ DEZ ANOS, TENDO PARTICIPADO DE FESTIVAIS DIVERSOS, ATUADO EM BARES EM VÁRIAS CIDADES, O QUE LHE POSSIBILITOU UM GOSTO ACENTUADO POR DIVERSOS ESTILOS MUSICAIS, OS QUAIS COMPÕE SUFICIENTEMENTE BEM PARA QUEM SE PROPÕE TÃO PLURAL.

É AUTO-DIDATA, VINDO A ESTUDAR MÚSICA APÓS TER APREENDIDO O INSTRUMENTO VIOLÃO PRIMEIRAMENTE COM CONTATO COM A GUITARRA ATÉ OS DIAS ATUAIS. ENTENDE A BLACK MUSIC E O FUSION COMO SEU FUTURO MUSICAL, ALGO QUE JÁ PRINCIPIOU A ESTUDAR E COM OS QUAIS TEVE CONTATO PRATICAMENTE NO INÍCIO DE SEUS PASSOS HÁ 25 ANOS. O FUSION É ALGO MAIS RECENTE, MAS SUA FORMAÇÃO POR VÁRIOS TEMAS E ESTILOS MUSICAIS DA DÉCADA DE 80.



POESIAS


Pedro Rodrigues Jr.




A oração do homem narciso por dentro e por fora


sem exclamações
uma reza
o belo perdeu seu ambiente
grita de dor para ir

arrefece em prática
grita também
para chegar
chora por mais que uma vida de alegria

entendendo o que passa
carona como guia(-coração)
para entender todos os seus infinitos domínios
um dia

AMOR DE TRAMA

AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
TRAMAMART
AMARTRAMA
Baba Magnética
(De um osculomaníaco)


ajá iô
axé babá
baba étnica
a baba é viva

quando bebida
secreta
veneno puro
o quanto cuspida

pus fluorescente
escorre
na ferida
em carne viva

simssangra
um beijo
mágico
eletricista

pierrot e
arlequim
babam em
carnaval

de todos
paratodos
baba-mundi
salva-vidas

lubrificante
de amores
mata-sede
de perdidos

baba sólida
faz bolinhas
benigna est
baba magneticida
Bomba de nozes



eu quero morrer
de gosto
do gosto
de ser de teu corpo
eu, meu corpo
desta combinação
de chocolate
e nozes
baba,
boca,
beijo
e bomba!
broto cor-de-rosa










ESTRELA
MERGULHADA
NO LÍQUIDO
VERDE-AZUL
OMNI
BROTA
DO CÉU-TERRA
EM FOGO
PARA
O INFINITO
CONTÉM
DEUS
NASCENDO

D
E

N
O
V
O
Cafeína e rodoviária



entre café e lágrimas
cheguei de ônibus
da chuva
e, apaixonado,

confusa
minha mente
encontrou
meu corpo

esqueci mundos
o ônibus
café caiu
pretos

fumei molhado
alucinei
ri os tristes
labuta e lábias
Caza de Lazão




não se reprova quem se ama
a não ser em circunstâncias
extremamente amorosas

o pecado só existe
quando se encravam
as unhas de lazão

amarasimesmo
como a lazão
é amar demais

como deve ser
paraamaramais
para amar de novo

e lazão feliz
mesmo com a morte
do seu filho-pai

enfeitiçou-se
pelo amor de pedro
que morreu também

de novo para amar de novo com as unhas cortadas













Chocolate com queijo



no planalto, os sons
de belos horizontes
em tons de prosa,
com tempero
de pinga e cheiro,
trazem das minas
notas sensuais
em cordas de coentro

o espírito, a espera de reis,
curte um beijo
gosto de gozoz
em cacau e coalho
há sêmen sobre a mesa

DISSOLUÇÃO
(Roteiro)
dissolve...
disss...
disdesejo!
disss...
dissssssss...
dismedo!
disss...
dissssssss...
disraiva!
disss...
dissssssss...

