Clube Caiubi de Compositores

Biografia


Rebentei num dia de ressaca, chorando em dó assustado. Chovia. Arranjei de saber mundo logo cedo, o nariz colado em livros. Da letra desconstruída pela inventada foi um isso. Zorro e prego – as primeiras palavras (escritas com caco de tijolo no cimento da calçada) antecipavam sei lá o quê. Ainda vou por descobrir. Deixei o tijolo pelo lápis, o lápis pela remington, a remington por um CP-400 e aí foi, atestando que faz tempo. Viajei impreciso, sempre por precisão. Varei do Chuí aos waimiri-atroari. Cachoeiras por demais. Praias por demais. Cacimbas e piscinas. Sapê, amianto e céus estrelados. De uma vez, assentei, por encontrar a mulher que amei antes de conhecer. E por cuidar de conhecer a mim mesmo em meu filho. Mas ninguém se engane, que eu vou. Tiro retrato para os outros. Descrevo o mundo apoiado em melodias. Proseio e poeto. Rebentei pra isso


Preto no branco




Do hai kai anão

A sem-fim do épico

Corpos opacos

Estrelas candentes

E sóis imensos

Às vezes sem cabeça

Às vezes com pés tortos

Tronco e membros

Vitruvianos

Ou deformações abissais:

Genes mutantes

Gerando caminhos.



Não se decompõem.



Como os santos,

Repousam sobre o eterno



E o sangue ainda circula sob a pele,

Sangue que alimenta fragmentos de universo.











Tres por Dos


A minha vida escrita

Num eletrocardiograma

Num calendário lunar

Numa tela de programa



A minha vida exposta

No raio-x de uma fratura

No bilhete do metrô

Na placa da floricultura



A minha vida passada

No sorriso da embalagem

Nas nuvens sujas do outdoor

No embrulho pra viagem



A minha ficha corrida

No rabisco pela margem

No jornal sobre o mendigo

No saco para reciclagem



A minha vida sozinha

Escrita sem palavras

Descrita no teu gesto



Minha vida, nesse adeus

Tatuado em meus olhos,

Adia teu regresso





Reinvenção


Poeira velha, tanta estrada

Contos, versos sobre nada

Desenhados pelas coxas



Cartas tolas, tantos verbos

Emprenhados em conversas

Ressecados pelas bocas



Idéia trocadas

Sempre repetidas

Nada novo sobre o pó



Línguas marcadas

Cansadas de tudo

Prosa mole, poema só



Palavra, roupa gasta

De tão usada

Que veste o tempo

E pelo avesso

É a vida

Reinventada




Você está perdido. As certezas foram todas trituradas, colocadas para secar, embaladas e vendidas no supermercado em saquinhos, na seção de especiarias Kitano. Todas as escolas, todos os paradigmas. As antíteses viram síntese com a velocidade de um fóton girando e abrindo buracos negros que se dissolvem no grande acelerador de partículas mundial chamado arte - o que não dá espaço nem para vírgulas. A lígua muda. O mundo nunca foi tão falante e nunca houve tão pouco a dizer. Perdidinho de souza, você tenta rever os clássicos para ver se espreme algo. Não sobra nada. Também os clássicos se liquefazem sem trema. Hoje quebra quem tentar quebrar. Porque não há o que quebrar. Nem mesmo o spleen, nem mesmo a desesperança são permitidos. Já foram tentados à exaustão, e hoje descansam na vala incomum dos esforços perdidos. Não há gurus, não há mestres, nem guias. E tudo mais a dizer é que vi no google um ideograma chinês que parece significar ao mesmo tempo crise e oportunidade. Você está perdido. E isso pode ser bom pra você, se é que já não foi.

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Lucia Helena Corrêa Comentário de Lucia Helena Corrêa em 15 agosto 2009 às 15:49
Zedu,
seu texto é... estimulante! E eu não estou perdida coisa nenhuma. Não se eu me alimentar de coisas assim... Você é porreta, meu amigo! Ouça, na segunda-feira, às 23 horas, e na terça-feira, às 21h e 30min, a entrevista que dei ao programa Afgter Job (entrevista comunicadores que têm outros talentos), da Radio Mega Web (www.megabrasil.com.br). Eu falo à beça em você. E canto "Febril". Ouça e recomende.
Aline Romariz Comentário de Aline Romariz em 12 agosto 2009 às 7:16
A Rádio Amiga fm de Salto-Sp, tem o prazer de convidá-lo a participar do I Encontro de Poetas em Salto que será realizado no dia 19/09/2009 a partir do meio dia.
Programação:

12:00 hs- Abertura do encontro, ao vivo, no Programa Palavra de mulher
14:30 hs- Almoço dos poetas
20:30 hs -Sarau poético

Para maiores esclarecimentos
Contato-aline.romariz@gmail.com

Aline Romariz
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