
Flá Perez escreveu os livros de poesias "Leoa ou Gazela, Todo Dia é Dia Dela"," A Filha de Capitu" e o de contos "Não Culpem Nelson Rodrigues". Participou da Antologia Poética Vide-Verso, da Editora Andross e da Antologia do Bar do Escritor, da editora LGE. Primeiro lugar no XII Prêmio Cidadão de Poesia, ganhou concursos das comunidades literárias "Vale das Sombras" e "Concursos de Microcontos". Menção Honrosa nos concursos da Associação dos Escritores Niteroienses e XI Prêmio Cidadão de Poesia em 2008.
Leminski
Lia em seu leito
poesia de Paulo.
Sem perceber que sonhava,
paulatinamente
combinava fonemas.
Paulo e Lia
fazendo poemas:
ele ditava,
ela deitada,
dormia.
O dia chegou:
— Acorda Lia! Bom dia!
No lençol branco da cama
nem uma linha.
Avesso da Amélia
Não sei se caso,
compro uma acácia
ou camélia.
Em ambos os casos
os brotos
morrerão de descaso.
Não sou fácil:
faço lindas corbeilles
de Amélias
dos homens
que traço.
Mas se não me rega
e não me pede comida
eu passo...
Aureolada
Eu tão anjo tenho andado
que em mim nasceram asas.
O que me perde pro céu
é esse meu grande
rabo
endemoniado
e minhas coxas grossas...
Especiaria
À espera submarina
do peixe-dos-terremotos,
ela sonha seus versos toscos:
alegorias escondidas
em margaridas sulferinas
e antigos signos mortos.
Lá no fundo do barco,
nos porões do que foi,
estão seus olhos de ontem.
Esses velhos marinheiros
repetem o fog sob os cílios.
Incrustados,
não reconhecem cenário,
pátria, ilha ou parada,
nem quando veem os filhos.
Com lentidão de sereia,
a mulher que desveste o espelho
à boca soma acalantos.
E guarda que nela se afoguem
outros lábios vermelhos,
inchados
de tanto prazer e pranto.
(poema premiado em primeiro lugar no
XII Prêmio Cidadão de Poesia)
Faceta Inata
Incógnita
– alma de óculos escuros,
nariz e bigode falso –
Incólume, passo...
Depois, desfaço o disfarce:
Incômoda, inapta,
(des) face.
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