DIS QUE ME AMA!

Em nome do pai

morreu
o meu amor
nasceu de novo
leve

renasci
sozinho, parcial
filho das dores
e adeus eternos

ressucitei ainda
em corpo e alma
desejoso de nomes
em vidas inteiras

de sobrenomes
em encontros
com o pai
que foi embora
Eu quero...


quero corpo
quero forte
quero dobro
quero cheiro
quero olho
quero todo
quero boca
quero beijo
quero oco
quero liso
quero líquido
quero dentro
quero alma
quero veia
quero sólido
quero bento
quero buraco
quero mama
quero branco
quero preto

Fazendo música...

até faço bem melhor que isso
fico só pensando se consigo
uso fraco campo harmônico
pobre rima e exata métrica
pra não pensar em suicídio

Franciscos


lembro chico
chiquinha schurig
era virgem
não ouvira
futuros amantes
mas os conheceria
em semibreves
na rio submersa

agora eu era herói
não tinha amante
e preciso falar inglês
no tempo da maldade

Grilo


um grilo
me mordeu
um dia
salto
verde
para
a porta
sangra
o cômodo
de esperança

GRILO II


um grilo
morreu
um dia
a esperança
apodrece
a morte
bem-vinda
maldita
realidade

HÚMUS



YO! MAN
HUMAN
TRUE MAN
MAN LIES
MAN TRUES

VIVEM DE CACOS

TRY MAN
BE BORN
AGAIN
FROM GOD
AMEM!
Lingüistica

estica língua
saliva insaliva
molha a ponta
de outra língua
comunica e nó
verbaliza-se

M3


em cada metro cúbico
há uma gula de espaços
em vértices mentes
tempo e lucro

o meio sólido irresistível
de entre a gente
é a melhor (maior) certeza de dúvida
de duvidar

um fundo escuro obscuro
lá no fim do mundo
aqui, ali,
Parateí, Tamanduateí

aquela relva lá na selva
agora cerca elétrica
era um tiro cá na pedra
fundamento muro




* Esta poesia foi escrita e musicada com a parceria de Wiclef de Barros

Momentos


o orvalho das lembranças
na madrugada
não satisfazem a memória
tão esquecida;
acontecimentos
que não existiram...
nada me marcou tanto:
haverá espero
a tua presença física
concreta e viva
num futuro próximo
































Mormaço


o calor muda o pensamento
por que se destruir no frio?
a luz desnuda a realidade!
limiar da morte entre a vida
MURAL PSÍQUICO







DESCONTÍNUO...


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...PENSAMENTO.

MURAL PSÍQUICO II





CONTÍNUO


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......................................................
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......................................................
......................................................
......................................................
......................................................
......................................................
......................................................
......................................................
......................................................
......................................................



PENSAMENTO.

MURAL PSÍQUICO III




VAZIO


















PENSAMENTO.

MURAL PSÍQUICO IV



SUGESTIVO







...








PENSAMENTO.
MURAL PSÍQUICO V



INCISIVO




!





PENSAMENTO.
MURAL PSÍQUICO VI



INDISTINTO




?





PENSAMENTO.
Não-poesia (do coração)


prática sem
métrica
sem muita
inspiração

um ensaio
artístico ou
até poético
se preferir

há distância?
há saudade!
vida e vivente
desejosos...

importa não
a celebração
lembranças
chegam e vão

como sempre,
aos melhores
e incontáveis
amigos?

