
Poeta, Graduando em Letras pela Universidade de São Paulo e Editor do Jornal de Literatura Contemporânea O Casulo. Trabalha como editor e produtor de eventos culturais relacionados com a poesia, como saraus, recitais e lançamentos. É um dos criadores do Projeto Identidade, da FLAP! Festa Literária Alternativa e do recém Coletivo VACAMARELA. Tem poemas publicados em revistas literárias como Entrelivros, Metamorfose, Mirante, FNX e A Cigarra e em sites como Germina Literatura, Cronópios, O Caixote e Vagalume. Os poemas fazem parte do livro de estréia “Outro dia de Folia”, sem previsão de lançamento.
Extensão
Para ruy proença
Massageio
o ferro
por entre
seu veio.
Disco um eco
que pulsa
como aperto
ou recreio
que responde, como vejo,
o que recolho
pelo ventre
de meus
dedos.
(Cada lata, o que me fala?
se amarrada
à outra lata
por esse fio
que recolho, que me cala
que nos cala
amarrados. Qual saída?)
Desse número
zero repetido
zumbido
ainda
em espera.
Xangô
para Fábio aristimunho vargas
Quase
sem nenhum
motivo a pedra ataque
pedra ataque para o vidro
quebra
na cabeça do melhor
amigo
o seu
último
último suspiro.
O nosso azar
nos pedaços repartido,
como bolo ou migalha de,
e com brilho
próprio,
onde nele me reflito,
pois assim o imagino
algo imaginário
como espírito
que sigo.
O que atirou primeiro
a primeira pedra
e acertou
o vidro.
Eu o injustiço.
Nós errávamos.
A última Ceia
Há regras à mesa
como em um brinquedo
de quebra-cabeça.
/ E eu não entendo
os dispostos à esquerda
dos pais.
Restos do pequeno
que sentavam ao meio
da mesa (como prato
que se enche
e procura lugar entre
as pessoas). /
Já não me encaixo
depois que aprendi
a olhar de lado
e sair por baixo.
Embrulho
“Se devíamos chorar quando os palhaços começam a folia,
Se devíamos pinotear quando os músicos se põem a tocar,
O tempo nada dirá mas eu o preveni.”
(W.H Auden)
na festa
esgares de assopros
incineram
os fogos.
apagado
sorrio
(de lado)
fria a vela
o desejo retorna ao estado
de espera.
E eu espero.
E eu estou de parabéns.
Iansã
para ana rüsche
Sopro
leve
que se atrevendo
atravessasse
corpo. muro. corpo.
Afago relâmpago
de vento
fêmea
que conduza o arrepio
através da pele,
e
por toda ela
reverbere.
(Um
blefe
de frio,
que se respira,
e exausta.)
Invisível, a tempestade
se revela
na maquiagem que usa
:
a chuva. Borra-se,
cai.
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