Clube Caiubi de Compositores

Osvaldo Pastorelli: Poeta e artista plástico, nascido em Rio Claro, no interior de São Paulo, hoje vive na Capital, onde se casou e nasceu sua maior obra-prima: Caroline. Nos anos 80 participou do concurso da Biblioteca Afonso Schimitt, sendo premiado em segundo lugar com a poema "Balada da Forma". A partir daí nunca mais parou de escrever. Desde 1998 convive com a poesia em algumas listas de discussão da Internet. Participou de várias antologias, e atualmente com mais dois amigos poetas: Carlos Eduardo Savasini e A. Bittar, vem coordenando “Rascunhos Poéticos”, aos sábados na Casa das Rosas – Espaço Haroldo Campos; tem contos e crônicas publicado no site Anjos de Prata e no Recanto das Letras e um Fotoblog

O CICLO

Amanhã é um novo dia.

Um novo dia de novas promessas
de renovar as velhas promessas
de alvorecer
de renascer de um novo eu

Um novo dia de essência
de verdades que com novos olhos
sentirei os verdadeiros sentimentos
da minha velha alma imortal

Um novo dia de sol mais belo
onde o canto dos pássaros
deixará a beleza mais pura
o vento morno mais cálido
e então verei a felicidade

Um novo dia que partilharei
o meu segredo contigo
o segredo de poucos dias
o segredo de muitos séculos
o segredo de poucos momentos

Um novo dia onde seremos uno
somente uno
e nessa estrada de júbilo
juntos venceremos os obstáculos
e então veremos a felicidade

Um novo dia é amanhã
dia de novos sonhos
dia de novas promessas

Hoje renovo as promessas de ontem
amanhã renovarei as promessas de hoje

Assim farei o ciclo interminável da minha vida
NO VARAL

desfraldadas ao vento luminoso
as roupas no varal é como bandeiras
invocando imagens de saudades
como línguas de fogo
a crepitar na lareira da memória
me queimando todo

CIVILIZAÇÃO

Civilização será,
Morar na mata selvagem de concreto;
Ouvir o grito ressoando sem ser ouvido;
Ou o tropeçar constante no semelhante,
E o mentiroso cuspindo no próprio ser gerado?

Civilizado, o que é?
Será o traiçoeiro matando para não ser matado,
Ou o assassino fugindo dos algozes e da justiça?
Será o egoísta vendendo a alma ao diabo,
Ou o ganancioso roubando para não ser roubado?

Civilizado será
A crise insuportável no sobe e desce,
O medo escondido de ser traído,
Ou o dormir nas sarjetas imundas,
E o sorrir da criança pedindo esmolas negadas?

Civilizado, o que é?
Será a prostituta se oferecendo a cada esquina,
Ou o trombadinha na multidão afanando?
Será o brilho da faca riscando o ar,
Ou o sangue no chão esborrifado?

Civilizado... será,
A amante jogando no rio o amante cortado,
O marido traído batendo na mulher traída,
Ou a garrafa vazia numa boca a blasfemar,
E os veículos respeitáveis atropelando
Transeuntes descuidados?

Civilizado...o que é?
Será o vício tresloucado na mente dos filhos abandona­dos
Ou a rapinagem dos grandes a engordar?
Será o político falando manso a enganar,
ou as leis absurdas não respeitadas?

Civilizado será,
O progresso derrubando o que não é para derrubar,
O desmatamento sem necessidade,
Ou o morticínio dos animais,
E o índio queimado?

Civilizado será,
O poeta e seus poemas,
A escrita denunciante,
Ou a boca que nunca cala,
E a imprensa ultrajante?

Civilizado, meu Deus, o que é?
É isso tudo ou é uma
Desesperança esperançada
Na fé nunca perdida
E a crença na vida?

Civilizado, ah! Civilizado!
É o amor sempre procurado.
É o filho nascendo.
É o esplendor da velhice surgindo.
É a morte... sempre chorada.

O VENTO LEVA TUDO, MENOS A DOR

O vento leva os pedaços de sombras formando tua imagem. A tua imagem refletida na consciência do eu querer pulverizado de amnésia alcoólica a me levar aos braços que me aceitam apenas por dinheiro. Reajo. Tento reagir, carne fraca se enfraquece no desejo profano do prazer pelo prazer tão somente como verme que se alimenta da podridão. Entrego-me a consciência de que terei novamente você em meus braços saciando nossos desejos. E quando vejo, estou em cama desconhecida, entre braços estranhos e, você cada vez mais distante. Juro. Reajo, tento reagir, no entanto distante estamos e você não me ouve, nunca me ouvira e, se ouviu alguma vez, achou que a dor seria meu alimento eternamente, afinal sou poeta e nada mais louvável que um poeta amargurando suas dores em palavras que nada lhe dizem, não é?

SORVENCIA

Gotículas de sentimento escorrem pelas fibras escuras.
Molham ferros e cimentos da humanidade a procura da felicidade sem saber se ela existe ou não.
Frios rostos perdidos se escondem entre garrafas e copos, tendo na face carcomida, a existência vazia ao se encontrarem consigo mesmo.
Fracos solitários caçam companhia pendurados em podres balcões de mármores sorvendo suas agonias geladas nos bares.
Zumbis sonolentos sobem e descem ruas e avenidas, entram e saem dos promocenteres, lojas e shoppings num afã consumista, como tentativa de recuperarem o que perderam em vidas passadas.
Tardios místicos ultrapassados elaboram viagens num intricado itinerário com a finalidade em apaziguar os deuses mortos.
Sorvo da grandeza, pequenos existires desapercebido por afoitos sentires desnorteados.

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necileny sommer Comentário de necileny sommer em 4 março 2009 às 19:31
caramba eu me sinto realmente o patinho feio....buabua....muito bom..

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