Qual é?


eu não quero escrever
quero você em Braille
dá uma luz
pelo amor de deus

não acho mal em te querer
apelo pro apelo
não sei qual é a sua
a minha é qualquer uma
com você

eu largo a “elza” por você
esqueço a “cleide”
dispenso a “loira”
só não me deixo

manda uma luz pro infinito
eu ando tão além na escuridão
quem sabe pego um feixe
será uma

Sintoma


dos limites humanos
estou esfregando
minha cara na bosta
em bosta anti-séptica

eu quero que o orgulho
se foda – se dane
pro raio que ele usa prá
cortá a alma humana
Sobreviva



a vida é vulgar
ela não presta
linda e rica
seqüestra-se

ridícula rima
nefasta entoa
à toa e fraca
ela sã se mata

filha da puta
moribunda e
oca... que
forte ressurja!

aureasauras...
anca branca
em meio ao
meio sangra

porque dava
fartamente
enfartada
a cria criada,

uma criada
olvidada
a lucíferes
que a vendiam

ao nada...
ao nada...
ao nada...
ao nada.
Sonho no escuro


no escuro
belbellitas
azuis voam

brilham
poliraios
finos que

cintilam
os planos
raso e fundo

ambiente
em tudo
sem igual

Tempo, ah, o tempo



o tempo está menor
não tenho tempo
o tempo todo
não tenho tempo
para seu tempo
não tenho tempo
para perder tempo
preciso de tempo
para ter tempo
preciso de tempo
o tempo todo
preciso de tempo
para ganhar tempo
ter tempo
o tempo todo
para seu tempo
Teus platossência

A vida é
ciclos que
se suavizam
conforme
o existir
melancólico
descontextualizado

Tradução da vontade da existência de Deus


Em um livro, de uma biblioteca no Brasil
saiu, velozmente, um pensamento.

Queria chegar lá em cima
e, no mínimo, ver o planeta,
mas na sua forma azul,
não no incitante cinza
de velocidade estonteante
daqui, donde não se sabe
o momento de parada:
a partir de si, em linha reta,
até alcançar o branco floco
reticente, nuvem...

Queria-se saber onde é,
para de lá soltar-se
de tudo no nada,
sentir um beijo d´Ele;
precipitações límpidas
satisfazem a visão.

Cair na terra num
mesmo enquanto,
com a cara lavada
dos maus tempos,
e, como um anjo,
sentir a reação do mundo
à Sua boa vontade,
eterno, etéreo, inteiro,
transplacente,
depois da chuva.

Tratado de amor (uma visão curta)

o amor existe
ele não é afeto
não é carinho
é cuidado

substantivo abstrato não
é nome próprio
alguém contém
e dirige a outrem

é combinação
não é diferença
é orgulho e aceitação
não é sexo nem tara

mesmo quando o outro
dirige àquele alguém
este sentindo
o mesmo ou não

não é de ninguém
carga sentimental diversa
complexa e prolixa
das mais absolutas

muitas vezes, psicose humana
resulta em filhos ou não
é respeito e desrespeito
quase companhia

principalmente parceria
espécie de compromisso

é
consciência de troca
Um abraço apertado e não falei


um abraço apertado...
momentâneo, desejado e sincero
palavras trocadas quase que inibidamente
sorrisos limitados
falta de coragem nos olhares
e um pensamento:
“Eu te adoro...”
e não falei.
Um dez



dá um dez cara, na minha cara
aproveita, vem nos fazer feliz
não deixe passar a adrenalina
eu preciso de um “você”
injete-se em mim, na minha veia
aplique-se à minha vida
passe-se como pomada na minha ferida
aberta pela sua presente ausência



























Viagem à antiga meia-lua


vai
solta quando cai
à espreita, aguarda
quando hora certa
sai
não espera
seja como for
o momento certo
é agora
agüenta, não esquenta
aproveita, se não cai
idéia é reza de cada dia
atropela
não se desespera
que é sua
vai

vazamento


continência
vulgar
incontinenti
vasomenstro
despontuação
impropriedade
do que é próprio
desconexão
por tubo
ladrão
transborda
vulcânica lava
do biltre infeliz
vazamentes
invazão
in-com-tem-são

Vômica


Sentido, o qual
A mesma coisa falia
Em prosa, em verso sentia
As palavras como tal

Nunca, nada parava
Era como em verde
A esperança a expectorar
Sempre o tudo nos dias

Daqueles quens que
O que faziam
Feriam a si mesmos
E a nós também

Onde não dava para ser eu mesmo
Consecução de frustradas vitórias gloriosas
Contidas num espaço extremamente pequeno
De raiva, dor e alegria

Amor

Eu no outro
Ele em eu
Eu, é meu
O outro, ouro
Deus (sem título)


uno-tudo-tudo-uno

uno-tudo-uno

uno-tudo

uno
Espantos


Tenta... ser humano!
Não falo de mim
Não falo de você
Falo de nós
Tenta ser... humano!

