
Oswhaldo Rosa nasc: 12Fevereiro54
formação: Matemática
profissão: Analista de Sistemas
atuação artística: poeta, letrista, compositor, dramaturgo, roteirista (mas gostaria de ser cantor de blues)
participações:
CD “Canção das Moças” de Susie Mathias como compositor de algumas canções e letrista de várias canções de Susie Mathias
CD “Pra Todo Canto” do Grupo Mawaca – música: “Acometado”, em parceria com Susie Mathias
CD “Pluri” do Grupo Matingueiros – música: “Acometado”
Revista “Solução” – contos e crônicas
Autor dos livros Ácido Paulistânico, Amornauta e O Céu é Vertical
Leituras dramáticas no Bar Bastidores e Teatro Maria Della Costa
Vários grupos de teatro amador, durante 22 anos, entre eles Grupão da Vila Maria
Movimentos culturais em Vila Maria, Jardim Brasil, Santana, Guarulhos (onde participou da fundação do grupo literário LetraViva)
Colégio Paulo Egídio onde ministrou oficina de teatro a alunos deste colégio, culminando com a formação do Grupo Cidadãos de Tebas em que dirigiu Édipo Rei
Clube Caiubi e Vila Teodoro, participando esporadicamente no “Sopa de Letrinhas
E uma infinidade de outras atividades iniciadas em 1972
cursos (exceto os relacionados à formação profissional):
Formação do Ator (Escola Macunaíma), com Sylvio Zilber
Direção Teatral (SESI), com José Rubens Siqueira
Oficina Literária (Museu Lasar Segall)
Oficina Literária (Casa Mário de Andrade)
Oficina Literária (PUC – Professor Philadelpho)
Oficina de Dramaturgia (Centro Cultural São Paulo)
Curso de Roteiro (Sindicato dos Bancários), com Murilo César Dias
Mais? Astrologia (Escola Trígono), Numerologia (Professor Giuseppe Camaroto), Yorubá (USP – Professor Mister King), Semiótica (PUC), Psicobiofísica (Escola do Pensamento), Projeciologia (Wagner Borges), Doutrinação Espírita (Casas André Luís)...
Acho que chega, mas tem muito mais.
AMANHÃ É DOMINGO...
Oswhaldo Rosa
o universo tem seus cataclismos
convulsões inimagináveis
e se contorce de cólicas
feito cobra em brasa
embora pareça bonito
aquele multicolorido de astros explodindo
é uma dor horrível
o universo menstrua estrelas
sabia? estrelas são óvulos
que, fecundados, geram planetas
o parto de corpos celestes
é uma outra hecatombe
o cosmo se desfalece
passada a curva do tempo
tudo cai no buraco negro
“o buraco é fundo
acabou-se o mundo”
CÃONONIZAÇÃO
Oswhaldo Rosa
bem faz o meu cachorro
que não é muçulmano nem cristão
atende pelo nome
e nem se importa em saber
porque resolvi chamá-lo de Hachid
o meu cão não tem ideologias
rosna, se não gosta
abana o rabao, se quer bem
bem faz o meu cachorro
que não é corintiano nem evangélico
eu, sim
que tenho essas manias
de sonhar com um mundo melhor
e ter impulsos igualitários
sou preocupado com as comodidades
da boa ração
meu cão nem existencialista é
eu que sou idiota
inventando esperanças e revoluções
crio céus e infernos
culpas e outras ignorâncias
se eu fosse mais racional
buscaria a cãononização
POLITICAMENTE CORRETO, UMA OVA
Oswhaldo Rosa
meu avô chamava minha avó de
minha Preta
meu pai chamava minha mãe de
minha Nêga
quanto a mim
tenho que ser politicamente correto
dar um nó no intelecto
e chamar minha amada
de minha afro-descendente
RACIONAIS, QUEM?
Oswhaldo Rosa
quem cuida das feras
quando a água invade suas tocas?
quem acode os bichos
quando as queimadas devoram suas casas?
a fera, pra sua prole, é dócil
quem acolhe os animais
quando a cidade engole florestas?
quem socorre os peixes
quando o petróleo invade os mares?
nenhum bicho nasceu pra fóssil
quem dá abrigo aos pássaros
quando o progresso apodrece o ar?
Quem, meu São Francisco,
impedirá a loucura dos racionais?
fera só vira bicho pra não virar bolsa
(sem título)
Oswhaldo Rosa
sabe?
o que gosto mesmo
mais que tapióca
é ficá ouvindo gringo falá
entendo nadinha
mas aquela música
aquele jeito cantado de dizê as coisa
é que me põe maravilhado
o interessante, mesmo
é que um gringo entende o outro
por isso eu sei que as formiga
têm lá o seu dialeto
HAI-QUASE
I
passei o ferrolho
no olho do dia
a noite sorriu à deriva
II
tudo no fundo do ar
se respira
exala medo
III
somos somente Soma
de cromossomos.
como somos tantos...
IV
todos os representantes
representam o que não somos
tontos
V
a partir de hoje
viverei como dantes
aos trancos
VI
abre as asas sobre nós
desfaça-os, desate-os
de nossas gargantas
BANQUETE
de madrugada
os náufragos engasgavam horizontes
e lá longe
a ilha se desfazia
a praia se derretia
o mar engolia (e engole) pedras, areias
e navegantes desnorteados
amanheceu
gosma de peixes e gentes
banquete dos urubus
ESFINGE
meu peito tem duas margens
entre os lados
esquerdo e direito
do leito
há um rio sem peixes
sem água
sem fundo
entre as margens do vazio
escorre o escuro
HUMUS URBANUS
as pessoas civilizadas
têm o estranho hábito
de atirar lixo na casa alheia
de lixar tiro na cara alheia
de alhearem-se de culpas
as pessoas civilizadas
sentem prazer na dor alheia
seja
soltando cães insandecidos
armando minas e arapucas
lançando mísseis ou palavrões
as pessoas civilizadas
projetam projéteis de longo alcance
e amam
como amam
cheirando a presunto e mortadela
assim que me tornei civilizado
publiquei o Manual do Assassinato
“matai o próximo como a vós mesmos”
MEDITAÇÕES DA INFÂNCIA
quando não brincava com palavras
nem planetas
ficava enfiando pregos no cimento
de qualquer modo mãe ralhava
Ô menino desanuviado!
não adiantava broncar
só tinha pipas no pensamento
era um cabeça de vento
quando crescesse ia ser comunista
Mordomia pra nóis tudo, mãe
é o que dizia
teve vez de perguntar
– Mãe, se Deus é grande
por que que só tem quatro letras?
a mãe endoidava
com aquela falação de quem cisma
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