
Começo a perceber o quanto é difícil falar de meus queridos parceiros. Mônica Martins surgiu na minha história na mesma época que a Luciane. Lá pela primavera do ano passado, como flores cheias de encantamentos e mistérios. Já não lembro se vi o primeiro poema que trabalhamos na página dela ou se nos falamos antes e ela enviou pra mim. É como se a tivesse conhecido há muito tempo e algumas informações tivessem perdido a importância. É assim que vejo a Mônca, como uma velha amiga que, de seu apartamento encaixotado no universo paulistano, decola para o mundo em atividades ligadas às artes e ao futuro do planeta.
DIALETOS foi nossa primeira parceria. "Queria escrever em todas as folhas de um caderno como Wally Salomão...". Demorei um um pouco pra compreender a pulsação desta letra, com suas repetições "que te amo, que te amo, que te amo...". Quando, enfim, a pronúncia soou como "kit amo" eu enxerguei a melodia que lhe cabia e tudo ficou fácil.
Quando a Mônica me enviou a letra de TANTRA TANGO aquilo parecia uma loucura muito grande. Ela me disse "eu estava ouvindo Piazzola e escrevi isto, como eu sei que gostas de tango...". Eu não tive mais escapatória. Deixei-a no meu campo de visão algumas semanas. Até que um dia puxei-a pra perto e encarei o desafio. Imaginei-a não como um tango, mas executada por um trio de tango (piano, bandoneon e baixo) e a melodia foi nascendo devagar e com cuidado.
A poesia da Mônica Martins soa pra mim como um imenso coração cheio de amor pela humanidade, próxima ou distante, e preso em uma caixa de onde consegue sair, sorrateiramente, pelas frestas. Tenho a impressão que, se esta caixa rompesse e este sentimento se expandisse em sua plenitude, o mundo não suportaria tanto amor. (Acho que não preciso dizer mais nada...)
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