Eu sou...


... meio assim... ... assim meio...
Safra


Hall de pragas
a tobaco
Nasce um pelo
branco do lado
esquerdo
do meu peito
Meu coração
está velho?
Saudade


Vou declarar a morte da saudade
já quase não consigo sentir mais...
Incorporo teu corpo,
um sentimento com idade:
Tento recriar a concretude
do que vem de traz
Sociedade (Homenagem Muitoutro Pouqueu)

“Eu”: um só
O “outro” é seis
bilhões de eus
sem outros
eus sós
Grand mother flash!


Caramelo, qué, qué?
Num qué?
Tem quem qué!
É, esperá, né?

Calda de maracujá?
Bão, num é?
Não, maracujá.
Fica calminho, fica!

Tá quente menino,
Olha a dor de barriga!
E assim passei o dedo na vida:
Azedinho-doce não,

Açúcar queimado!

Pudor


Têm razão os pornográficos:
“Sexo com metalingüística
é melhor do que a lógica
da linguagem do sexo sem
língua”
Conflito I


30000 dias







Conflito II

30.000 dias de bons-dias
de cafés vespertinos, ao trabalho!

30.000
noites de jantares sem namoro
me sobe a madrugada:
TV e 30000 insônias
Recuo celeste


Quanto custa ser livre
em Freud e Nitzsche?
As mortes doem em
desatino, sem conter

Averbar-se raro vazio...
bodas lacrimais de prata só
Irrompo contagem de buracos
no céu, sem fundos



p/ Marina Lima

Lacuna

(A Dindinho, Supersex Hero)


Uma lacuna:
nada adentro
mundo afora

A quebra
ostenta duas
refrações de

vidro cego,
sem memória,
aquém a todos

Pra quê, Sobel?
um bem? Sim,
pra quem?

PUSIS INTERNUS (neologismos latinizados para fobias e psicoses)



Será que não percebi este cravo?
Será que não vi esta espinha?
Será que não senti esta acne?
Será que não é quisto sebáceo?

Explode um sangue novo dentro de mim
através do som do cristal despedaçado,
atingindo a película metálica de prata:
espéculas oxidadas pela alexia




P/ Pietro (suPosto filho)

Pequena ode um sentimento


meu amor por você é uma vingança
contra o pai e a mãe
você, que é meu filho
produto da minha criação: um deus

que anti-herói não renunciaria à batalha?
engravidaria a mente da arquitetura
formalizada no alicerce genesíaco de lúcifer,
aborto de uma espada atemporal psicológica?

minha vítima, seu ciúme é minha irmã gêmea!
sofreguidão é o nome do nosso filho que casou!
e hércules é o seu vizinho e herói,
sustentáculo da razão!

Fases de limites (Hipertexto orgânicoH)

reciclei vias
viabilizei meus ciclos
fi-los seguros
penhorei meus portos

delimitei meus temas
ancorei fases
demiti semas usuais
testei teses

assassinei as flores
julguei seus pecados
tolerei o meu ócio
absolvi nossos demônios

questionei os falsos
amei além
menti verdades
para o meu bem


Numerologia parte II

Três setes treze
Cinco pontas
Três seis
Boa sorte!

O que é teu é teu
Nada sei
Belo é o sério!
Passados 4x7


Retrojétil

Atônito – T(esão)



Tônico tenso tenso Tônico
toante toa toa toante
Todo tanto tanto Todo
talvez tudo tudo talvez
tal tenho tenho tal

Tônico tenso tenso Tônico
toante toa toa toante
Todo tal tal todo
talvez tudo tudo talvez
tanto tenho tenho tanto

TALVEZ
Seu... (12 do 6)

6 por
1 dúzia


seu seio é colo do meu mundo
seu abdômem, minha trincheira travesseira
seus braços, mais fortes que a guerra santa
sua cabeça, um planeta inteiro
seu beijo, um sol que me gela
seu sexo, minha bandeira
seu coito, o colorido mais esfuziante
seu gozo, a morte anímica
você, o meu significante

O’clock


At five o’clock
I decided to go home
At five thirty
I came back to the snack

At six’o’six
I ask for six drinks
At six fifteen
I drop down from my desk

At fifteen to seven
I wished to live forever
At eight o’clock
I didn’t find Him

At eight one,
I went to sleep.
Oh,
God!




Fotografia permanente

corri
que a luz
se acelerou
no tempo


eu, em olho,
parei-fios
arco-irisíacos-
andando


passa-dos
espaços
inexistentes
mais
Armaggedon


Na heresia das cores
contei Sete
cromos em arco caricato...
lógico,
ligados paralelamente
(à vida)
em curvas capitais

No final das pontas,
2 potes herméticos
continham pecados
veniais e originais
que, de 1 deles,
saiu o lazarento Gabriel






Nunno Dora e Lídio Toschi

1 ½ a meio




7, 5, 3 palitinhos
Par ou ímpar?

A mente
não emendava,
impreterivelmente
sozinho





Nunno Dora
&
Lídio Toschi



Trans-ação



era para estar mal?
nem imaginei...
não sei se extasiei,
era pra tanto?

ecos da experiência?
sei que decidi
ficar bem com a carne
há tempos!

























Axémanha



de manhã
deuses egípcios
fertilizam
à distância

o terra diuturna,
filho da sol
e do lua:
espelhogen

germina de
velho amor
pólo-pólens
fêmeos

tríade binária:
ele e você
e um vazio
sobe ao céu








Ambigüidade


da virtualidade
de suas percepções
materializo
uma nova rejeição

não me acostumo
com esse vício
existencialista
de gozo precoce

pura atração
cego ao outro
dimensão igual
desejo de Pinochio*





Verso de Lídio Toschi
Amadurecido


amar
duramente
terá sido
esquecer
após os seus
sessenta anos
os meus trinta
tentando ser
o que sou hoje

e
encantado
seguirei
sabendo
que me tens
sem medida
o carinho
que nunca
te roubei





AREIA

As ondas de azar e ardor exasperante
Ressacam as marés de dor e amor
amarelados
Quem sabe a venturança boa
e a coragem nos refaçam
A aventura do apetite de ter vontade
A que do mesmo jeito que leva e traz e
grita e cala
Palpita a vida à adaga gaga
Que longe alisa o horizonte desenhado
Um lapso de ilusão na ilusão do lapso
A rosa úmida voa fixa
Num mar de ar vermelho
Qual respira um homem não sendo
um homem
Sobre corcovas, um cágado,

em cima da areia sem pegadas

SHYNNING

Flutuava no meio meu deserto
Por onde, em mim, você passava?
Eu sobre a sombra longe areia intocada
Todo caminho, tudo mito, minto, muito nada!

Quadro crepúsculo magenta
Nuvem argêntea céu azul
Claro vento quente passeava
Pelo doce acre oco ocre do meu peito

Perto, nem entrada, decerto, sem saída
Espiral totalmente abrangente
Aborta gente, dentro-fora-dentro
Universo fundo, um verso finito e meio

VENDETTA

Na noite da minha vingança
Deus chovia lá fora
Minhas mãos pegavam fogo
de tanto frio
ardiam.
Origamis do Kama Sutra
faziam-se chacras no meu corpo.
Simulavam que não tremiam
as mãos hábeis e sencientes
de um ser de extremidades:
Olhos mais vivos que a cabeça inteira,
uma perna rotava em vaie!-vem
e, dela, um pé em arco, que ia e não,
translava leques de pensamentos
em natureza incipiente;
Ex-eunuco, agora casto, mais amável,
porém pura libido ainda.
Como uma louca a dar a alma a um elmo...

A quem quisesse suas escolhas.
E a pele nada tinha a ver com isso

CERTA CEFALÉIA (DE UM CÃO)

febres do meu corpo em ecos
emanam mantras tântricos:
metade de centopéias ocas
a outra de medusas enxaquecosas

dúvida da boa é:
chorar ao chuveiro é bom?
banho de lágrimas
ou água, molhar-se em que tom?

Inverno, morno, verão de cão
resistente o elétrico ruído
mal contato do meu tato
pois talvez eu sei que é dor

o ruim ao ralo, o vão ao vapor
o xampu é de chuchu de cheiro!
o pêlo e a pele molestados
o sabão do cão é de que cor?

VELA

Elevo o enlevo
Velando o novelo
Nele, relevo inventando
Leve love, ledo, um alento

Relevo de novela
Irrelevante
Onde me revelo
Leva velha, cedo

TREMOR

Tremo, só de existir
Temo resistir só
Então, vamos partir,
na vida, amor

Para o compromisso artístico possível,
pois o futuro socialista não é promissor
Sem absolutismos impossíveis!
Algo sempre muda, melhora o torpor

Embora o desamor,
A falta falha,
A cilada emprestada,
A mentira embriagada

Cantemos, assim, assaz
o amor, só o amor!
(S)(ó)(s),
O respeito ao amor

Ao desafeto, à arte,
Às justificativas da Poesia
que faz justiça relativa
À dor de enfaticamente se opor

IRMÃO

Daquilo Que Sou Imagino
Eu Me Firo Cada Vez Que Sinto
Que Não Te Atinja Um Ínfimo

Quando Instinto Puro Infiro
Armo O Bote, Desalinho
Perco-Me No Mapa Do Seu Íntimo

Como É Que Tudo Isso Acaba?
Eu Conto As Bolas De Gude No Aquário Do Vizinho
Vou Dar Uma Volta Na Praça
E Se Não Passa, Vou Ficar Aqui

Jogo Tarô, Amarelinha
Par Ou Ímpar Do Ridículo
21, Um Pouquinho De Ouinja
Pega-Pega, Esconde-Esconde, Pingue-Pongue,
Eu Sempre Perco Pra Mim

É Porque Você Não Acredita Em Mim
Pois É, Penso, Amo, Sinto E Sou Assim
A Vontade Não Some Com A Idade
E Se Some, Eu Não Tô A Fim

UMA CIDADE

Você ao meio
você por dentro
você meeiro
você querendo
e não

eu entendo
você.

Você ao meio
você meeiro
você querendo
você por dentro
e eu não
entendo

você.

RESPONSABILIDADE

Não consigo escrever
Porque choro
Tenho medo de perder e ganhar
Coragem nunca
Me faltou para
A única batalha
Que (sempre) é a próxima
Injusta,
me canso, mente, dentro
Aparentemente doente
Sigo sem saber
Se longe e parado
Vislumbro melhor
A minha responsabilidade sobre você



CHORO NOS OMBROS TEUS

Mudo, gemo imagens gêmeas
ao beber da tua cascata, saliva, teu selo
até meu estômago frio ranger meus medos

Sem poder me mexer em meu pedido
mais íntimo
Não consigo pensar o sensacional
Nocaute jorrar dentro

Falta força para raciocinar um abraço
Falta coragem para liberar o discurso
espasmódico do amor almático

Me ânima animal, temo – Te Ânimus
Perto, esperto, desperto, tremo
Extremo?
não quero mais nada:

Dá-me a vida no estupro do teu beijo
Ar quente do teu peito
Que sugo e o meu queima

ELÉTRON

EU FAÇO DE TUDO UM MISTÉRIO
EU LEVO O SÉRIO MAIS A SÉRIO
INVERTO O PROCESSO DO MINÉRIO
TRANSFORMO O TODO EM ETÉREO

VERTO O ACESSO NUMÉRICO
SÉRICO SORVO DISPERSO
ACERTO O SÉRIO EM SÉRIES
PROCESSAMENTO CORRETO

CREIO MUNDO ETERNO
CARREGO A MISÉRIA TÃO PERTO
PROCEDO SUCESSO TRANSVERSO
O SERVO SE SENTINDO ESPERTO

EM HÉLIO, ANTI-MAGNÉSIO, É CÉSIO, CERTO
1/3 DA MÉDIA DO ERRO QUE ACERTO
NÃO NEGO, EU QUERO
BILÚ-BILÚ TETÉIA, BILÚ-BILÚ ELÉTRON

TORMENTA

VOCÊ ME ATORMENTA A MENTE
QUASE SEMPRE IGUALMENTE
QUE NEM SENTE O QUE FAZ

VOCÊ ME ARREBENTA OS DENTES
ME COLOCA OS CORNOS QUENTES
DEFUMA A MINHA PAZ

TIRA A CALMA (N’ – D’) ALMA
SUA TARA É FARPA
COAGULA O VAI-E-VEM
PRECOCE GOZA

E NÃO TROCA

Oto-FENESTRAÇÃO

Uma infecção carente
proliferou minha mente
transbordou mais alma
porque não te disse (, maybe)
que há muito tempo
sinto necessidade de confessar-te
tudo de forma onisciente:

o copo na pia, em que bebia água,
da madrugada à alvorada,
conformou-se como o deixei ontem

Água-raz sobre aurora
a suar orvalho ácido nos nós
Rasos reservatórios sulfúricos
em tempos de colheitas amorosas,
de equinócios a solstícios,


será que você viu?

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Pedro Rodrigues Junior Comentário de Pedro Rodrigues Junior em 7 outubro 2008 às 16:10

Pedro Rodrigues Junior Comentário de Pedro Rodrigues Junior em 5 outubro 2008 às 13:13
Edilene, fico muito feliz e agradeço!

E gostaria de saber se posso utilizar o que você escreveu como parte citada e referenciada do meu release aqui.

Um beijo!

PS: Esta semana devo estar aí na quarta e talvez me encontrar contigo na quinta.
Edilene Santos Comentário de Edilene Santos em 4 outubro 2008 às 19:53
Olá meu caro amigo Nunno!
Que bacana podermos compartilhar mais esse espaço pra trocarmos idéias, poemas e, sobretudo, reforçarmos nossa amizade.
Obrigada mais uma vez pelo convite.
Bem...que dizer de seus poemas? Li com muita atenção e carinho e apenas pude constatar mais uma vez todo seu talento e sensibildade: são lindos!
São densos, intensos, bem feitos, não apenas por trazerem em si a beleza inata da Poesia, mas sim porque você os constrói com a habilidade da mente e da alma.Emocão pura brincando de ser razão.
Sucesso sempre!
gde beijo
Pedro Rodrigues Junior Comentário de Pedro Rodrigues Junior em 19 setembro 2008 às 15:56
UMA PREZA

AÍ, MANÉ, PEI!
PAREI, REPAREI!
REVIVI, VI, REVI!
FAC-ASSÍMILEI!
MESMO A ESMO!
MEMENTO DENTRO
DE SI ERMO
ZÉ, SE POIÉZE
POIS É!
E OS CARA?
COLARO!...

Vladão, um beijão, cara! Obrigado pelas escolhas todas, porque escolhas são sempre todas!
À iniciativa inicial de Sonekka, que nunca dorme no ponto!
À galera conselheira!
A este dia, pra mim trêmulo de alegria.

5 EXCLAMAÇÕES E UMA REZA!

PEDRO!!!!!

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